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SUDÃO: 16/07/2008
Política
O pedido de incriminar o Chefe de Estado sudanês cria um importante
precedente, e suscita um vivo debate na comunidade internacional
Duas crises africanas estão no centro da atenção
da comunidade internacional, que está dividida sobre o modo para
resolve-las. Depois do veto russo e chinês a uma resolução
do Conselho de Segurança da ONU para impor novas, e mais duras,
sanções ao regime de Mugabe em Zimbábue, decisão
do Procurador geral junto à Corte Penal Internacional (CPI), Luis
Moreno Ocampo, de pedir o envio a julgamento para o Presidente sudanês
Omar al Bashir está suscitando reações contrastantes.
Bashir é acusado de genocídio, crimes de guerra e contra
a humanidade, dos quais seria responsável nos últimos cinco
anos, em Darfur.
Três juízes da audiência preliminar
da Corte deverão decidir nos próximos meses se as provas
apresentadas pelo ministério público constituem uma base
razoável para passar à prisão do Chefe de Estado
sudanês. O Sudão rejeitou as acusações e declarou
não reconhecer a autoridade da Corte Penal Internacional. As Nações
Unidas, temendo represálias contra seus funcionários, convocaram
o pessoal não indispensável que trabalha no país.
A missão militar conjunta da ONU e da União Africana (UNAMID)
em Darfur anunciou a suspensão em tempo indeterminado de suas atividades,
como precaução diante do risco de uma eventual onda de violências.
Os países africanos estão preocupados:
- a União Africana pediu à Corte Internacional
que suspenda todas as decisões sobre a eventual detenção
de Bashir até “que não se resolvam os principais problemas
de Darfur e do sul do Sudão”, temendo um “golpe militar
e a anarquia, como ocorreu no Iraque”, se o Presidente Bashir fosse
preso.
A Liga Árabe convocou para o dia 19 de julho uma
reunião extraordinária dos Ministros do Exterior dos 22
países aderentes, acolhendo um pedido do Sudão, e apoiada
pelo da Egito, Síria, Arábia Saudita, Líbia e Autoridade
Nacional Palestina. Também a Organização para a Conferência
Islâmica expressou “profunda preocupação”
pela decisão do Procurador geral de pedir o envio a julgamento
do Presidente sudanês. Enquanto o Ministro do Exterior francês,
Bernard Kouchner, expressou o próprio apoio à Corte, parece
paradoxal a posição dos Estados Unidos. Washington não
aderiu à Corte Penal Internacional, mas está comprometida
há tempos na condenação das violências cometidas
contra a população civil em Darfur.
No momento, o Governo estadunidense se limitou a expressar
“preocupação” e convidou todas as partes à
calma. Washington, como também o Secretário Geral da ONU,
Ban ki Moon, temem, sobretudo eventuais represálias contra a população
de Darfur, já provadas por 5 longos anos de guerra civil. Como
no caso de Zimbábue, estão em jogo na crise sudanesa interesses
econômicos de diversas potencias e o poder da comunidade internacional
de intervir em ‘assuntos internos’ dos Estados, quando existem
graves violações de direitos humanos. A eventual incriminação
de Bashir, Chefe de Estado no poder, criaria um importante precedente,
certamente não apreciado por vários de seus colegas.
Fides
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