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TIMOR LESTE: 16/07/2008
Direitos Humanos
A Indonésia reconhece as violações de direitos humanos
em 1999
Um passo
para a reconciliação dos dois países
Apurar e verificar a verdade como passo fundamental,
propedêutico à reconciliação:
- com este espírito, os líderes políticos
da Indonésia e de Timor Leste, reunidos na ilha de Bali, aceitaram
e subscreveram o Relatório Final da “Comissão para
a Verdade e a Amizade” entre os dois países, instituída
em 2005, que informa, com todos os detalhes, os crimes contra a humanidade
cometidos pelas milícias pró-Indonésia sobre a população
timorense, após o voto pela independência de Timor Leste,
em 1999.
Trata-se de um passo decisivo na história
das relações entre os dois países, porque, a partir
do reconhecimento dos erros do passado pode-se impostar uma relação
de reconciliação nacional e de boas relações
entre os dois Estados:
- a Indonésia, ex-colonizadora, e o pequeno Timor
Leste, nação mais jovem da Ásia, proclamada República
em maio de 2002, depois de um período sob administração
transitória das Nações Unidas.
O Relatório elaborado pela Comissão ilustra
os abusos cometidos por amplos segmentos do exército indonésio,
que armaram as milícias para-militares, usando-as na campanha de
atrocidades e destruição, atingindo principalmente movimentos,
grupos e famílias que se distinguiram por serem favoráveis
à independência de Timor Leste. Em poucas semanas, mais de
mil pessoas morreram e centenas foram torturadas durante os confrontos
em 1999. Na época, o governo indonésio rejeitou as acusações,
definindo como ‘infundadas’ as acusações contra
o exército indonésio.
Hoje, o governo reconhece que o exército indonésio,
a polícia e os oficiais públicos foram envolvidos em graves
violações de direitos humanos, inclusive em homicídios,
estupros, torturas, detenções ilegais e deportações.
Por outro lado, o relatório releva que as milícias pró-independência
organizadas por cidadãos timorenses são manchadas por abusos
e violações de direitos humanos. A Comissão tem a
tarefa de encontrar um caminho para a reconciliação através
da verificação da verdade, mas sem indicar responsabilidades
individuais. Os resultados do relatório da Comissão para
a Verdade não têm valor legal e não podem dar inicio
a processos contra os suspeitos. Hoje, afirmam os líderes políticos
em Bali, é preciso fechar as contas com o passado, reconhecendo
os erros e olhando ao futuro para construir relações de
boa vizinhança.
Fides
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