Padre Fabrizio Calegari, italiano, é missionário do PIME no Bangladesh

Padre Fabrizio Calegari, italiano, é missionário do PIME no Bangladesh

Desde que chegou ao país asiático em 1996, padre Fabrizio trabalhou sempre na educação dos jovens.  Atualmente é responsável de dois hostels do PIME em Dinajpur: O “Novara Technical School” e o “Bem-aventurado Mazzucconi hostel”. Nesse breve testemunho, padre Fabrizio nos conta do seu trabalho educativo com os jovens em Bangladesh, onde a juventude é o desafio mais fascinante e complicado para a Igreja local.

Uma estatística recente fala que são 48 milhões os jovens entre 18 e 23 anos no Bangladesh.

Muitas vezes fiquei ouvindo essa frase retórica falada pelos padres e bispos: “os jovens são a esperança da Igreja”. Em minha opinião seria muito melhor se conseguíssemos mostrar que é a Igreja a esperança dos jovens!

Percebo que o trabalho com os jovens é muito: na cidade há centenas de rapazes e moças que não têm ninguém que cuide deles; muitas vezes tampouco a família propõe para eles uma educação que os ajude a encarar uma sociedade em continua transformação.

A identidade cristã fraca desses jovens, comparada à sociedade muçulmana do Bangladesh (islamismo é 84%, enquanto o cristianismo só o 0,4% da população) e a dispersão territorial que não favorece a agregação, alimenta, nesses jovens, uma fome de senso de pertença, de formação e de acompanhamento. Uma necessidade que deve ser absolutamente atendida!

Cansado de esperar que alguma coisa mudasse e na total ausência de propostas concretas para esses jovens, resolvi agir para tentar atender a necessidade deles!

Nada de incrível! Junto com um grupo de estudantes, padres e irmãs da cidade, bolamos algumas hipóteses de trabalho. Demos começo a encontros mensais para realizar propostas diferentes: torneios de futebol, show, gincanas, momentos de formação humana e espiritual. Ativamos também uma página no Facebook chamada “Ekshoge amra” (nós juntos) que em poucos dias teve mais de 270 contatos. Um sucesso que eu não esperava desse tamanho, sinal que a fome, que falei antes, era maior do que imaginava. Não sei até onde iremos, mas acredito que a coisa importante era começar, dar um sinal forte e  concreto a esses jovens, dizer para eles, mediante essas iniciativas: nós estamos aqui por vocês!

Tenho quase 50 anos, mas sinto um entusiasmo e força em viver tudo isso que até surpreende a mim mesmo!

Nem sei como explicar isso. Com certeza deve ser o anseio forte de levar esses jovens ao encontro com o Senhor. Talvez, o que alimenta esse meu entusiasmo, seja a força e a beleza dessa vocação à qual o Senhor me chamou!

Quando jovem, durante o meu discernimento vocacional, ouvi uma frase de Chiara Lubich que me chamou muito a atenção: “Se doar a Jesus sem reserva porque só assim alguém pode se tornar pai ou mãe dos povos”. Essa frase acendeu um fogo dentro de mim.

É lindo descobrir, depois de tantos anos, que esse fogo está ainda aceso.

Pe. Fabrizio

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