Fiéis e devotos celebram o Círio de Nazaré em Macapá

padre Joseph Kouadio, da Costa do Marfim e missionário do PIME em Macapá, relata a sua primeira experiência sobre o Círio de Nazaré.

Macapá – Neste ano de 2019, participei, pela primeira vez, e com muita alegria, das festividades da 85º edição do Círio de Nazaré em Macapá. Tudo começou com o lançamento do cartaz do Círio no mês de maio. A partir daquele momento toda a Comissão organizadora e os vários grupos se articularam para o sucesso da maior manifestação religiosa do Amapá que mobilizou toda a cidade. O tema deste ano é: “Salve Maria, Rainha da Amazônia Missionária”, e o Lema: “O Senhor fez por nós maravilhas, Santo é o seu nome” Lc 1,46-55). Dois eventos importantes influenciaram a escolha do tema: O Sínodo Pan-Amazônico convocado pelo Papa Francisco para refletir e descobrir novos caminhos para a evangelização na Amazônia e a ecologia integral. O segundo evento é o Mês Missionário Extraordinário para reavivar a consciência batismal do Povo d Deus em relação à missão da Igreja e despertar a consciência a Missio ad Gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral.

Depois das visitas da imagem peregrina às paróquias e instituições da cidade, das várias romarias, missas, concursos e eventos culturais, aconteceu neste domingo (13 de outubro) o ponto mais alto do Círio de Nazaré. A procissão em torno da imagem de Nossa Senhora de Nazaré contou com a participação de mais ou menos 200 mil pessoas, todas com um único objetivo: agradecer e celebrar a fé.

A programação religiosa iniciou às 7h, com a celebração de uma missa campal em frente ao Santuário Nossa Senhora de Fátima. Este ano, Dom Pedro José Conti, bispo diocesano de Macapá não participou das festividades por estar participando, em Roma, do Sínodo da Amazônia. Foi Dom Geremias Steinmetz, arcebispo metropolitano de Londrina (PR), que presidiu à missa e deu a Benção ao povo reunido na chegada. Logo depois, começou a peregrinação pelas ruas da cidade num trajeto de quase 4 quilômetros até a Igreja de São José, antiga catedral. Como é tradicional em Macapá, o calor de até 35 e sensação térmica de 42 graus acompanhou os promesseiros e romeiros por todo o caminho.

A tradicional “berlinda” – que carrega a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira da Amazônia – este ano foi ornamentada com plantas e frutos regionais, como açaí, pupunha, rambutan… A escolha ecológica tem a ver com a proposta ambiental do Círio deste ano. Também durante a caminhada, foram lidos e meditados textos de cunho missionário, conforme o tema sugere.

A corda dos promesseiros é um dos mais tradicionais símbolos do Círio. Este ano a peça teve 250 metros. Cada centímetro da corda foi disputado por centenas de fiéis que agradeciam aos pedidos realizados ou faziam promessas. Ao fim da romaria ela foi cortada e distribuída entre os devotos, como a tradição determina.

Estes momentos foram atos de fé, de gratidão e de solidariedade deste povo festeiro. Fiquei admirado de ver gente de outras religiões caminhando atrás da Virgem de Nazaré ou distribuindo água ou frutas aos romeiros. Marcante, sobretudo, foi o testemunho de um evangélico que viralizou nas redes sociais:

Sou evangélico, mas a demonstração de fé do povo católico é algo de outro mundo. Não tem como não se emocionar com a devoção desse povo. Uma palavra de fraternidade, fé e compaixão sempre deverá ser exaltada, independente de credo ou religião. Que o amor prevaleça em tempos de intolerância e um feliz círio de Nazaré para todos nós.”

A programação continua com o novenário do círio iniciado no dia 13 e que envolvera todas as paróquias, pastorais, grupos e moimentos da cidade de Macapá com reza do terço e celebrações eucarísticas todos os dias na Catedral até dia 20 de outubro.

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