P.I.M.E. - Missio
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MISSÃO E INCULTURAÇÃO Introdução Há toda uma grande discussão a respeito da evangelização da América Latina. Em 1992 celebrou-se o quinto centenário da Evangelização da América Latina e, no ano 2000, os 500 anos de evangelização no Brasil. (Cf. HANS, Helm. CONTEXTO E TEXTO: O condicionamento contextual da missão, analisado pela comparação dos catecismos de José de Acosta e Mateus Ricci. Doutorado, N.Sra. da Assunção, 1999, mímeo). a) Primeira chave de leitura: Que leitura fazer dos 500 anos? Antes de tudo, ninguém quer julgar a consciência de tantos missionários que vieram para este continente. Foram pessoas que se sacrificaram e deram a própria vida pela causa do Evangelho. Não vale, também, somente falar de uma consciência possível porque houve missionários que atuaram de maneira profética. Em segundo lugar, é importante lembrar que, falando da evangelização
do Brasil, um destaque especial deve ser atribuído aos leigos que
sempre ficaram num...terceiro e quarto lugar. A partir dos beatos e ermitães,
peregrinos e benzedeiras, confrarias, etc. o catolicismo adquiriu traços
que marcam ainda hoje a religiosidade brasileira. O Papa, falando ao CELAM e, evidentemente, a toda a Igreja da América Latina, acenou à "sombras" e "luzes" que caracterizaram a epopéia missionária na América Latina. "A Igreja, no que a ela se refere, quer aproximar-se e celebrar este centenário com a humildade da verdade, sem triunfalismos ou falsos pudores". Quer olhar a verdade para dar graças a Deus pelos acertos
e tirar dos erros cometidos razão
para se lançar renovada rumo ao futuro. O Papa vê, portanto, sombras e luzes. Sombras, por causa da ligação entre o processo colonial e a evangelização. Luzes, pelo fato de que a fé cristã chegou até a América Latina. b) segunda chave de leitura: O Padroado Régio: O que está à base da evangelização da América
Latina é a concessão que os Papas fizeram aos reis sobre
o "direito de fé". Os reis católicos, cumulados
de privilégios pelos papas, tornaram-se os primeiros defensores
e propagadores da fé católica nos territórios conquistados.
O "padroado" é o direito de administração
dos negócios eclesiásticos concedido pelos papas aos soberanos
portugueses e espanhóis, que se tornaram, de fato, os chefes da
Igreja da América Latina. O moto era: "dilatar a fé
e o império". A associação entre a cruz
e a espada significa que "o rei estava convicto ser seu dever
implantar a fé católica como parte essencial de seu projeto
colonizador e as pessoas da Igreja estavam persuadidas que" para
que os indígenas se tornassem cristãos necessitassem passar
sob o jugo da dominação portuguesa. 1.º A conquista física: a) o testemunho Asteca O cronista indígena fala da cena: "Isso tudo se passou conosco". "(BEOZZO, José Oscar. Visão indígena da conquista e da evangelização. In: SUESS, Paulo (org.) Inculturação e libertação. São Paulo: Paulinas, 1986, p.82 ou SUESS, Paulo (org.) A conquista espiritual da América espanhola. Petrópolis, Vozes, 1992, p.83-84). 2.º A Conquista Espiritual: a) O diálogo dos doze À violência física da conquista segue uma segunda
experiência, a da conquista espiritual. O relato deste fato vem de uma obra de Bernardino de Sahagún,
um dos doze franciscanos presente ao diálogo entre os remanescentes
sacerdotes astecas e os doze franciscanos, enviados para evangeliza-los.
"...E agora, o que é que diremos? ...Vós dissestes que nós não conhecemos E agora, nós destruiremos Ouvi, senhores nossos, O argumento dos doze frades se apóia no fato de que o Deus cristão é verdadeiro porque foi superior aos outros deuses. Se os deuses astecas tivessem sido verdadeiros não teriam permitido de serem vencidos. É pelo fato de que os deuses não eram verdadeiros que aconteceu a destruição dos astecas. O argumento da verdade é sustentado sobre um argumento de força. O Deus cristão é mais verdadeiro porque é o mais forte ou, de outra forma, os espanhóis são mais fortes porque tem um Deus forte. No entanto, o argumento dos sacerdotes astecas se fundamenta no fato que:
3.º As Vozes proféticas: A pequena comunidade dos Dominicanos reage contra a destruição
dos índios. Montesinos diz no sermão: "Todos vós estais em pecado mortal. Tende como certo que, no estado em que vos encontrais, não tendes mais chance de vos salvardes de que os muçulmanos e turcos, que não têm fé em Jesus Cristo". (LAS CASAS, frei Bartolomeu, apud VALLE, Edênio. Vida religiosa e primeira evangelização: lições do passado. In: Nova Evangelização e vida religiosa, (CRB), p. 36.) Desta vez são os espanhóis que reagem e, "reunidos
em comunidade" pretendem castigar os dominicanos. Imputa-se aos frades
o desejo de subverter as leis e a ordem. O almirante, acompanhado por
outras autoridades, decide dirigir-se à casa dos religiosos. O fato chega ao rei da Espanha e Fernando V responde pessoalmente ao
almirante Colombo: "Li o sermão que dizeis foi feito pelo frade dominicano, chamado Antônio de Montesinos, e muitíssimo me maravilho ele ter dito o que disse, pois não tinha para dize-lo nenhum bom fundamento em teologia, cânones e leis". Fernando V manda que os dominicanos sejam advertidos e que se retratem. Caso persistissem na atitude tomada, deveriam enviados para a Espanha e castigados. O provincial da Espanha, Frei Alonso de Loaysa, dá inteira razão ao rei. Mais tarde, Montesinos morreu martirizado em 1531. Houve uma longa polêmica entre Bartolomeu de Las Casas e Sepúlveda, o teólogo jurista da Corte da Espanha. Las Casas defendendo os índios e Sepúlveda legitimando as justas causas da guerra contra os índios (a partir do tratado Democrates Alter de Juan Ginés de Sepúlveda). Las Casas publicou, finalmente, a réplica final contra Sepúlveda, propondo a evangelização pacífica dos índios. " Para terminar (...)
No mesmo período em que se dava a evangelização nas "Índias", uma evangelização associada ao projeto colonial hispano-portugês, na China estava acontecendo "outro" tipo de evangelização, sem interdependência entre a cruz e a espada. Uma das figuras eminentes, neste período, foi a de Mateu Ricci. Conhecemos seu trabalho a partir de muitos escritos: um tratado sobre a amizade e, especialmente, os comentários sobre a China, uma espécie de Diário. Vestiu-se como um monge budista, antes, e mais tarde assumiu os costumes dos sábios confucianos chineses. Entendeu que precisava se tornar chinês com os chineses. Por isso aprendeu a língua, assumiu os costumes e comportou-se em tudo como um chinês. Ele usou um CATECISMO, esboçado por Miguel Ruggieri, outro jesuíta que o precedeu. O catecismo data de 1581 e o título é: T'ien-chu shi-lu (Vera et brevis divinarum rerum expositio). Sendo uma síntese da doutrina católica, quando o texto tratava da situação das almas depois da morte, apresentava, curiosamente, as quatro situações tradicionais: o inferno, o purgatório, o limbo e o Paraíso. O que fazer, no entanto, com os sábios confucianos, tidos como padres fundadores do Confucionismo? Não podiam ser desprezados a tal ponto que deviam ser colocados no inferno. Efetivamente, os não batizados deviam estar neste lugar. Não podiam também estar no Purgatório porque nada tinham feito de mal. O limbo era reservado somente para as crianças. E o Paraíso era somente para os santos batizados. O catecismo inclui um quinto lugar para os sábios confucionistas: "É o lugar dos santos da antiguidade" (Sheng-jen). O que aconteceu, diante desta diferente atitude dos missionários? O contexto, evidentemente, é completamente diferente. Sem o poder temporal, a evangelização foi mais respeitosa das tradições e das culturas dos outros. É verdade que o modelo teológico continuava o mesmo da Europa, mas uma sensibilidade maior era reservada a um contexto isento do poder temporal. |
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