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VATICANO: 17/07/2008
Cultura
A história das cores da bandeira
Em um artigo publicado em L'Osservatore Romano se precisa
como foi que o Papa Pio VII desde 1808 estabeleceu que as cores do Vaticano
fossem o branco e o amarelo. A seguir a história contada pelo perito
Claudio Ceresa. No artigo titulado "O amarelo e o branco de dois
séculos como cores pontifícias", Ceresa explica que
para falar do uso das atuais cores da bandeira vaticano, é necessário
referir-se à "ocupação da urbe por parte das
tropas napoleônicas, ocorrida em fevereiro de 1808". "O
comandante das tropas francesas, general Miollis, colocou sobre os muros
da cidade uns manifestos, com os que se impunha a incorporação
das forças armadas do Papa às imperiais. Os oficiais que
seguiam sendo fiéis ao reinante Pio VII viam vir arrestos e deportações",
logo que "as reações não foram muito notáveis,
inclusive também porque se fez circular a notícia de que
o Pontífice era ciente disso e que não tinha colocado grande
dificuldade.
Rebelou-se apenas um pequeno grupo de oficiais que foi
deportado à prisão de Mantova". "Para sublinhar
a unificação, e provavelmente também para aumentar
a situação de incerteza –continua o perito–
se permitiu aos militares seguir usando o distintivo amarelo-vermelho
sobre seus chapéus". Ceresa assinala depois como o Papa "não
queria que Napoleão sujeitasse ao Estado Pontifício, por
isso em 13 de março de 1808 protestou energicamente. Ordenou, entre
outras coisas, aos corpos que ainda eram fiéis a ele que substituíram
a insígnia com as cores romanas por uma branca e amarela".
No jornal de um contemporâneo, o abade Luza Antonio Benedettalla
escreve na mesma data que "o Papa para não confundir aos soldados
romanos que estão sob o comandante francês, com os poucos
que ficaram a seu serviço, ordenou a nova insígnia amarela
e branca.
Adotaram-na os guardas nobres e os suíços.
A coisa é querida". Ceresa escreve a seguir que três
dias depois, em 16 de março de 1808, Pio VII comunicou "por
escrito tal disposição ao Corpo Diplomático, e o
respectivo documento se considera como a ata de nascimento das cores da
atual bandeira do Estado da Cidade do Vaticano". Este perito também
explica que a eleição do branco e amarelo recolhe uma antiga
tradição segundo a qual, o ouro e a prata simbolizam as
chaves do Reino que custódia São Pedro, e que na antigüidade
eram entregues ao Pontífice quando este assumia a sede de Roma
na "Archibasílica lateranense". Depois de alguns desencontros
mais, que terminam quando Napoleão exige que os que estiverem sob
seu comando usem uma insígnia com as cores da França ou
Itália; o imperador decretou em 17 de maio de 1809 a união
de Roma e o Estado Pontifício à França.
Com esta situação, assinala Ceresa, "Pio
VII excomungou a quem perseguia à Igreja, e na noite entre 5 e
6 de julho de 1809 o Bispo de Roma foi detido" e enviado ao exílio
em Grenoble, Savona e Fontainebleau até 1814, quando pôde
voltar para a cidade eterna. "O Papa Chiaramonti não tinha
esquecido o episódio de seis anos atrás, e sobre os chapéus
das tropas romanas apareceu novamente a insígnia branca e amarela,
sinal de lealdade ao legítimo soberano". Ceresa explica logo
como durante o século XIX distintas representações
vaticanas começaram a usar a bandeira com estas cores e precisa
que atualmente, esta se expõe em distintas solenidades religiosas
e civis como Natal, Páscoa, Corpus Christi, aniversários
do Papa, aniversário da conciliação entre a Santa
Sé e Itália; entre outras. "A bandeira se iça
à alvorada e se arria ao pôr do sol", indica finalmente
o perito italiano.
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