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ZIMBÁBUE: 18/06/2008
Perseguição
Governo impede ajuda da Cáritas
Após a proibição da Cáritas
e das organizações de ajuda de realizarem sua obra no Zimbábue,
líderes eclesiais elevaram sua voz para pedir a reação
da comunidade internacional. Em uma declaração conjunta
feita no último dia 13, os presidentes da Cáritas Internacional
e da Conferência Episcopal da África do Sul advertiram de
que a suspensão da semana anterior das atividades de ajuda internacional,
unida à sua violência política em espiral, traduz-se
em sofrimentos terríveis para milhões de pessoas. O cardeal
Oscar Rodríguez e o arcebispo Buti Tlhagale fizeram um pedido à
comunidade internacional, especialmente à África do Sul,
para que exerça toda a pressão possível diante do
governo do Zimbábue para reverter a suspensão dos esforços
de ajuda internacional e deter a repressão violenta.
A Cáritas é um dos grupos suspensos por
uma proibição governamental estabelecida na semana passada
contra os trabalhadores de ajuda estrangeira, supostamente porque as organizações
de ajuda prestaram apoio ao partido da oposição que compete
pela presidência na eleição de 27 de junho. Membros
da Cáritas estavam alimentando mais de 1 milhão de pessoas
no Zimbábue e seus projetos ajudavam cerca de 3 milhões
de pessoas. O Fundo das Nações Unidas para as Crianças
(Unicef) explicava, no dia 13 de junho passado, que aproximadamente meio
milhão de crianças zimbabuenses não estão
recebendo o tratamento e a alimentação de que precisam desde
a proibição governamental. Como exemplo da nova política,
segundo Associated Press, um carregamento de 20 toneladas de grão,
feijão e óleo, dirigidos a uma escola no leste do Zimbábue,
foi apreendido e logo distribuído aos seguidores do presidente
Robert Mugabe, em uma manifestação na semana passada. A
declaração do cardeal Rodríguez e o arcebispo Tlhagale
qualificou a situação de «impressionante e desastrosa».
O cardeal disse: - «Que a comida
seja negada às pessoas provocando fome é um mal grave.
O governo do Zimbábue deve também assegurar
que os trabalhadores humanitários possam trabalhar em um ambiente
seguro, sem ameaças de violência. A intensidade da atual
violência política e das ameaças é inaceitável».
«As limitações aos trabalhadores humanitários
e a crescente violência impedem a Igreja de levar a cabo sua missão
de proporcionar cuidado e assistência aos mais necessitados.»
O arcebispo Tlhagale declarou que a situação
no Zimbábue não deve ser permitida por mera diplomacia:
- «A diplomacia silenciosa não está
alimentando as pessoas, mas permitindo às atuais estruturas que
ameacem a verdadeira sobrevivência dos extremamente vulneráveis».
«Esta situação está fazendo
o governo do Zimbábue perder e quem o apóia está
perdendo toda simpatia que tinha para com seus interesses. Esta volta
à retórica pós-colonial das autoridades zimbabuenses
deve acabar. Que provem que se preocupam pelos zimbabuenses dando-lhes
alimentos.»
Zenit
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