Bem-aventurado Clemente Vismara

A juventude e vocação de padre Clemente

Padre Clemente nasceu em Agrate Brianza – perto de Milão, na Itália – no dia 6 de setembro de 1897. Com sete anos ficou órfão de pai e mãe. Em 1913, o jovem Clemente entrou no Seminário Arquidiocesano de Milão e, em 1916, teve que interromper os estudos para prestar o serviço militar na 1ª Guerra Mundial, sendo promovido ao grau de subtenente.

casa natal do bem-aventurado Clemente Vismara em Agrate Brianza, Itália

Foi durante essa guerra que surgiu nele o ideal da vocação missionária. Clemente entendeu que somente a Deus valia a pena doar totalmente a vida. Foi assim que, em 1919, estando novamente no Seminário de Milão, chegou a fez a opção radical de ser missionário além fronteiras. Em vista disso, entrou no Seminário Missionário do PIME, em Milão e, em 1923, foi ordenado sacerdote.

O seu entusiasmo e a sua vontade de doar-se a Deus e às missões era tão grande que, logo em seguida, partiu para a Birmânia e iniciou sua atividade missionária numa região paupérrima situada entre a China, o Laos e a Tailândia. Naquela região não havia ainda nenhum cristão. Brincando sobre essa situação, o padre Clemente escreveu: “Numa distancia de 100 km, se quisesse ver um outro cristão deveria me olhar no espelho!”.

“O começo, testemunha o padre Clemente a um seu amigo, tudo foi muito difícil! Sempre que chegava numa aldeia, as pessoas fugiam e se escondiam nas choupanas. Era a primeira vez que um homem branco aparecia para visitá-los. Contudo, apesar disso, posso lhe afirmar que, raramente, senti tristeza ou abatimento”.

As virtudes de padre Clemente

Desde o começo do seu apostolado, o pe. Clemente visitava todas as aldeias daquela enorme região. Até aonde podia ia a cavalo e depois chegava a pé, pois era uma área muito montanhosa.

Entre as suas virtudes destacamos: o seu espírito de fé, amor às crianças e aos pobres, espírito de sacrifício, serenidade diante das dificuldades, otimismo, humildade, paciência, bom senso e equilíbrio, desapego aos bens materiais e confiança absoluta na Providencia Divina.

No seu modo de agir e falar, mesmo diante das situações mais dramáticas, transmitia sempre, e a todos, o amor à vida e a alegria de viver. Por isso, o povo gostava de dizer: “Clemente é o padre que está sempre sorrindo e brincando”.

Padre Clemente morreu no dia 15 de junho de 1988 a Mong Ping, com 91 anos, rodeado pelo povo que o amava e que o reconhecia como um pai. Ele foi sepultado ao lado da gruta de Nossa Senhora de Lurdes, que ele mesmo tinha construída. Após a sua morte, logo se difundiu a fama de sua santidade e foi chamado carinhosamente de «Patriarca da Birmânia». De suas exéquias participaram também muitos budistas e muçulmanos.

Caminho rumo à beatificação

Um mês depois da morte do padre Clemente, o grupo missionário da sua paróquia de origem, escreveu ao Superior Geral do PIME, pedindo que se iniciasse a Causa da sua beatificação. Isso acontecerá somente em 1996, pelo Cardeal Carlo Martini, cardeal de Milão

No dia 15 de março de 2008, o Papa Bento XVI reconhecia o padre Clemente como “Servo de Deus”, devido o seu modo heróico em praticar as virtudes evangélicas.

Após mais dois anos, a Comissão Médica aprovou o milagre atribuído à intercessão do Servo de Deus Clemente Vismara e, no dia 2 de abril de 2011, o Papa Bento XVI assinou o decreto que reconhecia o milagre, declarando assim o padre Clemente Bem-Aventurado.

A celebração da beatificação foi realizada no dia 26 de junho de 2011 na Catedral de Milão.

Devoção ao Bem-Aventurado Clemente

O Bem-Aventurado Clemente já é invocado como o “Protetor das crianças”,devido ao  amor que o missionário tinha pelas crianças, sobretudo os órfãos e pobres. Inúmeras graças foram recebidas, pela intercessão do padre Clemente, também por casais sem filhos e em vias de separação.

Ao padre Clemente, já no final de sua vida, alguém pediu que deixasse uma mensagem para os jovens. Eis a sua mensagem:

“Queridos jovens, baseado na minha longa experiência, digo a vocês que, para ser missionário, é necessário doar a vida com generosidade, simplicidade, entusiasmo e amor. Não guardem nada para si. Sejam livres para amar a Deus e ao próximo por toda a vida. Se o missionário não é capaz de tamanha doação, não vale nada. Acreditem: Só Deus basta!

Que o Bem-Aventurado Clemente suscite muitas vocações missionárias à Igreja!

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