OPIME nasce no Brasil em 1946, os primeiros três missionários que desembarcam no Brasil são: padre Attilio Garré, antes missionário em China e dois jovens sacerdotes, Beppe Maritano e Aristide Pirovano que depois se tornaram ambo bispos de Macapá. Chegaram em São Paulo a noite com malas pesadas e não sabiam por onde ir. Depois várias procuras, sem falar uma palavra de português, encontraram a casa de uma congregação religiosa. Não tinham almoçado nem jantado, o reitor da casa os levou na cozinha: tudo vazio, tem só uma banana, uma banana para três pessoas! Assim começou a missão do PIME no Brasil.

Atualmente está presente nos estados de São Paulo, Paraná, Sergipe, Mato Grosso, Amazonas, Pará, Amapá. Endereços e detalhes das presenças aqui.
No decorrer de setenta anos os missionários trabalharam em vários estados do Brasil. A seguir uma breve síntese da presença do PIME ao longo destes anos:

São Paulo - Bandeirantes pelo Evangelho
Igreja de Brooklin Paulista

Inauguração da Igreja Brooklin Paulista em 1958

A presença do PIME no Estado de São Paulo e no Brasil inteiro foi marcada por uma constante: a necessidade de procurar posições de fronteira, de ir aos mais abandonados.
Na cidade de São Paulo, foram recusadas, de início, paróquias do centro e preferidas outras que, naqueles anos, eram de periferia, como Brooklin, Vila Olímpia e Santo Amaro, na região sul. Pobreza e debandada de muitos católicos para outras confissões foram, portanto, as características mais marcantes dos bairros dessa nova periferia, que apresentou-se logo como situação missionária. De fato, exigia prioridade absoluta por parte do PIME, que em pouco tempo, passou a ter cinco paróquias na região entre Vila Joaniza e Pedreira.

O PIME trabalhou também na região de Assis, na Alta Sorocabana. Não marcou sua presença somente em paróquias, mas manteve durante muitos anos dois colégios: o Diocesano Santo Antônio, na cidade de Assis, confiado ao Instituto pelo próprio bispo da cidade, e o Meninópolis, no bairro do Brooklin, da cidade de São Paulo, fundado pelo Pe. Carlos Acquani.

Paraná - Progresso humano e religioso

Entre 1947 e 1950, trinta e oito padres chegaram ao país e alguns, convidados pelo então bispo de Jacarezinho, assumiram a região ao redor de Londrina, na época, modesto povoado que dependia administrativamente do município de Sertanópolis. Eram padres que, expulsos da China recém-ocupada pelos comunistas de Mao, escolheram trabalhar no Brasil.

Paroquia Ibiporã

Paróquia Nossa Senhora da Paz em Ibiporã

O norte do Paraná estava se abrindo aos colonos e plantadores de café e algodão. Pequenos núcleos urbanos surgiam nas encruzilhadas das estradas poeirentas ou lamacentas durante as chuvas. Tais centros desenvolviam-se com uma facilidade extraordinária pela fertilidade da terra e pelo bom preço do café e da madeira.

Os padres do PIME acompanharam essa evolução, compartilhando a vida difícil dos primeiros colonos que moravam em típicas casas de madeira. As primeiras igrejas não passavam de construções de madeira e não faltava, em todas as capelas, o barracão das quermesses. Era através das quermesses e do leilão do gado que se recolhiam os fundos para construir as importantes obras que acompanharam o rápido progresso da região. Igrejas, escolas, casas paroquiais, centros sociais e, em algumas cidades, até hospitais, casa de idosos, etc. Foram grandes momentos de entusiasmo e fé no futuro da região.

Fiel a seu carisma de trabalhar preferencialmente em situações de fronteiras, o PIME começou, no Paraná, a entregar as paróquias já estruturalmente prontas, para assumir outras regiões mais carentes.

Mato Grosso do Sul - A solidão dos vaqueiros

Enormes fazendas de gado, matas e animais silvestres, poucas estradas poeirentas e que nunca terminavam… Sabia-se quando se partia, mas não quando se voltava.
E a solidão: solidão das famílias dos retireiros, dos boiadeiros, que só tinham como música o mugir do gado, sem assistência médica e escola para os filhos, à mercê dos caprichos de fazendeiros. Esse era o Mato Grosso do Sul que, por convite do então bispo de Corumbá, dom Ladislau Paz, o PIME assumiu para colaborar com os poucos padres que lá trabalhavam.

Porto Murtinho

Aldeia indígena, Nioaque. Em julho de 1976, um grupo de cinco padres assumia as paróquias de Jardim, Nioaque e Porto Murtinho e ficaram muito empolgados com a dureza daquela vida. Primeiramente, foi preciso reorganizar as paróquias, suas atividades e as dos núcleos das capelas. Foram restauradas ou construídas igrejas, casas paroquiais e centros sociais.

Simultaneamente, organizaram se obras sociais, até então inexistentes, em todas as paróquias, e os padres também lecionavam nas escolas estaduais de 1º e 2º graus.

Após cinco anos de intensas atividades, Jardim foi elevada a diocese (13 de maio de 1981) e já tinha sua própria catedral concluída. Esse foi o reconhecimento do trabalho realizado junto com o povo.

Amapá - A Missão na foz do Amazonas

O então Território Federal do Amapá foi o campo de trabalho confiado, 70 anos atrás, aos missionários recém-chegados da Itália. O território, prestes a ficar totalmente sem assistência por causa da saída dos últimos dois missionários da Congregação da Sagrada Família, foi assumido pelo PIME que para lá enviou 13 padres e um irmão leigo, sob a direção do Pe. Aristides Pirovano. Em 1 de fevereiro de 1949, surgia a prelazia de Macapá.

Paróquia do PIME no Amapá

Paróquia do PIME no Amapá

Os missionários dividiram entre si todo o território federal de Amapá e ocuparam todas as paróquias que tinham ficado sem padres e sem assistência por longos períodos. As ilhas da foz do rio Amazonas, a costa do oceano Atlântico até Oiapoque e o Interior passaram a ser visitados regularmente pelos padres através das desobrigas, isto é, assistência itinerante aos povoados.

Caboclos, índios e afro-brasileiros compunham o rebanho que devia ser pastoreado, superando os desafios de uma geografia impérvia, de uma cultura pluri étnica, do isolamento, da distância, da falta de infra-estrutura administrativa, sanitária, educacional e religiosa. Frente a todas essas dificuldades, os padres dedicaram-se à pastoral, conforme os tempos.

Em 14 de novembro de 1980, a Prelazia com seu novo bispo, dom José Maritano, foi elevada a diocese. A ele sucedeu dom Luis Soares Vieira, diocesano, com seu bispo dom João Risotti, do PIME. Atualmente, a diocese de Macapá, conta com várias forças em todos os campos.

Dentro da missionariedade, que é característica substancial da Igreja, o PIME qualifica-se pelo anúncio aos povos, em particular, para a missão além fronteiras. As graves conseqüências de ordem sociológica, como, por exemplo o fluxo migratório provindo de outros Estados da Federação, obrigam, cada vez mais, os missionários do PIME a incrementar nos leigos a missionariedade intra-eclesial, pressuposto para que desabroche a missionariedade além fronteiras.

Manaus - A metrópole na selva

Até os anos 40-50, a Amazônia era quase desconhecida no exterior e até mesmo no Brasil. Para muita gente era uma terra de cobras e de índios com arco e flecha. Até os padres do PIME, em 1948, chegaram à procura de índios… porém, iniciaram a “missão” na periferia de Manaus, à sombra da igreja de Nossa Senhora de Nazaré. A cidade tinha cerca de 250 mil habitantes, a maioria caboclos e mestiços, enquanto os índios… bem… esses estavam bem longe.

Logo, os padres animaram a comunidade com a catequese, a formação da Congregação Mariana, do Apostolado da Oração e de outras irmandades. Também pensando nas carências do povo da periferia, foi iniciado o trabalho social e a construção do ambulatório dr. Adriano Jorge que funcionou até 1990, quando o governo construiu um hospital nas proximidades. Vieram depois os jardins de infância, as escolas pré-primárias, o 1° grau e o magistério sob a direção das Irmãs Missionárias da Imaculada.

Missionários de Manaus e Parintíns em 1977

Os padres do PIME desdobraram-se, num esforço gigantesco, para acompanhar a ampliação da periferia e das novas comunidades que ali nasciam, formando e estruturando comunidades para entregá-las ao clero diocesano, aos religiosos, que vinham até do exterior para ajudar. Foram muitas as paróquias e as capelas: Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora das Mercês, São José, Sta. Helena e outras.

No campo social, formaram a Escola de Marcenaria e Carpintaria, agora entregue à diocese, e a Escola Agrícola Rainha dos Apóstolos. Também colaboraram, por doze anos, com o Seminário diocesano para formação do clero local. Hoje, o PIME desenvolve seu trabalho pastoral em várias paróquias da cidade e periferia.

Baixo Amazonas - Missão sobre os rios

Os missionários do PIME, em 1948, chegaram à região do baixo Amazonas, mais precisamente a Manicoré (rio Madeira) e Maués (rio Maués) e depois a Parintins. No dia 12 de julho de 1955, foi instituída a Prelazia de Parintins, cujo primeiro administrador apostólico e depois bispo, foi dom Arcângelo Cerqua, do PIME. Parintins tornou-se diocese em 16 de julho de 1981.

Barreirinha - ParintinsDesde o começo, os padres do PIME dedicaram-se às visitas itinerantes ao longo das dezenas de rios em cujas margens vivia a maioria do povo índio e caboclo. A chamada desobriga tinha a dupla finalidade de dar assistência espiritual e transformar as centenas de famílias espalhadas e abandonadas em comunidades e povoados cristãos. Caracterizou-se a ação missionária dos anos 50 até 70 pela fundação de comunidades rurais autossuficientes, com lideranças para catequese, liturgia e estrutura sócio religiosa. O clima muito quente, as doenças tropicais, a alimentação descuidada e a fadiga das viagens reduziram a duração da vida da maioria dos missionários.

Outra característica dos missionários do PIME foi o grande esforço para formar o clero local. O trabalho vocacional para preparar os jovens caboclos com vocação ao sacerdócio foi prioritário para os três bispos do PIME: dom Arcângelo, dom João Risatti e dom Gino Malvestio. Foi somente nos anos 80 que o povo começou a saber que os padres missionários italianos pertenciam ao PIME que iniciaria, então, sua animação vocacional.