P.I.M.E. - Missio
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2. SUJEITOS DA MISSÃO 2.1 - Identidade e Gênero
A missão com rosto feminino Os sujeitos da missão além-fronteiras têm um rosto bem preciso. 80,21% são forças femininas, 1248 missionárias, de um total de 1556 pessoas. O contingente masculino é somente 19,79% ou 308 missionários. O que já se pensava há anos foi confirmado com esta pesquisa: rosto da missão além-fronteiras é predominantemente feminino, formado particularmente por religiosas de congregação. São as congregações religiosas femininas que, com ousadia, carregam a missão universal da Igreja do Brasil. Dos homens, quase a totalidade é proveniente de congregações religiosas masculinas. Homens e mulheres, ligados às Congregações, catalisam os 98,5% das forças missionárias. Isto significa que a maioria, mulheres e religiosas, representa a força viva da missão? Há um estilo próprio de fazer acontecer o processo? O que significa o rosto feminino da missão? São perguntas que devem ser feitas, até no mesmo momento de preparação das missionárias.
A missão além-fronteiras sem leigos Onde estão os leigos na missão além-fronteiras? Por que são tão poucos e quase insignificantes? Nos dados tabulados são 0,5%. De acordo com a estatística, um percentual desta grandeza é destituído de valor. No momento de montar as tabelas, até graficamente desaparecem. É simplesmente uma constatação. O Concílio Vaticano II colocou no âmago da Igreja a questão missionária. Em si a missão foi tirada das mãos de alguns especialistas para se tornar propriedade de todo o povo de Deus. Passou do "ministério do exterior" para a "presidência". Todo cristão, enquanto batizado, é missionário e toda Igreja, conseqüentemente, é missionária. Tudo isso, genericamente, foi assimilado. Concretamente, porém, as coisas não se encaixam. Há ainda uma "minoria" que, por tantos motivos, continua retendo o processo, talvez não sejam mais especificamente as Congregações Missionárias, mas, como no caso do Brasil, são as Congregações Religiosas. O apelo para que os leigos se tornem também protagonistas da missão além-fronteira foi lançado pela CNBB nas suas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (n.247), mas... ainda não foi assimilado e concretizado. No entanto, os leigos compõem, em sua maioria, as instâncias de animação missionária do Brasil nos vários COMIREs, COMIDIs e COMIPAs e também nas organizações da Infância Missionária. Na prática, eles não têm ainda nem vez e nem voz na missão além-fronteira. Existem vocações missionárias leigas para a dimensão universal. O que falta são novas formas, novas organizações e novas estruturas, ou, talvez, algumas figuras carismáticas que acreditem e levem adiante o processo. Grupos de missionários leigos têm sua existência e crescimento confirmados e, além do mais, são os leigos que carregam a dimensão missionária em todas as instâncias. As dificuldades começam a surgir a partir do momento em que alguém expressa a vontade de ir além-fronteira. Não há organizações que ajudem a discernir e a preparar estas forças. A problemática econômica tem seu peso. Quem paga a passagem? Como fica a ajuda de custo? Quem paga o seguro saúde? Quem acolhe estes missionários? E se ficarem doentes, quem se responsabiliza na volta para o Brasil? Todas estas razões são sempre colocadas como dificuldades lógicas e reais para os leigos que se sentem chamados a irem além-fronteira. Os dados demonstram sem equívocos que, para além das razões, os leigos não existem como missionários abertos à universalidade. O discurso da Igreja é bonito, na prática é vencido pelas dificuldades. Talvez seja na linha da "parceria" que deva ser encaminhado o envio de leigos além-fronteira. Parceria com as Congregações Religiosas, pois são estas que mais enviam forças missionárias. Poderia ser uma parceria na forma de associações mistas, mesmo que difíceis de serem aceitas juridicamente, ou de associações ligadas ao carisma das Congregações. Talvez aqui pode ser começado um processo que viabilize o caminho dos leigos para a missão além-fronteira. O clero diocesano procurando caminhos para a missão Do clero diocesano, 1% está na missão além-fronteira. São poucos, na verdade. Quase insignificantes do ponto de vista estatístico. Há padres nos projetos das Igrejas Irmãs do Brasil, mas quase ausentes nos projetos para além do Brasil. Os assim chamados "fidei-donum", cujo crescimento e presença são notáveis em países europeus, são quase inexistentes no Brasil. Há somente um bispo brasileiro nas missões como titular de uma diocese na África. Parece que a mentalidade universal não deslanchou. Os leigos se queixam que o clero não avança na animação missionária. Às vezes, até, atrapalham. Quando se fala de um maior envolvimento do clero, fala-se sempre que é preciso começar dos seminários, na formação dos padres. Faltam professores e disciplinas missiológicas nos seminários. Falta também uma sensibilidade maior dos bispos que não incentivam. A verdade é que são apenas 11 padres diocesanos na missão além-fronteiras. O texto das Diretrizes gerais da CNBB (199-2002), ao falar da animação missionária, comenta que "a segunda área diz respeito ao próprio perfil dos missionários. É necessário um intenso trabalho nos presbitérios e nos seminários para ajudar os presbíteros diocesanos a descobrirem a Missão além-fronteiras..." (n.248) 2.2 - FAIXA ETÁRIA
%
A faixa etária das missionárias e missionários além-fronteiras está homogeneamente distribuída entre os 30 e 60 anos. De 30 a 39 são 22,29%; de 40 a 49 são 25,53% e de 50 a 59 são 24,14%. Um grupo consistente está, também, entre os 60 e 69 anos, 18,78%. Acima dos 70 anos e abaixo dos 30, são respectivamente de 4,83% e 3,84%. Estes dados suscitam duas questões: a primeira diz respeito à ligação entre a idade e a renovada teologia da missão e a segunda aponta para uma população relativamente jovem de missionários que se deslocam além-fronteira. Idade e renovada teologia da missão O divisor de águas para o surgimento de uma renovada teologia da missão foi o Concílio Vaticano II (1962-1965). A começar dos documentos do Concílio se iniciou um processo de re-atualização de algumas bases da teologia missionária. Anteriormente centrada na "conversão dos pagãos" e, mais tarde, na "plantatio ecclesiae", após o Concílio emergiu a dimensão trinitária como fundamento da teologia missionária, a centralidade do Reino como horizonte da missão e a visão da Igreja como sendo servidora da missão. Termos novos surgiram e, também, crises de identidade dos missionários. Muitos se perguntaram se ainda era válido o compromisso missionário. Foi pedida a "moratória" de todos os missionários. O processo de reformulação e de re-atualização deixou muitas vítimas nas forças missionárias. Surgiu desencanto e perplexidade. A idade dos brasileiros que estão na missão sugere o que muitos deles passaram através deste período. No ano 2002 recorre o aniversário dos 40 anos do começo do Concílio. Muitos dos missionários brasileiros são contemporâneos a toda esta reformulação. Até que pontos foram atingidos? Como se deu o processo de reformulação? Como foi dito anteriormente, quando se discutiu a realidade da atividade
missionária, uma grande maioria está centrada num trabalho
bastante tradicional de missão, focalizada na pastoral geral e
no serviço à Congregação. A grande maioria,
nas diferentes idades, continua centrada no modelo da "plantatio
ecclesiae" ou na "conservatio ecclesiae". Talvez uma minoria,
pouco significante, está se orientando para os novos caminhos.
Aqui vale a pena considerar a consistência da continuidade do processo
de reflexão uma vez que se deixa o Brasil, ou ainda, até
que ponto as novas reflexões missiológicas atingem o campo
direto da missão. A nosso ver, continua subsistindo uma defasagem
entre a reflexão missiológica e a prática efetiva
dos missionários. Isto é refletido também nas práticas
de animação missionária que se abastecem de um modelo
tradicional e não acompanha os novos desafios. Idade e forças missionárias A tomada de consciência sobre a faixa etária dos missionários e sobre a idade efetiva das forças além-fronteiras levanta perguntas sobre "quem serão" os missionários dos próximos anos. Aqui é levada em consideração, principalmente, a questão da idade. Geralmente quem deixa o Brasil para os territórios de missão é uma população relativamente jovem. A problemática da aprendizagem das línguas e as mudanças em todos os sentidos exigem que o passo seja dado por pessoas relativamente jovens. Como foi visto, nos últimos 5 anos quase 600 missionários se deslocaram além-fronteiras. Se o processo de saída está envolvendo sempre mais pessoas, prevê-se que a idade tenderá a se situar nas faixas intermediárias, com acentuação dos 30-50 anos. Tudo isso, porém, deve ser averiguado através de ulteriores pesquisas. 2.3 - Formação acadêmica
Formação acadêmica (homens)
Formação acadêmica (mulheres)
Quando se considera a variável "gênero", temos respectivamente 88% homens e 47, 52% mulheres com o curso superior. O gênero masculino tem o dobro de missionários que têm curso superior. Considerando a variável "continente", temos algumas variações interessantes, se não significativas. Na América do Norte 69,39% têm curso superior, portanto, acima da média. Na Europa, inversamente, há mais pessoas com o ensino médio que aquelas de nível superior (46,96% versus 40,20%). Na Ásia, a porcentagem com ensino superior é extremamente alta, 76,83%. Estas variações sugerem pistas de explicação pertinentes. A América do Norte acolhe missionários em sua maioria sacerdotes trabalhando com os migrantes; a Europa tem um ingente de religiosas e religiosos que estão a serviço das casas das Congregações, como auxiliares de serviços da cozinha e de casa, ou auxiliando as irmãs mais idosas no campo da saúde. A Ásia sugere que um nível de qualificação muito alto, seja por causa das línguas que, às vezes, exigem muitos anos de estudo,seja pelo contato com as grandes culturas e religiões que exigem uma preparação muito mais qualificada e aprimorada. A missão e a formação acadêmica Pensamos que seja importante aprofundar mais a ligação que existe entre a missão além-fronteira e a formação acadêmica. Não temos dados comparativos de como está a situação das religiosas e dos religiosos no Brasil. Sabe-se que nos últimos anos há um incentivo sempre maior para estudos mais qualificados e uma formação intelectual mais aprimorada. A saída além-fronteira exige, necessariamente, um maior preparo e uma melhor base de formação humana e acadêmica. O encontro com outras culturas, o deslocamento e a adaptação a outro contexto, a aprendizagem de novas línguas, a construção de uma outra visão de mundo e o preparo teológico das finalidades e métodos da missão são, pelo menos, muito exigentes. Temos a impressão que ainda não são suficientes os cursos básicos de preparação imediata para a missão, sobretudo pelo tempo muito reduzido. Para quem tem a graduação em teologia, há a necessidade de mergulhar mais em questões antropológicas e culturais. Para quem têm estudos no campo do serviço social, ou no da psicologia, necessita um aprimoramento maior de um ponto de vista teológico ou antropológico. Para todos, são fundamentais conhecimentos de medicina e enfermagem, de noções sobre personalidade e vida comunitária e, sobretudo, de dinâmicas interculturais e transculturais. Há grupos de missionários de vários países que atuam juntos. Necessitam conhecer mais detalhadamente dados básicos sobre a antropologia cultural. Hoje se fala também de teologias em diálogo ou de teologia inter-cultural. São questões que, a médio prazo, devem ser enfrentadas na preparação dos missionários 2.4 - Estados e dioceses de origem
O Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro que envia mais missionários, 377 pessoas ou 24,23%. Um quarto das missionárias e missionários brasileiros provêm deste Estado. Seguem, depois, Minas Gerais com 13,30% (207), São Paulo com 12,53% (195), Santa Catarina com 12,34% (192), Paraná com 10,99% (171), Espírito Santo com 3,53% (55). Todos estes Estados, localizados no Sul e no Leste do Brasil, perfazem a percentual de 76,92% de todos os missionários além-fronteiras. Os outros Estados do Centro, Norte e Nordeste, excetuados 2,44% em branco, têm 20,74%, destacando-se a Bahia com 2,96% (46), o Ceará com 2,19% (34), o Maranhão com 1,86% (29). O Estado de Rio de Janeiro, curiosamente, distancia-se dos Estados do Sul com 1,86% (29) dos missionários brasileiros além-fronteiras. As dioceses que concentram o maior número de missionárias e missionários brasileiros além-fronteiras são também as do Sul do Brasil. Entre as primeiras 21 dioceses, 7 são do Rio Grande do Sul, 6 são de Santa Catarina, 4 de Minas Gerais, 2 do Paraná, 1 de São Paulo e 1 do Espírito Santo. As primeiras cinco dioceses destacam a hegemonia do Rio Grande do Sul: Caxias do Sul (93), Santa Cruz do Sul (65), Passo Fundo (55), Rio do Sul-SC (38) e Erexim (34). O sul do Brasil e a questão missionária Quais os fatores que permitem explicar o grande número de missionários provenientes do Sul do Brasil? Uma série de fatores torna esta área extremamente favorável para a origem dos missionários além-fronteiras. No Rio Grande do Sul e outros Estados encontram-se o maior número de religiosas e religiosos. Aqui concentraram-se as Congregações que vieram de outros países e encontraram um terreno favorável para a sua expansão. Algumas Congregações, tipicamente brasileiras, nasceram e se desenvolveram nestas áreas. Os recursos humanos e econômicos possibilitam, ainda hoje, um maior empenho para este empreendimento. A mentalidade dos migrantes europeus, antes, e, depois, de outros Estados do Brasil, carregam dentro de si o sentido da mudança e do deslocamento. É preciso também entender o estilo inovador e criativo de fazer acontecer a animação missionária. Há projetos, como no Rio Grande do Sul, em que todas as dioceses assumiram um trabalho missionário no Moçambique, preparando, sustentando e enviando os próprios missionários. Campanhas como "cem mil bíblias para o Moçambique" podia acontecer sobre uma base já aberta à universalidade. Também os Estados de Santa Catarina e Paraná mantém projetos pioneiros nas áreas africanas, enviando os próprios missionários. São Paulo, mesmo tendo uma abertura de intercâmbio com a Amazônia, ainda não desenvolveu um próprio projeto além-fronteiras. O nordeste e o norte, desvendando caminhos Dos missionários além-fronteiras, 20,74% são originários do Centro, Norte e Nordeste 20,74%. Representam áreas em situação de emergência pelos precários recursos e pela pobreza, às vezes extrema. A vivacidade dos agentes de pastoral permitiu dar um passo qualitativo na questão missionária. É o sentido de "dar da própria pobreza" ou a consciência de que "uma igreja amadurece quando se abre à missão" que permite explicar este "salto qualitativo". A Bahia, o Ceará, O Maranhão... o Piauí e outros abrem-se gradualmente para a missão além-fronteiras. Cursos específicos estão sendo oferecidos em Teresina-PI para os missionários do Piauí e Maranhão. Alguns destes missionários estão, há alguns anos, participando do projeto com o Moçambique, sob incentivo dos missionários combonianos. Em Belém -PA, o IPAR (Instituto de Pastoral Regional) prepara missionários e tem cursos de primeira qualidade. São, porém, as Congregações religiosas que estão mais envolvidas neste processo de abertura universal. Há grupos que já elaboraram e estão elaborando projetos missionários além-fronteiras, em nível provincial. 2.5 - ENTIDADE DE PERTENÇA Das missionárias e missionários brasileiros além-fronteiras, 98,5% pertencem a Congregações Religiosas, 1% é padre diocesano e 0,5% é leigo. Entre as 20 primeiras entidades que enviam missionárias e missionários, 16 são femininas e 4 masculinas. Entre as primeiras 10 entidades femininas, 5 são de fundação brasileira. De cada três Congregações de origem brasileira, uma tem missionárias além-fronteiras, como ilustra a tabela abaixo. Tabela 1
(*) Congregações masculinas (+) Congregações surgidas no Brasil As Congregações masculinas com mais de 10 missionários no além-fronteiras são as seguintes: Tabela 2
A consciência missionária das congregações brasileiras Um elemento que emerge destes últimos dados é a consciência missionária sempre maior das Congregações e, especialmente, das Congregações religiosas surgidas no Brasil. Tudo isto deve envolver uma reflexão mais detalhada e profunda. O afinamento da sensibilidade missionária não surge por acaso. È fruto de um caminho de radicalidade evangélica que inclui uma forte paixão pelo cristo missionário e uma dedicação completa ao reino de Deus. O fato de que várias Congregações religiosas, surgidas no Brasil, tenham em seu bojo uma grande sensibilidade missionária e universal, faz pensar no desejo profundo de partilhar e de oferecer uma experiência original. Mais uma vez, é preciso dizê-lo, a missão que vem da periferia do mundo carrega dentro de si o despojamento, a pobreza e a humildade. É uma missão de "pobre para pobre". Aprofunda caminhos e métodos que não estão na tradicional missão ocidental, muitas vezes associada ao processo de expansão colonial e carregando dentro de si uma certa arrogância. Este dado deve ser maior aprofundado. O rosto da missão que as Congregações religiosas femininas estão revelando abastece-se de uma proximidade muito grande com o povo pobre e excluído, com as resistentes culturas populares e com a presença inculturada. Mesmo que, como foi visualizado anteriormente, não se percebe nos dados um trajeto peculiar, parece-se ligado à plantatio ecclesiae ou à conservatio ecclesiae, há um potencial que deve ser descoberto. A dificuldade de obter experiências e testemunho significativos, depende muito mais do esquecimento e do abandono em que se encontram muitos missionários além-fronteiras. Há um caminho que deve ser resgatado no sentido de tornar mais significativas todas as peculiaridades destas pessoas. É preciso tirar da clandestinidade a missão e os missionários além-fronteiras.
A questão da preparação missionária Com tantas presenças e vidas de missionárias e missionários doadas aos diferentes povos, levanta-se a questão do aprimoramento maior e melhor de todas estas forças. Quando algo começa, não se têm muitas preocupações em estruturar demais. Quando, porém, há um processo de sedimentação, e o caminho da missão além-fronteiras tornou-se maduro, torna-se necessário, a partir das experiências vividas, traçar um melhor caminho de preparação e de aprofundamento. Como nos dizia um missionário há muitos anos na África: "O que necessito é que me ajudem a ler e a sistematizar o que amontoei num saco sobre as costas. Vi tantas coisas, vivenciei tantas experiências... agora preciso colocar uma ordem em tudo isso". 2.6 - Dioceses de envio
Foram escolhidos os lugares de envio dos missionários além-fronteiras. Estes lugares nem sempre correspondem aos lugares de origem pelo fato de que os envios acontecem geralmente na sede central de cada entidade. O envolvimento das irmãs da Congregação e do governo geral e provincial torna mais oportuno um lugar mais central. Quem sabe, vale a pena repensar também todos estes envios na perspectiva da animação missionária interna do Brasil. Não há maior incentivo de animação se não a partir da saída e da radicalidade de quem parte. É preciso retomar de novo o sentido do "envio" como elemento fundamental de uma espiritualidade e de uma animação missionária consistente.
CONCLUSÃO Nesta primeira abordagem sobre a realidade das missionárias e
missionários brasileiros além-fronteiras, alguns temas emergem
para serem aprofundados. Após o impacto dos dados e de algumas
considerações básicas, surgem alguns questionamentos
e, evidentemente, a exigência de alguns encaminhamentos. O grande conjunto das missionárias e missionários além-fronteiras levanta questões a respeito do processo de escolha, de formação, de acompanhamento e do retorno de todos estes missionários. Tudo é ainda muito precário em todos estes processos. Como dizia uma missionária na Ásia: "Quem está no além-fronteiras está quase que completamente esquecido". Há necessidade de retomar com mais afinco todas estas questões pelas várias entidades, pela CNBB, pelo COMINA e pela CRB. A questão da "animação missionária" da Igreja no Brasil necessita um revigoramento de perspectivas e de experiências que pode vir somente do caminho dos missionários além-fronteiras. Os impasses internos, de objetivos e métodos, requerem um maior envolvimento dos missionários fora, através da troca de experiências, de testemunhos mais contundentes e de re-focalização da universalidade da missão. Nos perguntamos, também, sobre o tipo de imagem do Brasil que as missionárias e os missionários além-fronteiras estejam passando aos outros povos e aos outros países. Que tipo de contribuição, para além dos comuns estereótipos do "carnaval e do futebol" ou de "desigualdade e miséria", todas estas forças estão veiculando no sentido positivo de um país aberto, de coração grande, de uma nação que partilha? Endereço do autor: |
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