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BRASIL: 23/06/2008
Contracepção
Controle de natalidade ou ainda contracepção
é o regime de uma ou mais ações, dispositivos ou
medicamentos de modo a prevenir ou reduzir a propensão de uma mulher
se tornar grávida ou dar à luz. Estas ações,
também conhecidas como métodos anticoncepcionais, são
fundamentais hoje em dia para o planejamento familiar. O controle de natalidade
é um assunto politicamente e eticamente controverso em muitas culturas
e religiões, e embora seja menos controverso que o aborto especificamente,
ainda enfrenta a oposição de muitas pessoas. Existem vários
graus de oposição, incluindo aqueles que são contra
todas as formas de controle de nascimento que não usam a abstinência
sexual; aqueles que são contra todas as formas de controle de nascimento
que eles consideram "não-naturais", enquanto permitem
o controle de natalidade natural; e aqueles que apóiam a maioria
das formas de controle de natalidade que previnem a fertilização,
mas são contrários a qualquer método de controle
de natalidade que previna que um embrião fertilizado se fixe no
útero e inicie a gravidez.
Contracepção e superpopulação
A contracepção é defendida por alguns
grupos como modo de controle do aquecimento global e superpopulação.
A população humana já se aproxima das sete bilhões
de pessoas e por conseguinte estes grupos acreditam que há a necessidade
de planejamento familiar para controlar a explosão demográfica,
desta forma diminuindo a devastação e esgotamento dos recursos
naturais do meio ambiente. Mais habitantes no mundo causariam níveis
mais elevados de emissão de CO2, que alterariam a composição
da atmosfera, desta forma aumentando o aquecimento global. Um destes grupos
afirma que é muito mais fácil, rápido e barato distribuir
preservativos para as pessoas do que tentar controlar a emissão
de CO2 através das estratégias atuais, cujo custo é
muito mais elevado.
Contracepção e aborto
Geralmente acredita-se que a contracepção
se diferencia do aborto por interromper a gravidez antes do início
da vida. Entretanto, não há um consenso sobre qual seria
esse momento, o que leva a um complexo debate ético, já
que a contracepção, em certos momentos, pode ser definida
como aborto.
A origem deste debate, é o fato de diferentes
grupos utilizarem seus próprios argumentos para definir o momento
em que a vida se inicia:
• Fecundação - é o momento
em que o espermatozóide e o óvulo se unem, completando a
carga genética necessária ao desenvolvimento do embrião;
• Nidação - é o momento em
que o zigoto (óvulo fecundado) se fixa ao endométrio (parede
do útero) e é o momento geralmente tomado como referência
em Medicina para distinguir o limite entre contracepção
e aborto;
• Duas semanas - é o momento do início
da formação do sistema nervoso, sendo utilizado como referência
ao início da vida por uma analogia oposta à definição
de morte, que seria a perda irreversível do funcionamento do cérebro;
• Seis semanas - é o momento em que surgem
as primeiras células do sistema sangüíneo, que definiriam
na Bíblia o início da vida (Levítico 17:11 "Porque
a vida da carne está no sangue");
A discórdia entre estes grupos faz com que medicamentos
que são considerados pelos governos dos países como contraceptivos
(como os contraceptivos de emergência, a "pílula do
dia seguinte") sejam considerados por uma parcela da população
como medicamentos abortivos.
Em um levantamento realizado pelo governo federal do
Brasil, no qual foram ouvidas 2,1 mil pessoas em 131 municípios
de 25 estados de todas as regiões do país, 91% dos entrevistados
consideraram positivo oferecer métodos anticoncepcionais nas unidades
do Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas 3% dos entrevistados
acharam isso negativo.
História
Provavelmente os métodos mais antigos de contracepção
(com exceção da abstinência sexual) são o coito
interrompido, alguns métodos de barreira, a lavagem vaginal e métodos
com o uso de ervas. O coito interrompido (a retirada do pênis da
vagina antes da ejaculação) provavelmente antecedeu todos
os outros métodos de controle de natalidade. Uma vez que se tenha
relacionado a liberação do sêmen no interior vagina
com a posterior gravidez, alguns homens começaram a usar esta técnica.
Este não é um método particularmente confiável
de evitar a gravidez, já que poucos homens têm o auto-controle
para praticar corretamente este método em cada uma das relações
sexuais. Embora geralmente acredita-se que o fluido pré-ejaculatório
pode causar a gravidez, diversas pesquisas mostraram que este líquido
não contém espermatozóides viáveis na primeira
ejaculação, entretanto pode ser um meio de transporte para
os espermatozóides da ejaculação anterior.
Existem registros históricos de que as mulheres
egípcias usavam um pessário (um supositório vaginal)
feito de várias substâncias ácidas (vindas supostamente
do estrume do crocodilo) e lubrificado com mel ou óleo, o que pode
ter sido um tanto eficaz como espermicida. Entretanto, é importante
frisar que os espermatozóides como células germinativas
não foram descobertos até que Anton van Leeuwenhoek inventasse
o microscópio no século XVII, logo os métodos de
barreira empregados antes dessa época eram usados sem o conhecimento
dos detalhes do concepção. As mulheres asiáticas
podem ter usado o papel banhado a óleo como um capuz cervical,
e as européias a cera das abelhas para esta finalidade. O preservativo,
que surgiu por volta do século XVII, era feito inicialmente de
uma tira do intestino de um animal. Ele não era popular, nem tão
eficaz quanto os preservativos modernos de látex, mas foi empregado
como meio de contracepção e na esperança de evitar
a sífilis, que era extremamente temida e devastadora antes da descoberta
dos medicamentos antibióticos.
Várias drogas abortíferas foram utilizadas
durante toda a história humana, embora muitos não associassem
o aborto induzido com o termo "controle de natalidade". Uma
planta abortífera que se relatava ter níveis baixos de efeitos
colaterais - Silphium - foi colhida até sua extinção
em torno do século I . Muitas mulheres ingeriam determinados venenos
para causar distúrbios no sistema reprodutivo; bebendo soluções
que contêm o mercúrio, o arsênico ou outras substâncias
tóxicas para esta finalidade. O ginecologista grego Soranus no
século II sugeria que as mulheres bebessem a água da qual
os ferreiros tinham usado para resfriar o metal. As ervas atanásia
(Tanacetum vulgare) e o Poejo são bem conhecidas pelo folclore
como agentes abortíferos, mas estas ervas na verdade funcionam
pois envenenam a mulher. Os níveis de compostos químicos
nestas ervas que induzem o aborto são bastante altos, danificando
o fígado, rins e outros órgãos, tornando-as muito
perigosas.
No entanto, naqueles tempos o risco de morte materna
por complicações no pós-parto era alto, o que tornava
o risco de efeitos colaterais dos métodos anticoncepcionais e abortivos
existentes comparativamente menos significativos. O fato de que vários
métodos eficazes do controle de natalidade eram conhecidos no mundo
antigo contrastava fortemente com uma ignorância aparente destes
métodos por diversos segmentos da adiantada população
da Europa cristã moderna. Esta ignorância continuou em alto
grau no século XX, e foi acompanhada por taxas de nascimento extremamente
elevadas em países europeus durante os séculos XVIII e XIX.
Alguns historiadores atribuíram isto a uma série das medidas
coercivas decretadas pelos estados modernos emergentes, em um esforço
de repovoar a Europa após a catástrofe populacional causada
pela peste negra, começando em 1348.
De acordo com este ponto de vista, a caça às
bruxas eram a primeira medida que o estado moderno adotou em uma tentativa
de eliminar o conhecimento sobre o controle de natalidade da população,
e manter estas informações nas mãos de especialistas
médicos masculinos (ginecologistas) empregados pelo estado. Antes
da caça às bruxas, não se ouvia falar em ginecologistas
masculinos, porque o controle de nascimento era naturalmente um domínio
feminino. Alguns apresentadores em conferências de planejamento
familiar narram um conto sobre comerciantes árabes que introduziram
pequenas pedras nos úteros de seus camelos a fim impedir a gravidez,
um conceito muito similar ao DIU moderno. Embora a história seja
repetida como uma verdade, não se tem nenhuma base histórica
e só tem como finalidade o entretenimento da platéia. Os
primeiros dispositivos inter-uterinos (contidos na vagina e no útero)
foram introduzidos no mercado inicialmente em torno de 1900.
O primeiro dispositivo intra-uterino moderno (contido
inteiramente no útero) foi descrito em uma publicação
alemã em 1909, embora o autor parece nunca ter disponibilizado
no mercado seu produto. O método rítmico, mais conhecido
como o método da tabelinha, (com uma taxa de falha particularmente
elevada de 10% por o ano) foi desenvolvido no início do século
XX, quando os pesquisadores descobriram que a ovulação de
uma mulher ocorre somente uma vez no ciclo menstrual. Somente após
a metade do século XX, quando os cientistas compreenderam melhor
o funcionamento do ciclo menstrual e dos hormônios que o controlavam,
foram desenvolvidos os contraceptivos orais e os métodos modernos
de monitorização da fertilidade.
Métodos
Aviso Médico
Atualmente existe uma ampla disponibilidade de métodos
anticoncepcionais (contraceptivos), tanto para homens quanto para mulheres,
que previnem uma gravidez. Variam desde métodos mais simples, como
os comportamentais, até métodos mais complexos que envolvem
cirurgias. A escolha do método anticoncepcional deve ser sempre
personalizada. Deve-se levar em conta fatores pessoais como idade, números
de filhos, compreensão e tolerância ao método, desejo
de procriação futura e a presença de doenças
crônicas que possam se agravar com a utilização de
determinado método. Como todos os métodos têm suas
limitações, é importante que o usuário tenha
conhecimento de quais são elas, para que eventualmente possa optar
por um dos métodos. As maiores limitações dos métodos
mais seguros (que possuem pequenas taxas de falha) são a manutenção
da possibilidade de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.
Nestes casos, a fim de se manter uma relação sexual segura,
eles devem ser usados em conjunto com um método de barreira (leia
abaixo os tipos diferentes de métodos) como o preservativo, por
exemplo.
Métodos físicos
Métodos de contracepção
de barreira
Os métodos de barreira impõem um obstáculo
físico para dificultar ou impedir o movimento dos espermatozóides
em direção ao trato reprodutivo feminino. O método
de barreira mais popular é o preservativo masculino, uma cobertura
de látex ou poliuretano colocada sobre o pênis. O preservativo
também está disponível na versão feminina,
que é feita de poliuretano. O preservativo feminino tem um anel
flexível em cada extremidade — um permanece atrás
do osso púbico, mantendo o preservativo em seu lugar, enquanto
o outro permanece fora da vagina. Barreiras cervicais são dispositivos
que são inseridos por completo no interior da vagina. O capuz cervical
é a menor barreira cervical. Ele se mantém no lugar por
sucção ao cérvix (colo do útero) ou às
paredes vaginais. O escudo de Lea é uma barreira cervical mais
larga, também mantida na posição por meio de sucção.
O diafragma é um anel flexível, coberto por uma membrana
de borracha fina, que a mulher deve colocar na vagina, para cobrir o colo
do útero. Deve ser usado preferencialmente em conjunto com um espermicida.
Como há vários tamanhos de diafragma, a mulher deve consultar
seu ginecologista para verificar qual tamanho se ajusta melhor à
medida do seu colo do útero. A esponja contraceptiva é uma
pequena esponja embebida em espermicida, que possui uma depressão
para segurá-la no lugar sobre o colo uterino. O espermicida contido
nela é normalmente ativado mediante o contato com água corrente.
Deve ser inserida pouco antes da relação sexual.
Métodos hormonais
Existe uma ampla variedade de métodos de contracepção
hormonal que interferem no ciclo ovariano às custas da administração
de hormônios (geralmente sintéticos) que impedem a ovulação.
Geralmente são utilizadas combinações de estrógeno
sintético e progestinas (formas sintéticas da progesterona)
nos contraceptivos hormonais. Estes incluem a pílula anticoncepcional
("A Pílula"), o Adesivo, e o anel vaginal contraceptivo
("NuvaRing"). A Cyclofemina (Lunelle) é uma injeção
mensal. Outros métodos contêm somente uma progestina (um
progestágeno sintético). Estes incluem a pílula exclusivamente
de progesterona (a PEP ou 'mini pílula'), Depo Provera (acetato
de medroxiprogesterona) administrado através de injeção
intramuscular a cada três meses, e Noristerat (acetato de noretisterona),
que também é administrado através de injeção
intramuscular, porém a cada 8 semanas. Existe também estradiol
e algestona aplicado sempre no 8o dia do inicio da menstruação
e se chama PERLUTAN, com mais de 20 anos no mercado é o contraceptivo
injetável mais prescrito e vendido na America Latina. A pílula
exclusivamente de progesterona deve ser tomada em horários mais
precisos do dia do que as pílulas combinadas. Um contraceptivo
de implante chamado Norplant foi removido do mercado em 2002, embora um
novo implante chamado Implanon foi aprovado para a comercialização
em 17 de Julho de 2006. Os diversos métodos que incluem exclusivamente
a progestina podem causar menstruações com sangramento irregular
por vários meses.
Ormeloxifeno (Centchroman)
Ormeloxifeno (Centchroman) é um modulador seletivo
do receptor de estrógeno (MSRE). Ele faz com que a ovulação
ocorra de forma não sincronizada com o espessamento do endométrio,
prevenindo assim a implantação de um zigoto. Tem sido amplamente
disponível como método contraceptivo na Índia desde
o início dos anos 90, comercializado sob a marca de Saheli®.
O ormeloxifeno está disponível legalmente somente na Índia.
Métodos intra-uterinos
Os Intra-uterinos são dispositivos que são
colocados dentro do útero. Geralmente têm a forma de "T"
— os braços do T seguram o dispositivo em seu lugar no interior
do útero. Nos Estados Unidos, todos os dispositivos colocados dentro
do útero para prevenir a gravidez são referidos como DIUs.
No Reino Unido é feita uma distinção entre DIUs e
SIUs. Isso provavelmente se deve ao fato de que existem sete tipos diferentes
de DIUs disponíveis no Reino Unido, em comparação
aos dois vendidos nos Estados Unidos. Dispositivos Intra-Uterinos ("DIUs")
contêm cobre (que tem efeito espermicida). Sistemas Intra-Uterinos
("IUS") liberam progesterona ou uma progestina.
Contracepção de emergência
Algumas das pílulas anticoncepcionais combinadas
e pílulas exclusivamente de progestágenos (PEPs) podem ser
tomadas em altas doses para prevenir a gravidez após a falha de
um método contraceptivo (como o rompimento da camisinha, por exemplo)
ou após uma relação sexual desprotegida. Esta técnica
é conhecida também como método de Yuzpe. A contracepção
de emergência hormonal é também conhecida como a "pílula
do dia seguinte", embora seu uso pode ser feito até três
dias após a relação sexual. Os dispositivos intra-uterinos
de cobre também podem ser usados como contracepção
de emergência. Para este uso, eles devem ser inseridos dentro de
cinco dias após a falha do método de contracepção
ou relação sexual desprotegida.
Aborto induzido
O aborto pode ser feito através de procedimentos
cirúrgicos, normalmente aborto via sucção ou aspiração
(no primeiro trimestre) ou dilatação e evacuação
no segundo trimestre. O aborto médico utiliza drogas para encerrar
uma gravidez e é aprovado para aquelas de menos de oito semanas
de gestação. Acredita-se que algumas ervas podem causar
aborto. Algumas pesquisas provaram a eficácia de algumas dessas
substâncias, mas o uso de ervas para induzir o aborto não
é recomendado, devido ao risco de sérios efeitos colaterais.
O uso de aborto como controle de natalidade é um assunto controverso,
sujeito a debates éticos.
Esterilização
A esterilização cirúrgica está
disponível na forma de ligadura de trompas (laqueadura) para mulheres
e vasectomia para homens, servindo para interromper definitivamente a
capacidade reprodutiva. A reversão através de outra cirurgia
é possível, mas não é garantida. Um procedimento
de esterilização não-cirúrgico, o Essure,
também está disponível para mulheres.
Ligadura de trompas
As trompas de Falópio (tubas uterinas), que ligam
os ovários ao útero, são cortadas ou ligadas cirurgicamente
neste método contraceptivo. A laqueadura ou ligadura de trompas
é o método de esterilização feminina caracterizado
pelo corte e/ou ligamento cirúrgico das trompas de Falópio
(tubas uterinas), que fazem o caminho dos ovários até o
útero. Assim, os óvulos não conseguem passar para
dentro do útero, não se encontrando com os espermatozóides,
e, conseqüentemente, não há a fecundação.
É um procedimento seguro que pode ser feito de várias maneiras,
sendo necessário internação e anestesia geral ou
regional. O procedimento pode ser reversível através de
uma cirurgia mais complexa que a anterior. É considerada um método
anticoncepcional indicado somente para mulheres que já estão
plenamente decididas a não ter mais filhos.
Vasectomia
A vasectomia consiste no corte e sutura dos canais deferentes.
A vasectomia consiste em uma pequena cirurgia na altura das virilhas onde
é feita a ligadura dos canais deferentes, os ductos que levam os
espermatozóides produzidos nos testículos até o pênis.
Após a cirurgia devem ser realizados exames para confirmar a ausência
de espermatozóides no esperma, que ainda é produzido e ejaculado.
A vasectomia não interfere na potência sexual e na produção
dos hormônios sexuais nos testículos. O procedimento pode
ser reversível dependendo do sucesso na cirurgia, contudo os especialistas
indicam que o homem só deve fazer vasectomia se já estiver
plenamente decidido a não ter mais filhos. Uma pesquisa realizada
por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelou que
os homens submetidos à vasectomia revelaram estar satisfeitos com
o método simples, rápido e gratuito de esterilização.
Comparada aos métodos femininos de contracepção,
a cirurgia ainda é pouco realizada no Brasil.
Métodos comportamentais
São os métodos contraceptivos em que se
utilizam mudanças comportamentais conscientes para eliminar ou
minimizar o risco de promover uma gravidez indesejada. Estes métodos
se caracterizam por não utilizarem dispositivos ou medicamentos.
Métodos de monitorização
da fertilidade
Variação da temperatura corporal basal
durante o ciclo menstrual feminino. A mulher que anotar estes dados pode
saber o momento exato de sua ovulação. Note o aumento da
temperatura durante a ovulação, no dia 14. Os métodos
de monitorização da fertilidade envolvem a observação
e registro dos principais sinais de fertilidade que o corpo da mulher
fornece, para determinar as fases férteis e inférteis de
seu ciclo menstrual. O sexo não-protegido é restrito somente
ao período menos fértil. Durante o período mais fértil,
os métodos de barreira podem ser utilizados ou a mulher pode manter
abstenção do ato de fazer sexo.
Os diferentes métodos registram um ou
mais dos três principais sinais de fertilidade:
- mudanças na temperatura corporal basal, no muco
cervical (secreção vaginal) e na posição cervical,
embora a posição cervical seja usada mais freqüentemente
como uma referência cruzada com outro ou os dois outros sinais corporais
de fertilidade.
Se uma mulher acompanha tanto a temperatura basal corporal
quanto outro sinal principal, o método é chamado de sintotérmico.
Outras dicas do corpo como o mittelschmerz são consideradas indicadores
secundários. A mulher pode registrar estes eventos de seu corpo
em um papel ou com um software. O termo planejamento familiar natural
é usado às vezes para se referir a qualquer uso dos métodos
de monitorização da fertilidade. Entretanto, o termo especificamente
se refere a práticas que são permitidas pela Igreja Católica
Romana - o método lactacional (infertilidade durante a amamentação)
e abstinência sexual periódica durante os períodos
férteis. Os métodos de monitorização da fertilidade
podem ser usado por usuários do planejamento familiar natural para
identificar estes períodos férteis.
Métodos estatísticos
Os métodos comportamentais estatísticos
se baseiam na duração dos ciclos menstruais passados para
estipular os dias em que a mulher não estará fértil.
Os métodos estatísticos como o Método Rítmico
(mais conhecido como "tabelinha", ou método do calendário)
são diferentes dos métodos de monitorização
da fertilidade, de modo que eles não envolvem a observação
e registro dos sinais (dicas) que o corpo dá sobre sua fertilidade.
Ao contrário, os métodos estatísticos estimam a propensão
da fertilidade baseados na duração dos ciclos menstruais
passados. Os métodos estatísticos são muito menos
precisos que os métodos de monitorização da fertilidade,
sendo considerados, por muitos estudiosos, métodos obsoletos há
pelo menos vinte anos.
Coito interrompido
Coito interrompido (literalmente "sexo interrompido"),
também conhecido como o método da retirada, é a prática
de terminar a relação sexual antes da ejaculação.
O principal risco do coito interrompido é aquele de que o homem
não consiga administrar bem o tempo de sua ejaculação.
Embora haja uma preocupação crescente sobre o risco de gravidez
pelos espermatozóides contidos no fluido pré-ejaculatório
(o líquido expelido pelo pênis no período de excitação
que antecede o orgasmo), diversos estudos até o momento não
obtiveram êxito em encontrar algum espermatozóide viável
no fluido.
Evitando relação vaginal
O risco de gravidez do sexo sem penetração
vaginal, como o sexo anal ou sexo oral, é baixo. Há uma
remota possibilidade de que o sêmen escorra para a vulva durante
o sexo sem penetração ou durante o sexo anal, ou que venha
a entrar em contato com a vagina pouco depois através de um meio
ou objeto que o transporte, como a mão. De qualquer forma, este
método requer disciplina para prevenir que sua progressão
para uma relação sexual com penetração aconteça.
Abstinência
A abstinência sexual é a prática
de abster-se de todas atividades sexuais. Assim como a decisão
de não ter relações vaginais, a intenção
de se manter abstinente pode não prevenir a gravidez, devido ao
nível de disciplina exigido. Além disso, uma atividade sexual
sem consentimento como o estupro pode não ser evitada, resultando
em gravidez. Com exceção destas situações,
este método é o único método contraceptivo
totalmente eficaz e seguro que evita a gravidez e as DSTs, se for mantido
total disciplina, pois elimina totalmente o contato entre as genitálias,
assim como o contato do sêmen com a genitália feminina.
Lactacional
A maioria das mulheres que estão amamentando tem
um período de infertilidade após o nascimento de sua criança.
O método de amenorréia lactacional é composto por
diversas orientações que auxiliam a determinação
da duração do período de infertilidade durante a
amamentação de uma mulher. É importante lembrar que
este período de infertilidade varia de mulher para mulher e que
durante a amamentação a mulher deve utilizar meios contraceptivos
para evitar uma nova gravidez e a eventual suspensão da produção
do leite materno.
Métodos em desenvolvimento
Contraceptivos masculinos experimentais
Muitas pesquisas vêm sendo feitas em diversas substâncias
que têm potencial para ser contraceptivos orais masculinos, implantes
ou injeções que possam ser usados como contraceptivos hormonais
masculinos.
Disponibilidade
No Brasil, a rede pública de saúde disponibiliza
os seguintes dispositivos/métodos contraceptivos gratuitamente:
preservativo masculino, diafragma, DIU (Dispositivo Intra-Uterino), pílulas
anticoncepcionais combinadas, minipílulas, anticoncepcional hormonal
injetável, pílula anticoncepcional de emergência ("do
dia seguinte"), laqueadura e vasectomia. Em pesquisa realizada no
Brasil, apenas 25% dos entrevistados relataram que tiveram acesso a algum
método contraceptivo por meio dos postos do SUS ou do Programa
Saúde da Família. Somente 9% disseram ter utilizado os serviços
públicos para esterilização e apenas 2% para receber
a "pílula do dia seguinte".
Técnicas controversas, não recomendadas
e conceitos errados
• A idéia de que se fazer uma lavagem vaginal
imediatamente após a atividade sexual pode ser um método
contraceptivo é controversa, não sendo recomendada pelas
autoridades de saúde para este fim. Pode parecer uma idéia
lógica tentar lavar a ejaculação para fora da vagina,
mas isso pode não funcionar. Devido à natureza dos fluidos
e à estrutura reprodutora feminina, a lavagem pode impulsionar
sêmen para o interior do útero. Pode haver uma ação
espermicida no caso da lavagem ser feita com uma solução
ácida ou com a água clorada normalmente distribuída
nos encanamentos de todas as cidades e por conseguinte disponível
nos chuveiros porém não existe comprovação
científica de que este é um método com eficiência
confiável. Além disso, aumenta a possibilidades de que ocorra
infeções vaginas, risco esse que é aumentado com
uso de surfactante como sabão e detergentes, outro ponto é
uso de um fômite por várias mulheres usarem a mesma mangueirinha
de chuveiro para fazer essa lavagem vaginal facilita o surgimento de doenças
como a vaginose bacteriana e aumenta o risco de se adquirir doenças
sexualmente transmissíveis..
• A introdução na vagina de uma garrafa
de Coca-Cola após agitação logo após a ejaculação
não é um método de controle de natalidade confiável,
podendo também promover a candidíase.
• É um mito que uma mulher não pode
ficar grávida na primeira vez que ela realiza o ato sexual.
• Apesar das mulheres terem um período menos
fértil nos primeiros dias da menstruação, [19]é
um mito que uma mulher não possa ficar grávida se fizer
sexo durante este período. (ver tabelinha)
• Praticar sexo em uma banheira com água
quente não impede a gravidez, mas pode contribuir com as infecções
vaginal.
• Embora algumas posições sexuais
possam facilitar a gravidez, nenhuma posição sexual impede
a gravidez.
Praticar sexo de pé ou com a mulher em cima do
homem não impede a entrada do esperma no útero. A força
de ejeção da ejaculação, as contrações
do útero causadas pelas prostaglandinas no sêmen, assim como
a habilidade dos espermatozóides de nadar, são fatores que
superam a força gravitacional.
• Espirrar ou urinar após o ato sexual também
é uma pratica completamente ineficaz para a contracepção.
• Pasta de dente não pode ser usada como
um contraceptivo eficaz.
Efetividade
A efetividade dos métodos de contracepção
é medida pela quantidade de mulheres que se tornam grávidas
usando um determinado método contraceptivo em um ano. Logo, se
100 mulheres usarem um um método que tem uma taxa de 12% de falha,
então, em algum momento durante aquele ano, 12 destas mulheres
deverão engravidar, segundo as estatísticas. Os métodos
mais efetivos são geralmente aqueles que não dependem de
uma ação regular realizada pela(o) usuária(o). A
esterilização cirúrgica, Depo-Provera, implantes,
e dispositivos intra-uterinos (DIUs) têm todos taxas de falha menores
do que 1% ao ano para um uso perfeito. O Depo-Provera tem uma taxa de
falha no uso típico de 3%, ao passo que a esterilização,
implantes e DIUs têm uma taxa de falha no uso típico menor
do que 1%.
Outros métodos podem ser considerados altamente
eficientes se forem usados consistentemente e corretamente, mas podem
apresentar taxas de falha no uso típico que são consideravelmente
altas devido ao uso incorreto ou ineficiente pelo usuário. Os contraceptivos
hormonais, métodos de monitorização da fertilidade
e o método de amenorréia lactacional, se usados corretamente,
têm taxas de falha de menos de 1% ao ano. A taxa de falha do uso
típico dos contraceptivos hormonais podem ser até 8% ao
ano. Os métodos de monitorização da fertilidade como
um todo possuem taxas de falha de uso típico de até 25%
ao ano; entretanto, como citado acima, o uso perfeito destes métodos
reduz a taxa de falha para menos que 1%.
Os preservativos (camisinhas) e barreiras cervicais como
o diafragma possuem taxas de falha do uso típico semelhantes (15,0%
e 16%, respectivamente), mas para o uso perfeito o preservativo é
mais eficiente (2% de falha contra 6%), além de possuir a característica
adicional de prevenir a contaminação de doenças sexualmente
transmissíveis, como a AIDS. O método do coito interrompido
(retirar o pênis da vagina logo antes da ejaculação),
se usado consistentemente e corretamente, possui uma taxa de falha de
4%. Devido a dificuldade de se usar o método do coito interrompido
consistentemente e corretamente, ele possui uma taxa de falha de uso típico
de 27% e não é recomendado por alguns médicos, embora
outros acreditam que este método precisa de mais defensores.
Proteção contra infecções
sexualmente transmissíveis
Nem todos os métodos de contracepção
oferecem proteção contra as infecções sexualmente
transmissíveis. Só a abstinência de todas as formas
de comportamento sexual humano pode proteger contra a transmissão
sexual destas infecções. O preservativo masculino de látex
(camisinha) oferece alguma proteção contra algumas das doenças
se for usado corretamente e consistentemente, assim como o preservativo
feminino, embora o feminino só tenha sido aprovado para o sexo
vaginal. O preservativo feminino pode oferecer maior proteção
contra infecções sexualmente transmissíveis que passam
através do contato pele-com-pele, já que o anel externo
do preservativo cobre mais a porção de pele exposta que
o preservativo masculino, e isso pode ser usando durante o sexo anal para
proteger contra infecções sexualmente transmissíveis.
Entretanto, o preservativo feminino pode ser difícil
de ser usado. Freqüentemente a mulher pode não inserir ele
adequadamente, mesmo que ela acredite que o está usando corretamente.
Os outros métodos de contracepção não oferecem
uma proteção significante contra a transmissão sexual
de doenças. Entretanto, as chamadas infecções sexualmente
transmissíveis também pode ser transmitidas não-sexualmente,
e por conseguinte, a abstinência de comportamentos sexuais não
garante 100% de proteção contra infecções
sexualmente transmissíveis. Por exemplo, o vírus HIV da
AIDS pode ser transmitido através de agulhas contaminadas que podem
ser usadas para se fazer tatuagem, piercing ou injeções
médicas. Muitos profissionais da saúde adquirem o HIV no
seu dia-a-dia profissional através de feridas acidentais com agulhas
contaminadas.
Aspectos religiosos e culturais
Visões religiosas sobre o controle de
natalidade
As religiões variam amplamente nos seus pontos
de vista sobre a ética do controle de natalidade. No cristianismo,
a Igreja Católica Romana aceita somente o planejamento familiar
natural, ao passo que os Protestantes mantêm um amplo espectro de
ponto de vista desde a não-permissão até a permissão
muito branda. As visões no Judaísmo variam desde o judaismo
mais ortodoxo ao mais brando reformista. No Islã, os contraceptivos
são permitidos se eles não ameaçarem a saúde
ou levarem à esterilidade, embora o seu uso seja às vezes
desmotivado. Os hindus podem usar contraceptivos artificiais e naturais.
Em maio de 2007, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB), cardeal dom Geraldo Majella, criticou o programa de
educação sexual do governo brasileiro, dizendo que é
contra o programa, pois, como no caso do preservativo, este estimularia
a precocidade da criança e do adolescente. Afirmou também
que isto induz à promiscuidade.
Neste mesmo período, o Papa Bento XVI declarou
na 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina
e do Caribe (CELAM), em Aparecida (SP), que as leis civis que favorecem
e permitem o uso de anticoncepcionais e o aborto, presentes em alguns
países da América Latina, são uma ameaça "ao
futuro dos países da região".
Educação sobre o planejamento familiar
É um direito assegurado pela Constituição
Federal Brasileira e pela Lei Nº 9.263, que regulamenta o planejamento
familiar, o acesso das pessoas a informações, métodos
e técnicas para a concepção e para a anticoncepção,
cientificamente aceitos e que não coloquem em risco suas vidas
e saúde. Muitos adolescentes, mais comumente nos países
desenvolvidos, recebem algum tipo de educação sexual na
escola. Há uma grande contestação sobre qual informação
deve ser fornecida nestes programas, especialmente nos Estados Unidos
e Grã-Bretanha. Os possíveis assuntos incluem anatomia reprodutiva,
comportamento sexual humano, informações sobre as doenças
sexualmente transmissíveis (DSTs), aspectos sociais da interação
sexual, habilidades de negociação para ajudar os adolescentes
a tomar a decisão de seguirem abstinentes ou partirem para o uso
de um contraceptivo e informação sobre os métodos
contraceptivos existentes.
Em uma pesquisa [35] realizada pelo governo brasileiro
em todo território nacional, 74% dos entrevistados disseram que
aprovam a distribuição de preservativos entre adolescentes
com mais de 13 anos, que participam do programa de educação
sexual nas escolas, enquanto 16% desaprovam a ação. Existe
um tipo de programa de educação sexual, a educação
baseada somente na abstinência, que divulga a abstinência
sexual até a data do casamento, e não fornece informações
sobre controle de natalidade ou acaba enfatizando muito fortemente informações
negativas como as taxas de falha do uso dos contraceptivos. Pelo fato
da abstinência oferecer uma melhor proteção contra
a gravidez e doenças do que a atividade sexual mesmo com os melhores
métodos contraceptivos, os entusiastas do programa baseado somente
na abstinência acreditam que ele irá resultar em taxas menores
de gravidezes na adolescência e de infecções por DST.
Entretanto, alguns estudos mostraram que os programas de educação
sexual baseados somente na abstinência na verdade aumentam as taxas
de gravidezes e DSTs na população adolescente.
Aborto
Um aborto ou interrupção da gravidez é
a remoção ou expulsão prematura de um embrião
ou feto do útero. Isto pode ocorrer de forma espontânea ou
artificial, provocando-se o fim da gestação, mediante técnicas
médicas, cirúrgicas entre outras.
Após 180 dias (seis meses) de gestação,
quando o feto já é considerado viável, o processo
tem a designação de parto prematuro.
Através da história, o aborto foi provocado por vários
métodos diferentes e seus aspectos morais, éticos e legais
são objeto de intenso debate em diversas partes do mundo.
Terminologia
A palavra aborto tem sua origem etimológica no
latim abortus, derivado de aboriri ("perecer"), composto de
ab ("distanciamento", "a partir de") e oriri ("nascer").
Definições
Os seguintes termos são usados para definir
os diversos tipos de aborto a partir da óptica médica:
• Aborto espontâneo: aborto devido a uma
ocorrência acidental ou natural. A maioria dos abortamentos espontâneos
são causados por uma incorreta replicação dos cromossomos
e por fatores ambientais. Também por ser denominado aborto involuntário
ou casual.
• Aborto induzido: aborto causado
por uma ação humana deliberada. Também é denominado
aborto induzido, voluntário ou procurado, ou ainda, interrupção
voluntária da gravidez.
O aborto induzido possui as seguintes subcategorias:
- Aborto terapêutico
- aborto provocado para salvar a vida da gestante
- para preservar a saúde física ou mental da mulher
- para dar fim à gestação que resultaria numa criança
com problemas congênitos que seriam fatais ou associados com enfermidades
graves.
- para reduzir seletivamente o número de fetos para minorar a
possibilidade de riscos associados a gravidezas múltiplas.
Aborto eletivo: aborto provocado por
qualquer outra motivação.
Quanto ao tempo de duração da gestação
• Aborto subclínico: abortamento que acontece
antes de quatro semanas de gestação
• Aborto precoce: entre quatro e doze semanas
• Aborto tardio: após doze semanas
Aborto induzido ou interrupção
voluntária da gravidez
É o mais usado no mundo todo desde de 1974. O
aborto induzido, também denominado aborto provocado ou interrupção
voluntária da gravidez, ocorre pela ingestão de medicamentos
ou por métodos mecânicos. A ética deste tipo de abortamento
é fortemente contestada em muitos países do mundo. Os dois
polos desta discussão passam por definir quando o feto ou embrião
se torna humano ou vivo (se na concepção, no nascimento
ou em um ponto intermediário) e na primazia do direito da mulher
grávida sobre o direito do feto ou embrião.
Efeitos do aborto induzido
Existe controvérsia na comunidade médica
e científica sobre os efeitos do aborto. As interrupções
de gravidez feitas por médicos competentes são normalmente
seguras. Os métodos não médicos (p.ex. uso de certas
drogas, ervas, ou a inserção de objectos não-cirúrgicos
no útero) são potencialmente perigosos, conduzindo a um
elevado risco de infecção permanente ou mesmo à morte,
quando comparado com os abortos feitos por pessoal médico qualificado.
Existem, com variado grau de probabilidade, possíveis efeitos negativos
associados à prática abortiva, nomeadamente a hipótese
de ligação ao câncer de mama, a dor fetal, o síndroma
pós-abortivo. Possíveis efeitos positivos incluem redução
de riscos para a mãe e para o desenvolvimento da criança
não desejada.
Câncer da mama
O câncer da mama ligado ao aborto é uma
hipótese de relação causal entre o aborto induzido
e o risco de desenvolvimento de cancro da mama. No início da gravidez,
o nível de estrogénio aumenta, levando ao crescimento das
células mamárias necessário à futura fase
de lactação. A hipótese de relação
positiva entre câncer de mama e aborto sustenta que se a gravidez
é interrompida antes da completa diferenciação celular,
então existirão relativamente mais células indiferenciadas
vulneráveis à contracção da doença.
Esta hipótese, não é, contudo, validada cientificamente
por nenhuma organização de estudo e combate ao cancro, mas
tem vindo a ganhar defensores como o dr. Joel Brind.
Dor do feto
A existência ou ausência de sensações
fetais durante o processo de abortamento é hoje matéria
de interesse médico, ético e político. Diversas provas
entram em conflito, existindo algumas opiniões defendendo que o
feto é capaz de sentir dor a partir da sétima semana, enquanto
outros sustentam que os requisitos neuro-anatómicos para tal só
existirão a partir do segundo ou mesmo do terceiro trimestre da
gestação. Os receptores da dor surgem na pele na sétima
semana de gestação. O tálamo, parte do cérebro
receptora dos sinais do sistema nervoso e que liga ao córtex cerebral,
forma-se à quinta semana. Todavia, outras estruturas anatómicas
envolvidas no processo de sensação da dor ainda não
estão presentes nesta fase do desenvolvimento. As ligações
entre o tálamo e o córtex cerebral formam-se por volta da
23ª semana. Existe também a possibilidade de que o feto não
disponha da capacidade de sentir dor, ligada ao desenvolvimento mental
que só ocorre após o nascimento.
Síndroma pós-abortivo
Há médicos portugueses que duvidam da existência
do síndroma. Não existe nenhum estudo português publicamente
divulgado sobre o assunto e os que são apresentados, como os sugeridos
a seguir, não são publicados nas revistas médicas
internacionais de referência. O síndroma pós-abortivo
(PAS), conhecido também como síndroma pós-traumático
pós-abortivo ou por síndroma do trauma abortivo, é
um termo que designa um conjunto de características psicopatológicas
que alguns médicos dizem ocorrer nas mulheres após um aborto
provocado. Críticos alegam que estes sintomas são consequência
da proibição legal e/ou moral da interrupção
voluntária da gravidez e não do acto em si.
Mortalidade maternal
Uma gravidez, mesmo que desejada, tem riscos inerentes
directos para a mulher. Segundo o relatório da UNICEF sobre o tema
, o Brasil tem um Rácio de Mortalidade Maternal de cerca de 260
mortes por cada 100.000 nascimentos e 1 em cada 140 mulheres corre o risco
de morrer em consequência de uma gravidez; em Portugal a estimativa
é de cerca de 13 mulheres que morrem em cada 100.000 nascimentos,
e uma em cada 11.000 mulheres corre o risco de falecer em consequência
de uma gravidez. Para mais informações sobre estes valores
consultar o relatório indicado.
Mulheres grávidas vítimas de violência
Embora existam notícias indicando que muitas mulheres
grávidas morrem em consequência de actos violentos, aparentemente
não há dados conclusivos que cruzem esta informação
com o risco de morte geral das mulheres não-grávidas em
situações semelhantes.
Consequências a longo prazo para a criança
não desejada
Muitas pessoas consideram haver um risco maior de crianças
não desejadas (crianças que nasceram apenas porque a interrupção
voluntária da gravidez não era uma opção,
quer por questões legais, quer por pressão social) terem
um nível de felicidade inferior às outras crianças
incluindo problemas que se mantêm mesmo quando adultas, entre estes
problemas incluem-se:
• doença e morte prematura
• pobreza
• problemas de desenvolvimento
• abandono escolar
• delinquência juvenil
• abuso de menores
• instabilidade familiar e divórcio
• necessidade de apoio psiquiátrico
• falta de auto estima
Conseqüências para a sociedade
Em um estudo polêmico de Steven Levitt da University
of Chicago e John Donohue da Yale University associa a legalização
do aborto com a baixa da taxa de criminalidade na cidade de Nova York.
Procedimentos empregados para o aborto induzido
Segundo o Instituto Guttmacher, o aborto induzido ou
interrupção voluntária da gravidez tem um risco de
morte entre 0,2 a 1,2 em cada 100 mil procedimentos com cobertura legal
realizados em países desenvolvidos. Este valor é mais de
dez vezes inferior ao risco de morte no caso de continuar a gravidez.
Pelo contrário em países em desenvolvimento em que o aborto
é criminalizado as taxas são centenas de vezes mais altas
atingindo 330 mortes por cada 100 mil procedimetos.
Nos três primeiros meses da gestação
O aborto químico, também conhecido como
aborto médico ou aborto não-cirúrgico é aplicável
apenas no primeiro trimestre da gravidez e equivale a 10% de todas as
interrupções voluntárias da gravidez nos Estados
Unidos e Europa. Consiste na administração de fármacos
que provocam a interrupção da gravidez e a expulsão
do embrião. Nos casos de falha do aborto químico é
necessária aspiração do útero para completar
a interrupção da gravidez cirurgicamente. No procedimento
de aspiração uterina o médico introduz uma cureta
no útero da gestante para remover o feto. No caso de gestação
até 6 semanas a aspiração é manual utilizando
uma cânula flexível e não é necessário
dilatação cervical, sendo utilizado para resolver situações
como gravidez ectópica e molar quando apoiado em exames de ultra-sons.
No caso de gestações mais avançadas até 12
semanas é utilizado um aparelho de vácuo eléctrico
e os conteúdos do útero (incluindo o feto) são sugado
pelo equipamento. Em ambos os casos são procedimentos não-cirúrgicos,
realizado em 10 minutos, com muito baixo risco para a mulher (0.5% de
casos de infecção) e muito eficazes. No caso de não
ser possível a aspiração, recorre-se à curetagem.
Neste caso o médico, após alargar a entrada do útero
da paciente, introduz dentro dela a chamada cureta, que é um instrumento
cirúrgico cortante, em forma de colher. Servindo-se da cureta,
o médico retira todo o conteúdo do útero.
Após os três primeiros meses da
gestação
O procedimento de curetagem é aplicável
ainda no começo do segundo trimestre, mas se não for possível
terá de recorrer-se a métodos como a dilatação
e evacuação. Neste procedimento o médico promove
primeiro a dilatação cervical (um dia antes). Na intervenção
que é feita sob anestesia é inserido um aparelho cirúrgico
na vagina para cortar o feto em pedaços, e retirá-los um
a um de dentro do útero. No final é feita a aspiração.
O feto é remontado no exterior para para garantir que não
há nenhum pedaço no interior do útero que poderia
levar a infecção séria. Em raríssimas situações
(0.17% das IVGs realizadas nos EUA em 2000) o feto é removido intacto
numa operação que originou muita polémica nos EUA
sendo identificado como Partial Birth Abortion.
Outra alternativa é forçar prematuramente
o trabalho de parto.
Legislação
Dependendo do ordenamento jurídico vigente, o
aborto considera-se uma conduta penalizada ou despenalizada, atendendo
a circunstâncias específicas. As situações
possíveis vão desde o aborto considerado como um crime contra
a vida humana, à despenalização no caso de que a
grávida o peça.
Aborto no Brasil
O aborto no Brasil é tipificado como crime contra
a vida pelo Código Penal brasileiro.
O artigo 128 do Código Penal dispõe
que o crime de aborto é impunível nas seguintes hipóteses:
1. quando não há outro meio para salvar
a vida da mãe
2. quando a gravidez resulta de estupro.
O artigo 2º do código civil brasileiro estabelece,
desde a concepção, a proteção jurídica
aos direitos do nascituro, e o artigo 7º do Estatuto da Criança
e do Adolescente dispõe que a criança nascitura tem direito
à vida, mediante a efetivação de políticas
públicas que permitam o nascimento. Em 25 de setembro de 1992,
o Brasil ratificou a Convenção Americana de Direitos Humanos,
que dispõe, em seu artigo 4º, que o direito à vida
deve ser protegido desde a concepção. A Constituição
Federal do Brasil, no caput do seu artigo 5º, também estabelece
a inviolabilidade do direito à vida. Em julho de 2004, no processo
da ação de descumprimento de preceito fundamental n. 54/2004,
o Ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal,
concedeu tutela liminar autorizando a interrupção da gravidez
nos casos de anencefalia.
Todavia, esta decisão foi revogada em 20 de outubro
do mesmo ano pelo plenário do Tribunal. Até a presente data,
contudo, não há ainda julgamento do processo. Para a lei
e a jurisprudência brasileira, "pode ocorrer aborto desde que
tenha havido a fecundação" (STF, RTJ 120/104). É
importante ressaltar que a legalização do aborto, no Brasil,
ainda está em votação. A 13.ª Conferência
Nacional da Saúde ocorrida em Brasília, rejeitou, em 18
de novembro de 2007, proposta de legalização do aborto.
Cerca de 70% dos aproximadamente 5 mil delegados estaduais votaram contra
a descriminalização do aborto. Com este resultado o assunto
ficou fora do relatório final da conferência e não
será encaminhado ao governo como sugestão para as poíticas
públicas de saúde. Esta foi a segunda vez que a proposta
de descriminalização do aborto, apoiada abertamente pelo
governo federal foi derrubada. Na 12a. Conferência Nacional da Saúde,
realizada em 2003, a idéia foi também rejeitada.
Legislação
• Aborto com consentimento da gestante, artigo
126 do Código Penal brasileiro
• Aborto provocado por terceiro, artigo 125 do Código Penal
brasileiro
CANADÁ
Congresso Eucarístico
Papa encerrará Congresso Eucarístico Internacional via satélite
Com a homilia da missa de encerramento que pronunciou
ao vivo, via satélite desde Roma, o Papa Bento XVI fechou neste
domingo o 49.º Congresso Eucarístico Internacional, que desde
15 de junho passado se realizava em Québec, Canadá, com
o lema «A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo». A
celebração eucarística foi presidida às 11h
pelo delegado papal, cardeal Jozef Tomko, frente ao Museu de Belas Artes
de Québec. Contudo, as atividades começou às 8h com
um espetáculo de música e animação, e uma
procissão de 1.200 pessoas. Para poder ver o Santo Padre, os organizadores
colocaram telões em toda a área. As alternativas da missa
de encerramento podiam ser acompanhadas através do site www.ecdq.tv/en/videos/.
Nesta quinta-feira, realizou-se uma procissão com o Santíssimo
Sacramento pelas ruas da cidade de Québec, desde o Colisée
Pepsi até o Ágora do Porto Velho, um percurso que envolveu
cinco quilômetros. Foi precedida pelo «Tabor», em referência
ao monte que se encontra na Palestina, um veículo que transportou
o Santíssimo Sacramento, o legado do Papa, cardeal Jozef Tomko,
e o cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Québec. Imensos estandartes
e portadores de figuras gigantes – entre elas, as de alguns santos
e beatos dessa terra – acompanharam a multidão de caminhantes.
A procissão fez paradas na igreja Saint-François-d’Assise
(São Francisco de Assis), onde o cardeal Tomko entrou com o Santíssimo
e deu a bênção às pessoas lá reunidas;
na igreja Saint-Roch (São Roque), na qual os peregrinos acenderam
seu círio ao iniciar a etapa final que os levou ao Ágora.
Zenit
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