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PAQUISTÃO: 19/06/2008
Vida Eclesial
A fé cristã está viva no deserto do Baluquistão
Conversa
da Agência Fides com o Prefeito Apostólico de Queta
O Baluquistão é uma terra áspera,
selvagem, disposta predominantemente num altiplano, com altitudes que
vão dos 100 aos 1200 metros de altura entre as montanhas do Toba
Kakar, na fronteira afegã, e a cadeia do Suliman delimitada pelo
rio Indo. Ao sul, ao longo da área de fronteira, encontra-se um
dos mais inóspitos desertos do mundo, o Makran, onde vivem nômades
dedicados ao pastoreio. No território da província civil
do Baluquistão surge a circunscrição eclesiástica
mais recente do Paquistão, a Prefeitura Apostólica de Queta.
A Prefeitura, erigida no dia 09/11/2001 num território que compreende
cerca de 7 milhões de habitantes, baseia a sua história
nos primeiros territórios eclesiásticos erigidos durante
o reino do Império Britânico em 1697, quando foi criado o
“Vicariato do Gran Mogul”, que incluía as terras de
Sindh e Baluquistão.
Em 1832, o Vicariato passou à jurisdição
da Arquidiocese de Bombaim e depois, em 1878, o território passou
à missão do Afeganistão, confiada aos missionários
de Mill Hill. P. John Bernard Temme, missionário de Mill Hill,
que foi o primeiro missionário enviado a Queta, aonde nos anos
seguintes chegaram os Jesuítas (que ali permaneceram até
1935) e depois os Franciscanos, até 1982, quando o cuidado pastoral
da comunidade local foi confiado aos Missionários Oblatos de Maria
Imaculada (OMI), seguidos depois pelos Salesianos. Em 2001 ocorreu a instituição
oficial da Prefeitura Apostólica de Queta (com um território
dividido pelas dioceses de Karachi e Hyderabad) e a nomeação
do Prefeito Apostólico, o missionário cingalês Pe.
Victor Gnanapragasam OMI. Atualmente, o território da Prefeitura
divide-se em seis paróquias, onde vivem cerca de 30 mil fiéis
católicos.
Pe. Victor – no Vaticano por ocasião
da visita Ad limina Apostolorum dos Bispos do Paquistão –
explica à Agência Fides que a fé cristã está
viva, apesar das dificuldades pelas condições do território
e os obstáculos culturais e religiosos:
- “A nossa comunidade se estende sobre uma área
muito ampla, em grande parte desértica, em que é difícil
deslocar-se e viajar.
As dificuldades logísticas são muitas,
procuramos visitar vilarejos remotos e às vezes são necessários
dias e dias de viagem para encontrar somente cinco famílias cristãs.
Mas acredito que, aos poucos, os fiéis católicos, em sua
maioria pobres agricultores e criadores, estão adquirindo confiança
e as famílias católicas são reforçadas na
fé, na esperança e na caridade. Com todos os problemas que
vivem, poderiam perder a esperança e abandonar a fé, mas
não é assim. Isso incentiva o nosso trabalho pastoral. Mesmo
que eu não consiga visitar com frequência as diversas comunidades
da Prefeitura, sei que elas continuam a se reunir regularmente, a rezar,
a celebrar e partilhar a Palavra de Deus, apesar das dificuldades”.
“A vida pastoral é mais fácil em
Queta, no centro da Prefeitura – continua o Prefeito Apostólico
– onde operam cinco congregações de irmãs (num
total de 20 religiosas) e 10 sacerdotes entre os quais os OMI e os Salesianos.
O carisma missionário está vivo e presente e traz frutos”.
A Prefeitura admistra também uma escola, frequentada por muitos
jovens cristãos e não-cristãos, e uma casa de acolhimento
para os serviços sociais urgentes, como a assistência aos
órfãos, a mulheres abandonadas, a famílias muito
pobres. No total, os institutos educacionais católicos são
19 e os sociais (como hospitais, centros de assistência aos marginalizados,
etc.) são 14. Os Salesianos administram uma paróquia em
Queta com cerca de 1200 famílias cristãs, gerindo um centro
juvenil, para atividades de catequese, formação profissional
e recreação para os jovens.
Entre os desafios e os obstáculos maiores no território
do Baluquistão está o da difusão do integralismo
islâmico. Os cristãos são com frequência considerados
“cidadãos de segunda classe” e, como afirmam alguns
fiéis locais, “tornam-se alvo dos militantes radicais islâmicos”,
recordando que em agosto de 2007 alguns militantes armados fizeram um
ataque contra uma igreja da Prefeitura Apostólica de Queta, ferindo
alguns fiéis. “Mas a chama da fé cristã existe
há séculos e continua a iluminar a nossa vida”, conclui
Pe. Victor. “No humilde trabalho cotidiano, no silêncio, na
oração, as famílias católicas dão o
seu testemunho de vida cristã”.
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