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ITÁLIA: 10/07/2008
Testemunho
Adolescente de apenas 18 anos dá um novo passo para os altares
A Congregação para a Causa dos Santos promulgou
esta semana um decreto que reconhece as virtudes heróicas de Chiara
"Luz" Badano, uma formosa adolescente italiana pertencente ao
Movimento dos Focolares que morreu em 1990 quando só tinha 18 anos
de idade. A nova "venerável" nasceu em Sassello, Ligúia,
em 29 de outubro de 1971. Seu nascimento encheu de alegria a seus pais,
Ruggero Badano, caminhoneiro, e Maria Teresa Caviglia, operária,
quem por onze anos esperaram ter um filho. "Embora em meio de uma
imensa alegria, compreendemos em seguida que não era só
nossa filha mas acima de tudo era filha de Deus", assinalou sua mãe
segundo a biografia publicada pelos Focolares.
Desde muito pequena, Chiara mostrou um profundo amor
por Deus, ao tempo que revelava um caráter forte mas dócil,
era alegre, bondosa e muito ativa. Aos nove anos de idade ingressou no
Movimento dos Focolares. Em 1985 se mudou a Savona para seguir os estudos
de bacharelado onde, segundo seus biógrafos, "a dizer a verdade,
encontrará algumas dificuldades, a pesar do esforço. Não
aprova o quarto ano e isto a faz sofrer muito". Chiara tinha muitos
amigos, converteu-se em uma grande esportista, praticava tênis,
natação, montanha. Sonhava sendo aeromoça e desfrutava
da dança e do canto. Entretanto, aos 16 anos discerniu sua vocação
e decidiu consagrar-se a Deus. Manteve uma relação muito
próxima com a fundadora dos Focolares, Chiara Lubich, quem lhe
pôs o apelido de "Luz".
Pouco tempo depois lhe diagnosticaram um tumor no ombro.
O diagnóstico foi "sarcoma ostiogênico com metástase",
um dos tumores mais graves e dolorosos. Chiara se propôs superar
a enfermidade e começou um intenso tratamento de quimioterapia,
enquanto tratava de seguir com sua vida habitual sem perder nunca a alegria
nem a fé. Entregou tudas suas economias a um amigo que partiu em
missão humanitária a África. Apesar dos esforços
dos médicos, a enfermidade avançava rapidamente e perdeu
o uso das pernas. "Se tivesse que escolher entre caminhar ou ir ao
paraíso, escolheria esta última possibilidade", disse
a seus familiares, já não pedia curar-se, senão encontrar-se
com o Jesus. Sua força comovia a seus seres queridos e aos médicos
que a atendiam. Em julho de 1989 sofreu uma severa hemorragia e parecia
que o desenlace chegaria em qualquer momento.
Disse a seus pais: - "Não
derramem lágrimas por mim.
Eu vou onde Jesus está. Em meu funeral não
quero gente que chore, mas sim canto forte". Em seu leito de dor,
Chiara rezava muito pedindo ser capaz de cumprir com a vontade de Deus.
"Não peço a Jesus que venha me buscar para me levar
ao paraíso; não queria lhe dar a impressão que não
quero sofrer mais", dizia e decidiu preparar com sua mãe a
que chamava "festa de bodas", quer dizer seu funeral. Deu a
sua mãe instruções muito precisas sobre como devia
ser seu vestido, a música, as flores, os cantos e as leituras.
Pediu à sua mãe que enquanto preparasse
seu corpo se repetisse a si mesma: - "Agora Chiara Luz vá
a Jesus".
Em domingo 7 de outubro de 1990 Chiara faleceu acompanhada
de seus pais.
Depois da porta da habitação aguardavam
seus amigos. Suas últimas palavras foram para sua mamãe:
- "Ciao. Seja feliz porque eu o sou".
Umas duas mil pessoas assistiram a seu funeral. O então
Bispo do Acqui, Dom Livio Maritano, iniciou o processo de beatificação
de Chiara em 1999. O Prelado assegura que tomou esta decisão por
"sua forma de viver, especialmente o exemplo extraordinário
que ofereceu no último lance de sua vida". "A vi várias
vezes durante sua enfermidade e me chegaram muitos testemunhos de pessoas
que a visitavam no hospital ou na casa. E todos confirmavam sua altura
espiritual e seu amor a Deus, que lhe davam a força para confrontar
a prova com uma serenidade que a levava a animar a todos os que foram
visitá-la com a intenção de consolá-la",
indicou. "Comprovei que a apresentação do testemunho
cristão de Clara constituía uma mensagem muito forte, uma
forma de evangelização, por isso me perguntava se era justo
manter escondida em uma pequena diocese um tesouro tão grande para
pô-lo ao alcance de toda a Igreja. Por isso não tive nenhuma
dúvida em decidir promover esta causa", indicou.
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