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INDIA: 23/06/2008
Demografia
da Índia
• População: 1.080.264.388
(Julho de 2005)
• Faixas etárias:
- - 15 anos: 31.2% (mulheres 163,932,475; homens 173,634,432)
- - 15 a 64 anos: 63.9% (mulheres 333,283,590; homens
356,932,082)
- - 65 anos: 4% (mulheres 25,939,784; homens 26,542,025)
(julho 1995)
• Taxa de mortalidade Infantil:
65 mortes/1.000 nascimentos (1995)
• Expectativa de vida ao nascer:
Total: 64,35 anos
homens: 63,57 anos
mulheres: 65,16 anos (2005)
- Taxa de alfabetização:
a partir dos 15 anos sabem ler e escrever (1990)
- Taxa de fertilidade: 2,78 nascimentos/mulher
(1995)
- Divisão étnica: Indo-arianos
72%.
- Religiões: hinduísmo
81,8%.
- Línguas: Hindi, Bengali,
Tamil, Urdu, Inglês, entre centenas de dialetos locais.
- Força de trabalho: 600 milhões
A Índia é o segundo país do mundo
em população, estimada em 1.100 milhões de habitantes
(2006). Com uma população diversificada, a língua,
a casta e a religião desempenham papel importante na organização
social e política do país. Embora 81,5 por cento da população
sejam hindus, a Índia conta também com o segundo maior contingente
de muçulmanos no mundo (12,2 por cento), ademais de outros grupos
religiosos como siques (2 por cento), cristãos (2,3), budistas
(0,76), jainistas (0,4) e outros. As principais aglomerações
urbanas do país são Bangalore, Madrasta, Délhi, Hiderabade,
Calcutá e Bombaim. Há 933 mulheres para cada 1 000 homens.
A idade média é de 24,66 anos. A taxa de natalidade indiana
é de 22,32 por 1 000 e a taxa de crescimento populacional é
de 1,38 por cento (estimada, 2006). Duas das grandes famílias lingüísticas
estão representadas na Índia: a indo-ariana (falada por
74 por cento da população) e a dravídica (24 por
cento). A constituição indiana considera como oficiais 23
diferentes línguas, embora o híndi e o inglês sejam
usados pelo governo federal para fins oficiais. O sânscrito (mais
antigo que o hebraico e o latim) e o tâmil são consideradas
línguas clássicas. O número de dialetos falados na
Índia chega a 1 652. Proporção de meninas 'cai a
nível histórico' na Índia, alerta ONG.
O número de meninas que nascem e sobrevivem na
Índia caiu para a menor proporção em relação
aos meninos, alerta um estudo da organização britânica
ActionAid e do canadense Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento.
Os abortos de fetos do sexo feminino e a negligência em relação
às bebês já levaram a casos como o de uma área
da província de Punjab onde existem apenas 300 meninas para cada
mil meninos entre as famílias das castas superiores. "Estamos
dizendo que existe apenas um terço das meninas que deveriam existir
nessas comunidades", disse à BBC Laura Turquet, porta-voz
da organização. "Estamos falando de povoados nos quais
quase não existem meninas, de salas de aula sem meninas, de ruas
onde só há meninos brincando." O relatório,
intitulado Disappearing Daughters ("Filhas que desaparecem",
em tradução livre), adverte que a Índia terá
um futuro "sombrio" se não tomar medidas para pôr
fim à preferência cultural por crianças do sexo masculino.
Uma estimativa da revista médica Lancet sugere que cerca de 10
milhões de fetos do sexo feminino foram abortados na Índia
de maneira seletiva ao longo dos últimos 20 anos. As estatísticas
desafiam a lei que, desde 1994, proíbe o aborto seletivo no país.
Ajuda tecnológica
A equipe de pesquisadores visitou mais de 6 mil
domicílios em cinco Estados do noroeste indiano e comparou as estatísticas
com o censo nacional
Sob circunstâncias consideradas "normais",
eles esperariam verificar a existência de pelo menos 950 meninas
para cada mil meninos - mas em três das cinco províncias
visitadas o número foi abaixo de 800. Além disso, em quatro
das cinco províncias a proporção de meninas em relação
a meninos vem diminuindo desde o censo de 2001. O estudo revelou que a
taxa de meninas para meninos cai mais fortemente nas áreas urbanas
relativamente prósperas. Em entrevista à BBC, o professor
Rubindra Kaur, do Instituto Indiano de Tecnologia, sugeriu que a tendência
é reforçada pela disseminação da ultrassonografia.
"O ultrassom permite escolher o sexo antes de o bebê nascer,
e essa é uma das principais razões para que tenha havido
um declínio tão grande na população feminina."
Condenadas de antemão
Segundo o relatório, o aborto seletivo não
é o único recurso pelo qual as famílias selecionam
o sexo de suas crianças – o documento assinala outras práticas
ilegais, como permitir que o cordão umbilical infeccione ou negligenciar
tratamento às meninas que adoecem. "O verdadeiro horror dessa
situação é que, para as mulheres, evitar ter filhas
é uma decisão racional. Mas para a sociedade como um todo
está se criando um estado de coisas terrível e desesperador",
disse Laura Turquet, da ActionAid. "No longo prazo, as atitudes culturais
têm de mudar. A Índia tem de enfrentar barreiras econômicas
e sociais, incluindo os direitos de propriedade (sobre as meninas), dotes
de casamento e papéis destinados aos gêneros que condenam
as garotas antes mesmo de elas nascerem", ela acrescentou. "Se
não agirmos agora, o futuro parece sombrio."
Britânicas de origem asiática viajam
à Índia para abortar meninas
A pressão cultural para ter um menino está
levando britânicas de origem asiática a viajarem até
a Índia para abortar meninas, de acordo com informações
apuradas pela BBC. Uma pesquisa da Universidade de Oxford indica que 1,5
mil meninas "desapareceram" das estatísticas de nascimentos
na Inglaterra e no País de Gales desde 1990. A professora Sylvie
Dubuc, que estuda geografia humana e populações em Oxford,
analisou as taxas de natalidade entre diferentes grupos étnicos
na Inglaterra e no País de Gales. "Segundo meus cálculos,
cerca de 1,5 mil meninas estão faltando", disse. "É
substancial se comparamos com o número total de nascimentos."
Dubuc descobriu que a proporção de meninos em relação
a meninas aumentou durante o período de forma anormal. A explicação
mais provável, segundo a pesquisadora, parece ser o aborto seletivo
por sexo da criança, praticado por uma minoria das mães
nascidas na Índia. Mas este tipo de aborto tem sido praticado não
apenas por mulheres nascidas na Índia, mas também por britânicas
de origem asiática.
Três filhas
"Meena", uma britânica de origem asiática
nascida e criada na Inglaterra, que falou com a BBC sem se identificar,
tem três filhas, todas com menos de 13 anos. Quando engravidou novamente,
em 2006, tentou descobrir o sexo da criança. "Temíamos
o que poderia acontecer se fosse outra menina, pois obviamente isso traria
conseqüências para a família, além das implicações
financeiras, então decidimos descobrir o que iríamos ter
desta vez", disse. Segundo Meena, a cultura indiana ainda pode exercer
grande pressão nas mulheres para que elas tenham meninos, para
continuar com o nome da família e porque meninas são consideradas
uma carga financeira maior para a família. E esta pressão
atinge também mulheres que vivem na Grã-Bretanha. "Tudo
é decisão do marido e, geralmente, é a família
do marido que exerce esta pressão", afirmou. Muitas autoridades
britânicas se recusam a comunicar aos casais o sexo da criança.
O casal viajou até a Índia, fez os exames em Nova Déli
e descobriu que teria outra menina. Os dois decidiram pelo aborto. "Foi
muito perturbador", conta Meena. "Eu não queria que minhas
outras filhas soubessem e, não digo isso de uma forma ruim, mas
meu marido parecia um tanto tranqüilo com tudo isso."
Aborto por sexo
O aborto seletivo por sexo - ou feticídio feminino
- é ilegal na Índia desde a década de 1980. Fazer
o ultrassom para descobrir o sexo da criança também é
contra a lei. Mas a lei simplesmente levou os pais a continuarem com estas
práticas de forma ilegal. Estatísticas da ONU afirmam que
750 mil meninas são abortadas todos os anos na Índia. E,
agora, há sinais de que mulheres indianas na Grã-Bretanha
estão viajando até o país para praticar estes abortos.
Meena afirma que não é a única e diz conhecer outras
mulheres que fizeram o mesmo. Mas o assunto ainda é um tabu. "Ouvi
a respeito de outras pessoas que fizeram isso, mas, se você começa
a mostrar interesse neste tipo de coisa, especialmente se você já
tem três filhas, as pessoas começam a pensar 'Ah, sim, ela
deve estar interessada nisto também', então você tenta
se distanciar e lidar com isso sozinha." Meena fez o aborto há
um ano e afirma que se arrepende, mas "não teve escolha".
Ela diz temer a possibilidade de um outro aborto e como isso poderia afetar
sua saúde. "Se decidirmos tentar outro filho, sei que terei
que passar por tudo isso de novo", afirma.
Gangue de mulheres surra homens no norte da Índia
Um grupo de mulheres indianas que se autodenomina gulabi
gang, ou a gangue rosa, está fazendo justiça com as próprias
mãos na empobrecida região da cidade de Banda, no norte
da Índia. Dois anos após ter surgido como um grupo organizado,
com nome e indumentária característicos, a gangue já
deu surras em homens que abandonaram ou bateram em suas mulheres e denunciou
práticas corruptas na distribuição de comida para
os pobres. Elas vestem sáris cor-de-rosa (o sári é
a roupa tradicional feminina na Índia), saem em perseguição
de autoridades corruptas e, quando necessário, se armam com varas
e machados. As centenas de adeptas da gangue fogem de associações
com partidos políticos e organizações não-governamentais
porque, nas palavras de sua líder, Sampat Pal Devi, "eles
estão sempre esperando alguma coisa em troca quando oferecem ajuda
financeira".
"Mulheres precisam de homens"
"Ninguém nos ajuda nessas redondezas. As
autoridades e a polícia são corruptas e são contra
os pobres. Então, às vezes temos de fazer justiça
com as nossas mãos. Em outras situações, preferimos
envergonhar os malfeitores", explica Sampat Pal Devi, enquanto ensina
uma das mulheres da gangue a usar um lathi (vara tradicional indiana)
em defesa própria. Castigada pela seca, Banda fica em uma das áreas
mais pobres de um dos Estados mais populosos da Índia, Uttar Pradesh.
O fardo da pobreza e da discriminação, em uma sociedade
baseada em castas e dominada pelos homens, acaba pesando mais sobre as
mulheres. Pedidos de dotes, violência doméstica e sexual
são comuns. A líder Sampat Pal Devi, por exemplo, é
esposa de um vendedor de sorvete e tem cinco filhos, o primeiro nascido
quando ela tinha apenas 13 anos. "Não somos uma gangue no
sentido comum da palavra. Somos uma gangue pela justiça."
O grupo também não se considera feminista. As mulheres dizem
que já devolveram 11 meninas que foram expulsas de casa aos maridos
porque "mulheres precisam de homens para viver junto". É
por isso que homens como Jai Prakash Shivhari também se aliaram
à gangue e discutem com veemência temas como casamento infantil,
mortes associadas a dotes, falta d’água, subsídios
agrícolas e desvio de verbas em obras do governo. "Não
queremos doações ou esmolas. Não queremos conciliação
ou ação afirmativa. Dê-nos trabalho, pague-nos salários
decentes e devolva nossa dignidade", ele diz. Maioria de crianças
da Índia já sofreu abuso sexual, diz pesquisa
Um estudo pioneiro realizado na Índia indica que
53% das crianças do país sofreram abusos sexuais. Encomendada
pelo Ministério do Desenvolvimento da Mulher e da Criança
indiano, a pesquisa mostra ainda que duas em cada três crianças
na Índia são abusadas fisicamente. O estudo indica também
que 70% das crianças não comentou sobre os abusos com ninguém.
"Na Índia, existe a tradição de negar o abuso
infantil. Costumamos dizer que isso não acontece aqui", disse
a ministra Renuka Chowdhury. "Mas, ao permanecermos em silêncio,
nós ajudamos e somos cúmplices com essa prática."
Chowdhury descreveu as conclusões do estudo como "perturbadoras",
e pediu o fim do que chamou de "conspiração do silêncio".
Meninos sob risco
O estudo revela outros dados desconhecidos, como por
exemplo o fato de que, ao contrário do que se acreditava até
agora, meninos correm os mesmos riscos de abuso que meninas. Loveleen
Kacker, responsável pela área de Bem-Estar Infantil do Ministério,
e uma das autoras do documento, disse ainda que uma boa parte dos autores
do abuso são "pessoas de confiança", como parentes,
professores e até os próprios pais. A questão do
abuso de crianças na Índia já foi levantada no passado
por organizações não-governamentais (ONGs) de defesa
dos direitos da criança, mas esta é a primeira vez que o
governo documenta a escala do problema.
Roland Angerer, diretor da ONG Plan International na Índia, disse
à BBC que "é muito importante que o governo finalmente
tome uma atitude quanto à questão". "É
fundamental que pais e outros adultos saibam que as crianças não
são uma propriedade deles, que elas têm seus direitos",
afirmou. Segundo ele, o maior desafio para a sociedade e o governo indianos
é incentivar que as crianças a delatarem o abuso. A Índia
abriga quase 19% das crianças do mundo, sendo que milhões
delas já estão no mercado de trabalho. Para a pesquisa,
foram entrevistadas 12 mil crianças com idades entre 5 e 12 anos,
e pouco mais de 2 mil com mais de 12 anos. O estudo cobriu 13 Estados
indianos e levou dois anos para ser concluído.
Polícia indiana descobre fetos de meninas
em lixo
A polícia de Orissa, no leste da Índia,
encontrou 30 sacos cheios de partes de corpos de fetos femininos e de
meninas recém-nascidas jogados em um depósito de lixo perto
de uma clínica de maternidade particular, a 90 km da capital do
Estado, Bhubaneswar. A maioria dos restos, descobertos no domingo, era
de crânios e ossos, que foram escondidos em sacos e despejados no
depósito de lixo. O proprietário e o gerente da clínica
foram presos e os policiais investigam a possibilidade de se tratar de
um caso de feticídio organizado por uma rede criminosa. Os policiais
decidiram vasculhar o local depois de encontrarem sete fetos, também
colocados em sacos plásticos, jogados numa vila vizinha há
cerca de uma semana. Eles dizem que ainda não é possível
dizer quantos corpos foram encontrados nos sacos. "Nós não
podemos dar números. Temos de esperar pelos detalhes da investigação",
disse o inspetor-geral da polícia de Orissa, BK Sharma.
10 milhões
Se a suspeita de aborto forçado de meninas se
confirmar, este não será o primeiro caso do gênero
na Índia. O correspondente da BBC em Nova Déli Jyotsna Singh
informa que uma estimativa extra-oficial indica que até 10 milhões
de fetos de meninas podem ter sido abortadas na Índia nas últimas
duas décadas. A preferência por filhos homens é muito
difundida na sociedade indiana e, apesar da existência de leis que
banem exames pré-natais para determinar o sexo, abortos forçados
de fetos femininos não são raros no país. No ano
passado, um médico e seu assistente foram presos em Haryana, no
norte da Índia, por revelar o sexo do feto e concordar em fazer
o aborto quando se tratava de uma menina. Foi a primeira vez na Índia
que um médico foi punido por deliberadamente identificar o sexo
de um bebê e matá-lo em função disso. O aborto
seletivo foi banido na Índia em 1994.
Ministro diz que Índia pode 'eliminar
pobreza até 2040'
O ministro da Economia da Índia, Chidambaram Palaniyappan,
disse que a pobreza no seu país está sendo reduzida rapidamente
e que poderá ser “eliminada” até 2040. “Estou
confiante que podemos eliminar a pobreza até 2040”, disse
o ministro em entrevista à BBC. “As pessoas no lado de baixo
da pirâmide estão tendo melhoras nas suas condições
de vida. Você precisa comparar os números com os de 10, 15
anos atrás.” Ele afirmou que cerca de 25% dos indianos vivem
em miséria – ou seja, que 250 milhões sobrevivem com
apenas US$ 1 por dia – mas que isso deve mudar com o crescimento
econômico do país. Chidambaram também disse que o
rápido crescimento econômico precisa ser acompanhado de mudanças
grandes na infra-estrutura atual do país.
Mão-de-obra barata e energia
Ele respondeu a críticas sobre o baixo custo da
mão-de-obra e sobre o alto consumo de energia da economia indiana.
“Muito disso é mito, essa história de que a mão-de-obra
na Índia é barata, e, portanto, atraente. O que interessa
é que a força de trabalho indiana é bem treinada.”
Sobre o impacto do crescimento e do alto consumo de energia da Índia
no meio ambiente, Chidambaram disse à BBC que muitas das críticas
são injustas. “Quando o mundo desenvolvido estava crescendo,
ninguém parou para perguntar: 'vocês estão consumindo
energia demais'. Nós temos o direito de crescer, o direito de consumir
mais energia.” Ele afirmou que o país enfrenta hoje um déficit
de 8% entre demanda e oferta de energia, e que esse é um problema
fundamental a ser resolvido para que a Índia continue crescendo.
Na semana passada, o banco de investimentos Goldman Sachs afirmou que
a Índia deve se tornar a quinta maior economia do mundo já
na próxima década. Chidambaram também defendeu uma
vaga permanente para a Índia no Conselho de Segurança das
Nações Unidas. “Acho que temos direito a isso. Nosso
tamanho econômico nos dá direito a isso.”
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