Padre Fausto Tentorio

Padre Fausto Tentorio

Santa Maria Hoé é o lugarejo do norte da Itália onde nasceu Fausto Tentorio em 1952. Tão logo depois de sua ordenação sacerdotal, padre Fausto chegou ao grande país católico da Ásia em 1978. Desde o início, adotou o estilo de uma igreja pobre, que se coloca ao lado dos pobres. No começo, em Columbio – a sua primeira destinação na pequena diocese de Kidapawan – pôs-se a viver em um povoado de tribais, exatamente em uma cabana como as deles, partilhando totalmente a vida daquela gente. Mas não teve sucesso: pouco tempo depois caiu doente.
Aquela experiência, porém, ensinou-o a colocar em um patamar mais profundo este desejo de partilha: não podia ser apenas um ideal romântico. Em uma terra de fronteira violenta como Mindanao, o missionário devia lutar em defesa dos direitos dos miseráveis e isto significava colocar em jogo a própria vida, até às suas consequências finais.

Um instrumento do Reino

Uma manhã, ainda quando estava em Columbio, encontrou projéteis encravados na parede de seu barraco de madeira, em claro sinal intimidador. Poucas semanas depois, em abril de 1985, coube a seu amigo Tullio Favali cair morto na vizinha Tulunan.
Em um contexto de conflito, onde os cristãos eram vistos somente como ladrões de terras até aquele momento, era mais importante aprender a amar-se reciprocamente.
A paz e a justiça, porém, em uma realidade como a de Mindanao têm um alto preço: inclusive depois da morte do padre Favali, Tentorio viu tantos outros amigos ativistas, leigos, sindicalistas, líderes comunitários tribais serem mortos por que se opunham aos interesses de um latifundiário ou de qualquer grande companhia mineradora. Ele mesmo, em 2003, escapou de um esquadrão da morte que o esperava em um desfiladeiro, durante uma das visitas a um lugarejo em uma zona perdida: naquela ocasião foi colocado em segurança e protegido por amigos manobo.

Preocupado com o futuro dos tribais

Mas, por que padre Fausto dava tanto aborrecimento aos políticos locais corruptos e aos clãs enriquecidos, utilizando e abusando da lei do mais forte?
Exatamente porque o sistema que ele adotou entre os manobo do Arakan é o mesmo indicado pelo papa Francisco na encíclica Laudato Sì (Louvado seja): não um assistencialismo piedoso, mas um compromisso a ser assumido pelos pobres, através de modelos de organização política. A grande herança que ele deixou para a sua gente foi uma rede de escolas maternais e fundamentais, abertas inclusive nos vilarejos mais afastados; escolas que apostam no futuro dos jovens, mas que, ao mesmo tempo, promovam o crescimento da comunidade, organizando-a como um agente capaz de construir um desenvolvimento diferente em relação às monoculturas da banana ou às mineradoras a céu aberto.

“Father Pops”

É segunda-feira na paróquia de Arakan. A porta se abre e padre Fausto se dirige para a varanda onde está a sua moto. Apressa-se a descer das suas montanhas até Kidapawan, onde, nesta manhã, os padres da diocese se encontrarão com o bispo. O missionário não tem ideia que, na penumbra, um assassino o espera, pronto a descarregar uma arma contra o peito nele.
Ele não tem ideia que aquela hora – que ele já pressentia há algum tempo – chegou de fato; porque, desta vez, os projéteis levam por terra definitivamente o seu trabalho cotidiano junto aos pobres, para a construção do Reino de Deus em uma terra desfigurada pelo egoísmo dos homens. No dia 18 de outubro de 2011 morreu o padre Fausto Tentorio, missionário do Pime, aos 59 anos. Era chamado por todos de Father Pops, o missionário que, com sua moto, subia até aos mais distantes e elevados vilarejos para ficar junto com os manobo, a população tribal originária dessas terras.

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