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MYANMAR: 20/06/2008
Diálogo
“A compaixão é a linguagem comum da população,
depois do ciclone Nargis”, disse à Agência Fides o
Arcebispo de Rangun
Depois do ciclone Nargis, na fase das ajudas
de emergência e enquanto se procura voltar à vida normal,
“a linguagem comum da população birmanesa, que une
budistas, cristãos e fiéis de outras religiões, é
a da compaixão”:
- é o que afirma numa mensagem enviada à
Agência Fides Dom Charles Maung Bo, Arcebispo de Rangun.
Numa carta enviada à Fides, o Arcebispo conta
como os monges budistas se empenharam para salvar vidas humanas e ajudar
os sobreviventes nos vilarejos cristãos; e como os voluntários
católicos levaram ajudas, alimentos e medicamentos para as pessoas
atingidas, em áreas completamente budistas.
A solidariedade não faz distinção
entre religiões: - “Todos os grupos religiosos foram
vítimas do ciclone.
Todos os locais de culto, igrejas, mosteiros
e templos budistas, conventos foram atingidos pelo Nargis, que destruiu
alguns dos locais mais sagrados e famosos da região”, afirma
Dom Bo. Mas, principalmente, é preciso recordar quem deu a sua
vida pelo próximo:
- é o caso de Pe. Andrew Soe, sacerdote da diocese
de Pathein, falecido na tentativa de salvar algumas pessoas atingidas
pelo ciclone.
O seu corpo foi encontrado 18 dias depois do desastre.
Hoje – destaca o Arcebispo – muitíssimas pessoas sobreviventes
dedicam-se sem reservas a ajudar o próximo. Num país de
maioria budista “a compaixão surgiu como uma forma de cura
após o dilúvio do mal. Igrejas e mosteiros tornaram-se campos
de desabrigados, onde muitas vítimas encontraram ajuda e consolo”.
E, antes que chegassem as ajudas do governo e das Ongs, “gestos
espontâneos de caridade uniram budistas e cristãos”,
conta.
A compaixão e a misericórdia envolveram
também membros de outras comunidades religiosas, como hindus e
muçulmanos:
- em Bogalay, um templo hindu abriu as suas portas para
aplacar a fome de uma multidão de necessitados.
E pelas ruas da capital Rangun os comerciantes muçulmanos
doam alimentos às vítimas do desastre. Os voluntários
católicos, recorda o Arcebispo, não hesitaram em correr
grandes riscos para chegarem aos vilarejos mais isolados, cheios de cadáveres
de homens e carcaças de gado, para prestar socorro aos poucos sobreviventes.
“Foram os primeiros a encontrar as mães que perderam os filhos,
a reunir os órfãos, a consolar as pequenas comunidades rurais
atingidas, com a oração e com a sua simples presença”.
“É a compaixão a linguagem comum nessa fase pós-desastre”
conclui o Arcebispo.
Continuam a chegar ajudas às comunidades
católicas locais:
- a Obra “Ajuda à Igreja que Sofre”
arrecadou mais 80.000 euros, destinados à Arquidiocese da capital
Rangun e à diocese de Pathein para que possam providenciar as primeiras
reformas nas igrejas e nas instalações religiosas destruídas.
Fides
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