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ZIMBÁBUE: 01/07/2008
Política
Cristãos fazem apelo à ONU diante da situação
do país
O Conselho Ecumênico das Igrejas e a Federação
Mundial Cristã de Estudantes enviaram ao secretário-geral
da ONU, Ban Ki-Moon, e ao Conselho de Segurança, uma carta conjunta
na qual pedem que se intervenha diante da «rápida deterioração
da situação no Zimbábue». Na carta, difundida
por L’Osservatore Romano, pede-se à ONU que «preste
urgente atenção às necessidades humanitárias
do povo do Zimbábue, à sua liberdade para praticar a religião,
à desestabilização da situação política
e à necessidade de acabar com as violações dos direitos
humanos». O que mais preocupa é a crise humanitária,
após a decisão do governo do país de interromper
a distribuição de alimentos e medicamentos provenientes
das agências internacionais, assim como dos serviços educativos.
«Os episódios dos últimos dias no
Zimbábue e em outros lugares – prossegue a carta –
nos convencem de que a intervenção internacional é
agora mais que necessária para distribuir as ajudas alimentares
tão urgentes.» Os reverendos Samuel Kobia e Michael Wallace,
secretários-gerais das organizações signatárias,
unem-se às recentes declarações do cardeal Oscar
Andrés Rodríguez Maradiaga, presidente da Cáritas
Internacional, sobre a situação de crise humanitária
«que poderia custar a vida de milhares de pessoas». Preocupa
também a falta de liberdade religiosa, pois, segundo a carta, «algumas
igrejas foram impedidas de praticar o culto, e outros serviços
eclesiais foram violentamente interrompidos».
Com relação à situação
política, os signatários se mostram «fortemente preocupados
porque foi negado ao povo do Zimbábue o direito de eleger seu próprio
líder com eleições livres e corretas. A soberania
do povo foi violada e deve ser restaurada». Pedem, portanto, que
se investiguem os supostos crimes imputados ao partido «que criou
esta situação», já que «se não
se pedem contas aos que perpetraram esta violência, as tentativas
de uma solução política estarão minadas em
sua base. Não pode haver impunidade». «Há algum
tempo, o Zimbábue era a despensa da África.
Sua forte economia e sua crescente liberdade constituíam
um farol de esperança para todos os africanos que acreditavam na
promessa de uma nova África. Neste momento, o Zimbábue é
só sofrimento e dificuldades. O povo do país merece algo
melhor e oramos para que a fé profunda e a perseverança
de um povo valente possam emergir mais uma vez e se coloquem ao serviço
da reedificação dessa sociedade tragicamente devastada pela
desconfiança, pela divisão e pela violência.»
Zenit
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