P.I.M.E. - Missio

A espiritualidade e os caminhos da missão
Perspectivas de trabalho

A missão, hoje, é desafiada por algumas dinâmicas que re-orientam os eixos da espiritualidade.
Mesmo reconhecendo algumas constantes fixas da espiritualidade missionária, como a radicalidade, a paixão pelo Cristo e pelo Reino, o martírio, a saída e o envio, a santidade.... há características que hoje são particularmente marcantes.

Na ótica destes novos desafios vale a pena reconstruir um esquema de análise. Em todas as reflexões há, pelo menos, três vertentes a partir dos quais a missão deve se situar e encontra uma resposta (Cf. Robert J. Schreiter (ed.), Mission in the Third Millennium. New York: Orbis Books, 2001). Fala-se da questão cultural, da questão religiosa e da questão da globalização excludente. É ao redor destes três desafios que a missão articula algumas respostas: a inculturação, o diálogo inter-religioso e o serviço libertador. O anúncio missionário vai sendo articulado com estas três respostas.

O esquema pode ser visualizado desta maneira:

1.º)

2.º)

3.º)

A partir deste esquema que iremos aprofundar e esclarecer, surge uma dinâmica nova na questão da espiritualidade.

No primeiro caso, da inculturação, vão sendo assumidas novas dinâmicas e novas palavras-chave: a missionária e o missionário se tornam "hóspedes, caminheiro, companheiro de caminho, irmão, aquele que busca, itinerante, aquele que oferece e recebe, etc.

No segundo caso, do diálogo inter-religioso, a missionária e o missionário são aqueles que aprendem e ensinam, dialogam, escutam e falam, são mestres que aprendem do outro, etc.

No terceiro caso, do serviço libertador, a missionária e o missionário são profetas que anunciam e denunciam, são pobres que se solidarizam com os pobres, que atuam dentro do princípio misericórdia, pessoas de esperança, etc.

Há dois livros que poderão orientar o estudo da espiritualidade: o primeiro é de Franco Masserdoti, Meditações de espiritualidade missionária. São Paulo: Recado, 1987 e de Giorgio Paleari, Espiritualidade e Missão, São Paulo: Paulinas, 2001. O segundo livro, particularmente, dentro deste esquema básico, ajudará a formular algumas imagens e metáforas que contribuirão no reforço de uma nova dinâmica da espiritualidade missionária, dentro de alguns horizontes novos da missão.

Um dos grandes problemas que estamos enfrentando hoje é que, muitas vezes, nosso imaginário da missão continua atrelado ao passado num sentido que não esteja mais respondendo aos novos desafios. Mesmo admitindo que haja constantes na construção da teologia e da espiritualidade missionária, há também aspectos diferentes que devam ser considerados.

A missão sempre se dá num contexto, encontra novas perguntas e é chamada a uma resposta efetiva. O problema da defasagem obscurece o caminho da missão e não permite sermos presentes no mundo de hoje. Isto é evidente, por exemplo, na animação missionária. Há um "impasse". Todos falam de animação missionária, mas repetimos coisas de 50 ou mais anos atrás e não nos damos conta das novas perguntas e dos novos desafios da missão.

Nosso caminho, no curso do PIME Missio, continuará, portanto a querer decifrar estes novos contextos e a articular algumas resposta significativas que ajudarão a reforçar uma espiritualidade atualizada.

Mesmo que sejam analisados os contextos e as respostas missiológicas, não podemos perder de vista o horizonte do nosso corte de reflexão que é a espiritualidade.... porque é sob esta ótica que analisamos os fatos.

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