Bem-Aventurado Mario Vergara

Bem-Aventurado Mario Vergara

Mario Vergara ingressa no Seminário do Pime, em Monza, com 19 anos, mas a saúde frágil obriga-o a sair. Recuperado, volta em 1933. É ordenado padre em 24 de agosto de 1934. Um mês depois, parte para a Birmânia (hoje, Myanmar). Assim que chega a Toungoo, no final de outubro, estuda três dialetos locais. Meses depois, é destinado ao distrito
de Citacio, da tribo Sokli, com 29 aldeias católicas.
Orienta os catequistas e mantém cinquenta órfãos recolhidos pela missão. “Ficou famoso pelo carinho demonstrado às crianças e órfãos. Permanecia, dia e noite, ao lado das crianças doentes, medicava-os e os lavava”, recorda seu coirmão, o padre Mora. É também catequista, educador, médico clínico, administrador e, frequentemente, até juiz. Não para nas aldeias e não se cuida; enfrenta mau tempo, inclusive com febre alta e malária.

Guerra

Após o ataque japonês a Pearl Harbor (7/12/1941), o Japão invade a Birmânia. Os missionários são levados a um campo de concentração inglês na Índia. Na esperança de retornar à Birmânia, eles aprendem a língua cariana, organizam seminários teológicos, cursos de medicina, conferências litúrgico-morais. No final de 1944, os primeiros padres são libertados e podem voltar às suas missões. Debilitado, o padre Mario é submetido a várias cirurgias, inclusive a da
retirada de um rim. Teme ser repatriado para um descanso forçado. Ao contrário, é-lhe confiado um perigoso desafio na extremidade oriental da missão de Toungoo.

Desafio

Na missão, a dois mil metros de altitude: “nem um ‘buraco’ onde habitar ou uma esteira para descansar”. Padre Mario ocupa uma cabana de bambu, abandonada: “Vento e sol entram livremente. Se chove, tenho o banho à mão. Por móveis, duas cadeiras e uma mesinha que fiz com a ajuda do meu catequista; por alimento, um pouco de arroz com ervas do mato”.
Pior que o desconforto material, são as dificuldades de diálogo com aldeões de religião tradicional, com os budistas e com os cristãos batistas que, há vinte anos, catequizavam os nativos: “Enquanto procuramos professores nas aldeias, os batistas falam mal da nossa religião. Desgostoso, o pessoal não aceita mais, nem eles, nem nós”.
Em outubro de 1948, padre Pietro Galastri chega para ajudá-lo.

No fim de janeiro de 1950,  voltando de Loikaw a Shadow, os padres Mario e Pietro são revistados pelos amotinados, que esperam encontrar armas ou cartas comprometedoras. Nada foi encontrado, mas ambos são considerados espiões do governo.
Às seis da manhã do dia 24 de maio, eles são detidos novamente, juntos com o catequista isidoro. À noite, os três são levados às margens do rio Salween. No alvorecer do dia seguinte, são mortos com arma de fogo.
Os corpos, colocados em sacos, descem a corrente do rio. Padre Mario, reconhecido mártir pela igreja juntamente com o catequista isidoro, é proclamado bem-aventurado em 25 de maio de 2014.