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BRASIL: 27/06/2008
Leigos
Ser igreja «Construindo» o Mundo
Entrevista com o professor Ramiro
Pellitero
Aos leigos corresponde a evangelização
através dos valores humanos e sociais, da competência profissional
e da amizade, da vida familiar e da colaboração na busca
do bem comum e da justiça. Quem o afirma nesta entrevista é
o teólogo Ramiro Pellitero, que escreveu um livro sobre o laicato,
«Ser Igreja fazendo o mundo. Os leigos na nova evangelização»
(Editora Promessa, São José de Costa Rica, 2008). Ramiro
Pellitero (Leon, 1956) é doutor em Teologia pela Universidade de
Navarra, onde é professor de Eclesiologia e Teologia Pastoral.
– «Ser Igreja fazendo o mundo»:
que quis oferecer com este livro?
– Pellitero: Quis apresentar as
questões fundamentais que afetam a teologia e a pastoral, referentes
aos fiéis leigos. Como todos os demais fiéis, estão
incorporados a Cristo desde o batismo. Em seu caso, participam das funções
de Cristo de acordo com a índole secular, característica
teológica da condição leiga. Ou seja, buscam a santidade
e participam no apostolado da Igreja precisamente através de seu
trabalho profissional, da vida familiar e da intervenção
na vida social, cultural e política. Também para tudo isso,
o Espírito Santo os enriquece com multidão de carismas ao
serviço da missão da Igreja.
– Qual é em concreto a contribuição
específica dos leigos à evangelização?
– Pellitero: Como digo, a participação
dos leigos na evangelização deve compreender-se a partir
do batismo e dos carismas que recebem e acolhem livremente, para a edificação
da Igreja e o serviço do mundo. Eles estão como naturalmente
inseridos no mundo, na sociedade civil. Esse é o «lugar»
próprio onde desenvolvem sua vocação batismal e o
objetivo principal, se quer chamar específico, de sua missão.
O Concílio Vaticano II resume essa missão dizendo que lhes
corresponde a ordenação das realidades temporais ao Reino
de Deus.
Ou seja, a evangelização através
dos valores humanos e sociais, da competência profissional e da
amizade, da vida familiar e da colaboração na busca do bem
comum e da justiça. Tudo isso de acordo com os dons e carismas,
muito variados, que recebem. Como todos os fiéis cristãos,
é lógico que também os leigos participem mais ou
menos intensamente, de acordo com suas possibilidades e preferências,
em tarefas como a catequese e a educação dos jovens, nas
celebrações paroquiais, a atenção aos pobres
e aos enfermos, a orientação familiar e outras colaborações
pastorais muito diversas.
– Que laço há entre o Espírito
Santo e a missão dos cristãos?
– Pellitero: O Espírito
Santo é o princípio da unidade e da vida da Igreja. Atua
nos sacramentos e nos carismas, em ordem a que todos os cristãos
realizem a missão que Cristo lhes encomendou, sob a guia da Hierarquia.
Agora, a vida e a missão da Igreja não devem ser entendidas
como uma atividade rígida e uniforme, mas como uma sinfonia, onde
cabem e devem escutar-se melodias e instrumentos diversos, sob a autoridade
do Colégio Episcopal. Deste modo, os carismas garantem a comunhão,
ou seja, a unidade na diversidade.
– Qual é o compromisso dos fiéis
leigos para uma civilização do amor?
– Pellitero: Poderia resumir dizendo
que seu compromisso é a transformação da cultura
contemporânea, por meio de sua coerência e sua presença
na sociedade, com a santificação da vida ordinária:
o trabalho, as relações famílias e de amizade...
o serviço especialmente aos mais necessitados e sua participação
na vida cultural e política.
Zenit
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