Padre Pietro Galastri

Padre Pietro Galastri

Pietro Galastri é alto, austero, severo; traços marcantes; olhos grandes, vivazes; cabelos pretos e cheios sobre o
rosto longo; crucifixo no peito. Trinta anos de vida. Cinco de sacerdócio. O ano é 1948. Ao sobrevoar a Birmânia, vindo de Calcutá, onde acabara de desembarcar do navio Taurínia, que o trouxera da Itália, escreve: “Oh, ei
-la! Terra birmanesa, tanto suspirada, eu te cumprimento! Quanto és bela!
Cordilheira, florestas, vales, aldeias e uma planície imensa. Rangoon, a capital, corre ao nosso encontro”. Exatamente no dia em que chega, o governo decide não acolher mais missionários estrangeiros. “Cheguei a tempo!
– escreve –. A partir de agora, os missionários que já estão, ficam; os novos não serão mais aceitos”.

Ombro a ombro

Mario Vergara e Pietro Galastri constroem escola, igreja, orfanato e dispensário em Taruddá, uma aldeia católica perdida no bosque, entre “barracas desconjuntadas”. Padre Pietro descreve: “Coisa de loucos! E devemos dançar conforme a música! Dançamos, para a glória de Deus!”.
Depois, ambos se transferem para Shadow, onde Pietro constrói e cuida da residência, da escola, da igreja, do orfanato e do dispensário. Com a chegada dos comunistas chineses, aldeias são incendiadas e os nativos, perseguidos e mortos. Os campos ficam sem cultivo; as famílias, sem nada.

A Independência

O país se liberta da Inglaterra nesse ano de 1948. Na ocasião, padre Mario escreveu: “Quando os ingleses dirigiam o país, havia ordem e paz; agora, desordem e guerra civil por todo lado. Os carianos protestantes aproveitam a confusão. Tomaram conta do poder e aterrorizam os católicos”. Os amotinadores estão convencidos que os católicos são lacaios e espiões do antigo governo colonial.

Em mãos dos rebeldes

Desde janeiro de 1949, Toungoo está ocupada por rebeldes carianos. Suas lideranças requisitam alimentos e oprimem com impostos exorbitantes a população de Shadow. Os missionários tomam a defesa dos oprimidos; recebem a gratidão dos aldeões e, ao mesmo tempo, o ódio dos rebeldes.
Em janeiro de 1950, Loikaw, a única rota de entrada de alimentos, passa para as mãos das forças oficiais, forçando os missionários a atravessarem frequentemente as linhas em conflito para alcançar, de Shadow, ainda em mãos amotinadas, as aldeias situadas no lado reconquistado pelas tropas regulares.
No fim do mês, voltando de Loikaw a Shadow, os padres Mario e Pietro são revistados pelos amotinados, que esperam encontrar armas ou cartas comprometedoras. Nada foi encontrado, mas ambos são considerados espiões do governo.
Às seis da manhã do dia 24 de maio, eles são detidos novamente, juntos com o catequista isidoro. À noite, os três são levados às margens do rio Salween. No alvorecer do dia seguinte, são mortos com arma de fogo.
Os corpos, colocados em sacos, descem a corrente do rio. Padre Mario, reconhecido mártir pela igreja juntamente com o catequista isidoro, é proclamado bem-aventurado em 25 de maio de 2014.