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COSTA RICA: 02/07/2008
Fome
Os Bispos pedem ao governo que enfrente a crise alimentar, garantindo
a todos a segurança no abastecimento, acesso aos campos, financiamentos
para a produção, preços controlados
A Conferência Episcopal da Costa Rica, na ocasião
do “Dia Nacional para a alimentação e o direito à
produção de alimentos”, dirigiu um apelo ao Governo
para que adote medidas adequadas para enfrentar a crise alimentar. Na
Declaração final do Dia, da qual participaram também
organizações de agricultores e outros organismos sociais,
afirmou-se que “o enorme aumento dos preços prejudica mais
as pessoas pobres, que já destinam quase a totalidade da sua renda
à aquisição de alimentos e que não podem,
portanto, enfrentar mais um aumento”. Além disso, reconhece-se
que a agricultura, para os pequenos e médios produtores, “é
o que garante emprego, renda, solidariedade, salvaguarda dos valores da
nossa democracia social, integração da família agrícola,
cultura e multifuncional idade dos campos e da agricultura”.
Definitivamente, é o “ordenamento socioeconômico
que conforma o que conhecemos como economia agrária, social e solidária,
garante a ‘soberania alimentar’, que historicamente manteve
a nossa Pátria na estabilidade e na paz social, favorecendo o estabelecimento
de um aceitável nível de bem estar”. No entanto, segundo
denunciado pela Conferência Episcopal, a difusão, nos últimos
anos, de uma economia de livre mercado e a eliminação do
caráter solidário do Estado “teve como conseqüência
o desmantelamento das instituições do setor agrícola,
a deterioração agressiva da economia agrária, a degradação
da família e de sua base religiosa”, além de favorecer
“a migração dos campos para a cidade, concentrando
a riqueza e aumentando a desigualdade social”.
Nos detalhes, esta política produtiva
promovida pelo governo levou “grande parte da população
a correr o risco de ficar sem alimentos por duas razões:
- porque não há condições
para produzi-los e porque não têm dinheiro para adquiri-los”.
Tudo isso provoca “uma crise econômica que
produz uma grande insegurança alimentar, crise muitas vezes anunciada
pelas organizações agrícolas, às quais os
governos não deram nunca a importância devida”. Há
algum tempo, recorda o comunicado, diversos organismos internacionais
vêm refletindo sobre as causas desta crise e estão pedindo
aos Países que adotem as medidas necessárias, contudo, “o
governo minimizou a gravidade da situação e não adotou
medidas sérias e integrais para enfrentar esta crise, deixando
a população correr o risco de não ter acesso aos
alimentos diários”. A Conferência Episcopal, ao lado
de todos os participantes do Dia, dirigiu um apelo ao governo pedindo
“um espaço de diálogo que permita elaborar uma estratégia
de curto, médio e longo prazo, que resulte num programa integral
de políticas públicas que garantam à população
segurança alimentar, acesso aos campos, financiamento para a produção,
preços acessíveis das entradas agrícolas, ganhos
necessários para adquirir os alimentos”.
Fides
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