Padre Angelo Maggioni

Padre Angelo Maggioni

Nascido em 1917, no norte da Itália, aos 22 anos é ordenado sacerdote no Pime. Mas a deflagração da 2ª Guerra Mundial impede-o de partir para o então Paquistão Oriental (agora Bangladesh), ao qual fora destinado.
E assim, por nove meses, exerce a função de vigário em sua aldeia natal. Finalmente, em 1948, ele e quatro coirmãos embarcam em um navio sucata de guerra e desembarcam em solo bengalês, 33 dias depois.

Uma divisão controversa

Fazia um ano que a Grã-Bretanha concedera a independência ao seu grande império asiático que, na base de critérios religiosos, é dividido em dois Estados: a Índia, povoada principalmente por hindus, e o Paquistão, cindido em duas partes separadas entre si por 1.500 quilômetros, de maioria muçulmana. O prejuízo fica para o Paquistão Oriental. De fato, perdera a sua capital cultural e econômica, a cidade de Calcutá. Não está apenas cercado pelo grande Estado indiano, mas em situação de exploração e de dependência absoluta do Paquistão Ocidental, industrialmente organizado e florescente.

Apostolado

Padre Maggioni trabalha na área mais pobre e povoada do império fragmentado, entre muçulmanos bengaleses, dos quais 80% são camponeses analfabetos. Trabalha silenciosamente entre os santal, formando comunidades cristãs, às quais oferece ajuda espiritual e material. São comunidades miseráveis e desnutridas. Nos meses de chuva campos e estradas são alagados, as cabanas ficam danificadas, e a colheita do arroz resta totalmente perdida! Em seguida voltam os meses de estiagem que, ao chegarem inexoravelmente, deixam vislumbrar a carestia. O missionário, então, faz projetos de trabalhos de irrigação para garantir água na estação seca e para diminuir as enchentes durante a estação das chuvas.

Guerra civil

Em março de 1971, o presidente Yahya Khan ordena repressões sangrentas contra os separatistas do Bengala, que proclamaram a República Popular do Bangladesh. A guerra civil produz 10 milhões de refugiados e suscita a intervenção da Índia na defesa dos bengaleses. Muitas aldeias são queimadas e saqueadas. Por proteger pobres e indefesos, o missionário é surrado e maltratado.
O primeiro-ministro do novo estado bengalês, Mujbur Rahman, aceita ajuda econômica e humanitária de todo mundo. Organizações internacionais católicas incentivam a autopromoção dos bengaleses e ajudam o povo de mil maneiras.
Padre Maggioni, pároco em Andharkota, também se dedica ao apostolado nas aproximadamente 40 aldeias espalhadas em sua paróquia, onde os refugiados vivem em tendas, em cabanas improvisadas ou embaixo de árvores.
A missão se torna centro propulsor de arrecadação e de distribuição. Assim, as casas dos missionários são as mais expostas aos atos de banditismo, exatamente porque são pontos de convergência e de distribuição da ajuda que vem do exterior.

O tiro na escuridão

Na madrugada de 14 de agosto de 1972 ladrões armados com fuzis irrompem na missão de Andharkota. Os ladrões berram o nome do missionário. Acordado de sobressalto, padre Angelo se apresenta. Nem consegue acender a lanterna e dois
tiros de fuzil partem em sua direção. Ele se refugia em casa. Os ladrões entram e vasculham a casa. Ouvem-se outros tiros de fuzil. Quase uma hora depois, decepcionados, os ladrões fogem sem ter encontrado as poucas centenas de rúpias que o padre tinha sacado do banco no dia anterior. Ele está estendido no meio do quarto. Disparada através
da fresta da porta, uma bala lhe perpassara o peito.
Ao saber da morte do missionário, um professor muçulmano lamentou: “Ele encarnava em si a ideia que nós, Muçulmanos, temos da santidade: somos fortes na fé, mas dificilmente o somos, da mesma forma, na mansidão. Ele conseguiu fundir perfeitamente essas duas qualidades”.