Faleceu padre Nello Ruffaldi, o amigo dos índios

 vida missionária 

O PIME e A Arquidiocese de Belém em luto pela morte do padre Nello Ruffaldi, missionário na região amazônica por quase meio século, uma vida inteiramente dedicada aos marginalizados,

A noite entre os dias 5 e 6 de março deste ano, padre Nello Ruffaldi  foi  atingida por um ataque cardíaco e desde então foi internada no “Hospital Guadalupe” de Belém, na Unidade de Terapia Intensiva. No dia 28 de março, às 3 da manhã, hora local, padre Nello faleceu.

Nascido em Castell’Azzara, Itália, no dia 12 de fevereiro de 1942, Nello Ruffaldi ingressou no PIME vindo de um seminário diocesano. Foi ordenado sacerdote no dia 15 de julho de 1967. Em 1971, após servir ao instituto na Itália, desembarcou no Brasil, onde sempre atuou. O centro de sua ação missionária era Oiapoque, o município amapaense mais ao norte do Brasil, na fronteira com a Guiana Francesa. Seus amigos eram os defensores dos povos da floresta, os mártires pela causa indígena, como a irmã Dorothy Stang, por exemplo, e, especialmente os nativos Karipuna, Galibi kaliña, Palikur e Galibi-Marworno. Nello lutava pela causa deles. Chorava os seus dramas e alegrava-se com suas conquistas.

Relatou em uma entrevista à revista italiana Mondo e Missione:

“Para saciar a fome de dignidade era necessário partir deles, reacender o fogo da honradez que havia se tornado brasas cobertas pelas cinzas de uma longa história, de uma sociedade discriminativa, de uma Igreja que ainda não reconhecia a dignidade e a riqueza que eles possuíam. Comecei a visitá-los, a conhecê-los, a ouvi-los, a dormir em suas casas, a comer a comida que me ofereciam. Apontei as coisas belas que os antepassados deixaram como legado: a percepção da presença de Deus em todos os momentos da vida, a comunhão com os animais e as árvores, a capacidade de compartilhar o que tinham com os outros, a paciência e respeito pela educação das crianças, a vida comunitária, trabalho como reunião e celebração.”

Em 1972, a CNBB criou o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), do qual o padre Nello fez parte desde seu início e até à madrugada do dia 28 de março, quando o coração do veterano missionário parou de vez, pelo peso de quatro pontes de safena. Até o último instante, padre Nello seguiu com entusiasmo os trabalhos preparatórios do Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa, a se realizar em outubro em Roma.

padre Nello, poucos dias depois da cirurgia, escreveu uma carta para todos os amigos, em uma frase disse:

“Dizia dentro de mim. Morte, eu quero ver a tua cara e te dizer que não tenho medo de ti. Não sou eu que morro, é você. Não tenho raiva de ti. Tu é o maior dos males e tens que desaparecer: é a desgraça última, não tenho raiva porque fomos nós que te criamos, mas Jesus nos resgatou lavando o pecado com seu sangue.”

O velório foi na Igreja Santa Maria Goretti no bairro Guamá. No mesmo dia do falecimento do padre Nello, às 14 horas, foi celebrada uma missa presidida pelo Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo da Arquidiocese de Belém e no dia seguinte, teve o sepultamento precedido por uma missa.

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