Um olhar diferente

Novos ares em Mianmar: conheça o trabalho de uma ONG que atua no desenvolvimento humano de jovens marginalizados

 Testemunhos missionários 

Por AsiaNews (Agência de notícias do PIME)

New Humanity é uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos, fundada em 1992 pelo PIME para atuar no Sudeste Asiático. No Camboja, a atividade da New Humanity começou em outubro daquele ano, a partir de um acordo entre os Ministérios da Educação Comunitária e do Desenvolvimento Rural. Desde então, a ONG desenvolve projetos educacionais e agrícolas nas províncias de Kompong Speul, Kandal, Kompong Chhnang, Mondolkiri e Phnom Penh. Desde 2002, a ONG está presente também no Mianmar, onde assinou um Memorando de Entendimento com o Ministério da Agricultura e Irrigação. É identificada como New Humanity Myanmar (NHM) e promove projetos de desenvolvimento integrado nos setores agrícola, social e de saúde. Atua através de um escritório central na capital Yangun e dois na província de Shan (Taunggyi e Kyang Tong). Em 2005, assinou um projeto de cooperação com o Departamento de Assuntos Sociais que lhe permitiu consolidar boas relações com as autoridades locais.

Pequena e aguerrida

A NHM é ainda pequena e dedica seus esforços no desenvolvimento humano e profissional dos jovens marginalizados, que unem a própria experiência ao caminho de “uma nação que deseja sair do isolamento, ansiosa para trabalhar pelo bem das pessoas”, lê-se no memorando. O seu mais recente projeto realizado no país foi a construção de um sistema de purificação de água na periferia de Kyaing Tong, no extremo norte do estado de Shan. Valorizando a ‘compaixão’, um sentimento habitual na tradição budista do país, a NHM colabora com as autoridades no maior empreendimento da nação: educação e formação estão no centro da iniciativa, que envolve alguns professores, 120 jovens e uma escola profissional. Outra frente onde a organização se empenha, junto ao clero budista e às autoridades civis, é na luta contra o álcool e outras drogas.

O Testemunho

U Zaw Zaw, um ardoroso colaborador da NHM, diz: “Partilho a minha experiência a respeito de uma nação que deseja ingressar no contexto internacional com plenos direitos, uma nação que anseia trabalhar pelo bem das pessoas. Esta nação é o meu Mianmar. As polêmicas internacionais dos últimos tempos talvez tenham razão sobre meu país, mas a verdade é que, para quem nos olha de fora, é difícil entender a nossa gente que, após mais de 60 anos sob ditadura, lentamente constrói um futuro e uma identidade. Nem tudo ainda é claro e límpido, mas nem tudo é de se jogar fora. Pelo contrário! Falar de Mianmar orientando-se apenas pelas opiniões e pelos juízos que os jornais e as organizações internacionais apresentam sobre o país é muito pouco. Mianmar é outra realidade e muito mais. É o que demonstra o testemunho de uma pequena ONG que atua em vários setores do país: a New Humanity Myanmar (NHM), da qual em participo. Essa organização luta para promover atitudes abertas e desejosas ao dar novas oportunidades a jovens que passaram por experiências altamente negativas. É verdade que falta a certos membros de sua equipe uma formação aprofundada, e até a possibilidade de participarem de cursos de capacitação, por se sentirem exaustos após as inúmeras horas dedicadas ao resgate humano. É de se elogiar como as autoridades locais, com as quais trabalhamos, são guiadas pelo típico sentimento de “compaixão” do budismo. Todas estão cientes da frequência com que as causas de muitas situações de delinquência juvenil são a consequência dos abusos sofridos e das muitas dificuldades enfrentadas desde a infância.

Local de iniciação profissional

A proximidade e a colaboração que nasceram, por exemplo, entre a New Humanity Myanmar e o maior reformatório de Mianmar permanecem como elementos positivos e um ponto de referência. A pequena ONG deu início a uma escola para garotos, entre os casos graves no interior do reformatório. Nele atuam jovens professores e professoras em templo integral. Com grandes sacrifícios, educam mais de 120 jovens, em especial aqueles com maior dificuldade acadêmica e de integração social. Uma das professoras trabalha em aconselhamento, retirando “manchas” do sofrimento advindo do abandono. A palavra “reformatório” não agrada. Assim, trocamos o termo por “local de iniciação profissional”. Essa nova atitude está relacionada à convicção da sociedade de que a vida pode mudar de rumo se o jovem tiver um emprego, uma profissão. Assim, com o apoio de uma escola profissional na cidade e de seus professores treinados, a NHM iniciou cursos de capacitação em eletricidade, solda, carpintaria e marcenaria, especialmente para aqueles que estão prestes a terminar seu período de detenção e que, portanto, já têm um pé fora da detenção.

Frente pelo resgate

Além disso, a NHM e algumas pessoas que, entre nós, põem a mão na massa, iniciaram um trabalho de conscientização e de ajuda a dependentes de álcool e de outras drogas. A iniciativa conta com o apoio dos monges budistas e das autoridades, que, unidas à ONG, também se mobilizam em reuniões com jovens e adultos nos vilarejos e em escolas. Está claro que, neste país, há muita gente que deseja o bem para si, para os jovens e para toda a população. É um outro ângulo ou ponto de visão; é a experiência de uma pequena ONG, a New Humanity Myanmar, mas que joga todas as cartas para chegar ao coração desta minha nação.”

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