Amigos e amigas que acompanham o nosso site da animação PIME e querem conhecer mais o nosso Instituto.
Fizemos uma entrevista a um jovem padre brasileiro do PIME missionário na Costa do Marfim, África: pe. Valmir dos Santos.
Leiam o que de lindo ele tem para nos dizer…


 

Oi pe. Valmir, em poucas palavras diga quem é você; de onde é natural e há quanto tempo está na Costa do Marfim?

Sou padre Valmir Manoel dos Santos, nascido aos 19 de julho de 1984, no município de Pedro II – Piauí, paróquia Nossa Senhora Conceição, diocese de Parnaíba. Venho de uma família tradicional e fervorosa na fé católica na qual fui iniciado desde pequeno recebendo a doutrina e os ensinamentos de Cristo de meus pais e da comunidade em que morei.

Tendo sentido o chamado de Deus quando criança, fiz a caminhada na comunidade, recebi os sacramentos e depois me engajei nos grupos de catequese, juventude, dirigentes, escolas bíblicas dentre outros.

Após ter feito a formação propedêutica e filosófica na minha diocese de origem (2002-2006), em 2007 entrei no PIME. Isso foi possível graças a Revista Mundo e Missão pois foi por meio dela que eu conheci o PIME lendo a história dos missionários etc..

Em 2012 fui ordenado sacerdote e em julho de 2013 cheguei em missão na Costa do Marfim, na África após o estudo da língua francesa.

Quando deixou o Brasil o que passou no seu coração? Quais os seus pensamentos?

Ao deixar o Brasil, primeiramente fiquei triste pois é sempre difícil se separar das pessoas que amamos, da família, dos amigos e mesmo da cultura. Mas ao mesmo tempo, foi um momento de alegria, pois é necessário sempre sair, ir ao encontro do outro para viver verdadeiramente a missão com humildade e desapego.

O que você faz na Costa do Marfim; qual o seu trabalho?

Eu trabalho em Kani, uma pequena cidade situada no norte da Costa do Marfim, onde residem muçulmanos, protestantes, pagãs e católicos. Os cristãos são somente 2% e ainda divididos entre católicos e protestantes. Os muçulmanos são representados pelo 90% da população e os outros 8% praticam as religiões tradicionais como o candomblé, o vudu etc… Graças a Deus atualmente conseguimos dialogar e vivemos em harmonia, mas no passado já teve alguns conflitos.

02O que eu faço aqui? Antes de mais nada eu estudo uma das línguas locais: o mooré que é a língua de uma tribo originária do Burkina-faso. Durante a semana celebro a missa em francês com um pequeno grupo de cristãos. Nos fins de semana vou celebrar nas comunidades do interior nas línguas locais. Durante as visitas aproveitamos pra formar os nossos fies, pois muitos praticavam as religiões tradicionais e é difícil abandonar tudo isso pra seguir Jesus. Depois tem as coisas praticas: cozinhar, lavar, plantar feijão, criar porco, galinha etc… e como brasileiro não posso deixar de jogar bola.

Uma das prioridades da missão aqui é a formação dos catequistas pois não podemos aprender todas as línguas, que são muitas. Então são eles que nos ajudam fazendo a tradução e são encarregados de formar os outros cristãos nas comunidades.

O que para você significa ser missionário no (nome do país onde você está)?

Ser missionário aqui na Costa do Marfim significa partilhar a fé, partilhar o dom de conhecer Jesus e ser amado por ele. Eu tive a oportunidade de receber esse dom e quero partilhá-lo com quem ainda não conhece Jesus.

Para realizar essa missão temos que sair de nós mesmos e ir ao encontro do irmão.

Neste sentido podemos dizer que “a missão é um encontro que não tem fim”, pois o missionário vai viver como cristão lá onde o Senhor o envia.

Fale pra gente quais as maiores dificuldades que você encontrou chegando à sua missão e também quais as alegrias que já viveu?

03Dificuldades: pra entrar em uma nova cultura é preciso abandonar as “verdades pessoais”, se tornar criança e aprender tudo de novo: aprender a comer, a falar, a escutar etc…

Tudo isso é possível mais é difícil de realizar.

Alegrias: Ver a alegria no rosto de quem conhece Jesus Cristo aos 40, 50, 70 anos e aprende a fazer o sinal da cruz , a rezar o Pai Nosso pela primeira vez. Para eles é uma conquista e pra mim também, pois isso me faz descobrir o sentido da minha missão aqui: caminhar junto com eles para ajudá-los a encontrar Jesus Cristo.

Pode contar algumas anedotas ou fatos interessantes que te aconteceram na sua missão?

Quando cheguei na Costa do Marfim descobri que muitas coisas que fazia no Brasil não posso fazer aqui pois tem um outro significado. Por exemplo, pra mim sempre foi normal doar algo a alguém com a mão esquerda e assim fiz aqui quando cheguei.

Ofereci um copo de água com a mão esquerda. A pessoa não aceitou e foi assim que me explicaram que é falta de respeito doar algo com a mão esquerda. Agora penso duas vezes antes de oferecer alguma coisa pra não errar a mão.

Outro fato interessante aconteceu na primeira vez que eu participei a um funeral muçulmano. Na cultura africana o morto tem muita influência sobre os vivos e quase tudo que acontece de ruim e de bom é atribuído aos antepassados; por isso precisa oferecer sacrifício para agradar os antepassados. Pois bem, no final da cerimônia eu vejo todo mundo correr e eu não entendo o porque. Somente depois eu perguntei aos fiés e eles me explicaram que, segundo a mentalidade muçulmana, o ultimo que deixa o cemitério é o proximo que vai morrer. Por isso às vezes tem até acidente de moto, pois cada um que sair mais rápido que o outro. “E como eu nao sabia disso fui o ultimo a sair do cemitério”.

O que os jovens brasileiros deveriam saber da Costa do Marfim?

A Costa do Marfim é um país cheio de contradições como o Brasil.

A primeira delas é que poucos são ricos e muitos não tem nada.

A segunda é que apesar de ser um país com muitas religiões o povo tem sede de Deus, pois a maioria dessas manifestações religiosas apresenta um deus castigador ao qual precisa sempre oferecer sacrifícios pra agradá-lo.

Mas ao mesmo tempo o povo marfinense é um povo alegre, estão sempre festejando e é um povo muito acolhedor e ama o futebol: temos muitas coisas em comum.

Infelizmente o país viveu 10 anos de guerra e isso atrasou muito o desenvolvimento do país, mas aos poucos está se tentando reconstruir tudo.

Para finalizar, uma sua mensagem aos nossos amigos e amigas que acessam ao site da animação missionária PIME Brasil.

“Com coragem e alegria devemos propor com respeito o encontro pessoal com Cristo” (mensagem do papa Francisco para a Jornada Mundial das Missões 2013).

Caros amigos e amigas, a nossa Igreja Brasileira recebeu muito e continua a receber missionários que deixam tudo para partilhar conosco a fé em Jesus Cristo.

A partir do exemplo deles devemos nós também ser missionários, ou seja, partilhar a nossa fé na nossa paróquia, mas também no mundo inteiro.

As características primeiras desse estilo são que a missão não depende de recursos econômicos ou de uma pretensa superioridade cultural.

Missão é partilha, dar e receber, aprender e ensinar e é, sobretudo, marcada pela pobreza. Como dizem os nossos bispos “somos igrejas pobres, mas devemos dar a partir da nossa pobreza”; Puebla, 368; Aparecida, 379).

Então, coragem, sejam missionários partilhem o dom maravilhoso que vocês receberam: o dom de crer neste Deus que vos ama infinitamente.


[quote_box_center] Para entrar em contato com o Pe. Valmir envie uma mensagem a [email protected][/quote_box_center]

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