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TAILÂNDIA: 24/06/2008
Solidariedade
«Ciganos do mar» do país reconstroem suas vidas graças
à Cáritas
Os «moken» da Tailândia são
chamados de «ciganos do mar». Até poucas décadas
viviam em suas próprias embarcações. Em um pequeno
museu dedicado à sua cultura, na localidade de Takuapa, o visitante
escuta histórias que parecem lendas, nas quais se explica que os
moken são originários da região de Gans Giang, na
China. De lá emigraram há 4 mil anos e chegaram ao sul da
península de Indochina, onde começaram a levar uma vida
nômade surcando os oceanos. Concebem sua própria identidade
como um povo de costumes não-violentos. Talvez esta atitude pacífica
que os faz fugir da confrontação explica que tenham zarpado
constantemente para novas águas cada vez que entraram em conflito
com alguns dos povos a cujas costas chegavam.
Os moken têm sua própria língua e
cultura. Apesar de que estejam na Tailândia há séculos,
ainda hoje não faltam os tailandeses que os consideram estrangeiros.
Compatriotas ou não, quando chegou o tsunami de 26 de dezembro
de 2004, ele não fez distinção entre os moken e o
resto dos tailandeses; muita gente que sofreu aquele trauma prefere viver
vários quilômetros mais no interior. Este é o caso
dos habitantes de Karabudi, a oito quilômetros da costa. Mas para
os moken, o mar, ainda que às vezes se esforce sem limites, é
seu pai e sua mãe e preferem viver mais perto dele. Quando a Cáritas
Tailândia, apoiada por sua contraparte espanhola, decidiu ajudá-los
com a construção de novas casas, ela o fez emTheparat, a
poucos metros do mar.
Lá se levantam 40 casas em duas fileiras, formando
uma rua. Sua construção terminou há um ano, e seus
novos habitantes viveram anteriormente em um refúgio oferecido
por um templo budista. Quando estiveram prontas para ser ocupadas, antes
de entrar para morar nelas, tiveram de esperar que chegasse a lua cheia,
circunstância que osmoken consideram própria para começar
uma nova vida com bom pé. O líder da comunidade, o senhor
Oron, de 30 anos, nos recebe em sua casa e se senta sob o escudo do Manchester
United, do qual é um ardente torcedor. Otimista convencido, explica
que agora já não se sentem tão discriminados pelo
resto dos tailandeses e que já abandonaram seu estilo de vida nômade.
«Quando chegou o tsunami perdemos tudo, mas agora
vivemos nestas casas que são muito melhores que as que tínhamos
antes e vivemos em um lugar onde a escola e o dispensário estão
mais perto.» Outra mudança que se introduziu em sua maneira
de viver é a diversificação de seu trabalho. Muitos
trabalham agora na construção, um setor trabalhista que
não parece conhecer nenhuma crise em uma área onde o turismo
floresce. Outros são temporários nas plantações
de seringüeiras que abundam nessa área e que requerem mão-de-obra
que aceite trabalhar em condições duras, com freqüência
à noite e suportando odores pouco agradáveis.
Mas muitos continuam dedicando-se à pesca de litoral.
Em quase todas as casas há uma pequena moto estacionada. De vez
em quando um par de jovens montam em uma delas com sua cesta de peixe
fresco e se dirigem a Karabudi, onde o venderão no mercado local.
«A Cáritas ajuda a todos, sem distinção de
credo religioso nem nenhum outro tipo de discriminação»,
insiste o Pe. Suwat. Na Tailândia, os católicos são
uma pequena minoria que apenas chega ao 0,5% da população,
mas a Igreja desenvolve um importante trabalho social que chega aos últimos
e tem muito prestígio.
Zenit
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