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BRASIL: 02/07/2008
Ecologia
O país é líder total em desmatamento, mostra novo
estudo
As florestas tropicais do mundo todo encolheram o equivalente
a mais de um Estado de São Paulo entre 2000 e 2005. E quase metade
dessa destruição aconteceu --onde mais?-- no Brasil. Os
dados são de um estudo americano publicado na edição
de hoje da revista "PNAS". Eles mostram que, nesses cinco anos,
o país foi campeão de área absoluta desmatada e de
velocidade de devastação. A análise, justiça
seja feita, não capturou todo o período no qual o desmatamento
esteve em queda no país (entre julho de 2004 e agosto de 2007).
Mesmo assim, com 3,6% de perda na Amazônia em relação
ao total de floresta que havia em pé no ano 2000, o país
ganhou até da Indonésia --dona da indústria madeireira
mais predatória do mundo.
Na África, onde a pressão do agronegócio
industrial ainda não chegou, a taxa foi de 0,8%. O estudo, liderado
por Mathew Hansen, da Universidade do Estado de Dakota do Sul, contabilizou
272 mil quilômetros quadrados de florestas perdidas na América
Latina, na África e no Sudeste Asiático. A fatia do leão
coube ao Arco do Desmatamento brasileiro, em especial Mato Grosso. "Por
área, o Brasil responde por 47,8% de toda a derrubada de florestas
tropicais, quase quatro vezes mais do que o segundo maior [desmatador],
a Indonésia, que tem 12,8% do total", dizem os pesquisadores.
Apesar de sistemas de monitoramento do desmatamento não serem novidade
nenhuma para um país como o Brasil, o novo trabalho é um
dos primeiros a estipular a área desmatada nesse bioma no mundo
todo.
Esse tipo de monitoramento é crucial numa época
em que o mundo reconhece a importância do desmatamento como fonte
de gases-estufa e que países tropicais pleiteiam receber dinheiro
na forma de créditos de carbono por controlá-lo. "Muitos
países não têm sistemas como o do Brasil, então
a abordagem pode ser útil na capacitação para monitorar
florestas", disse à Folha Ruth DeFries, da Universidade de
Maryland, co-autora do estudo. DeFries e colegas desenvolveram uma metodologia
que combina imagens dos satélites Modis (mais rápidos) e
Landsat (mais preciso). Em vez de olhar imagem por imagem de país
por país, o grupo pegou uma amostra limitada de imagens e extrapolou
o desmatamento para regiões vizinhas. "É uma abordagem
estatística" diz Carlos Souza Jr., do Imazon (Instituto do
Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que já trabalhou com
DeFries. Segundo ele, a correlação encontrada pelo grupo
foi "muito boa". Ou seja, a notícia é muito ruim.
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