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AUSTRÁLIA: 16/07/2008
JMJ
Cardeal Pell dá início à JMJ 2008
O cardeal George Pell deu uma mensagem de boas-vindas
e de esperança a uma multidão cheia de energia, unida para
a missa de abertura da JMJ. Antes do início da missa hoje, os 150
mil jovens foram acolhidos pelo clima quente de Sydney. E receberam uma
mensagem de texto de ninguém menos que Bento XVI.
A mensagem do Papa dizia:
- «Jovens amigos, Deus e seu povo esperam muito
de vocês, porque vocês têm o dom supremo do
Pai:
- o Espírito de Jesus - BXVI».
Depois de uma procissão de 168 bandeiras e a entrada
da cruz e do ícone da JMJ, o cardeal Pell deu as boas-vindas aos
peregrinos em quatro línguas. Sua saudação foi recíproca,
com um grande aplauso, e acompanhada por cantos e coreografias semelhantes
àquelas usadas para as recepções papais. O cardeal
Pell estava acompanhado por 26 cardeais, 400 bispos, um coro de 300 jovens
e uma orquestra de 80 integrantes. Ele disse aos membros da imprensa no
início desta semana que esperava ansiosamente por celebrar a maior
missa de sua vida. Durante o entardecer na bela paisagem de Sydney, o
cardeal Pell usou a primeira leitura de Ezequiel sobre o vale dos ossos
secos para ilustrar a promessa de esperança.
De um palco construído com madeira australiana,
o arcebispo de Sydney falou aos jovens sobre a imagem da morte apresentada
por Ezequiel:
- os pássaros que devoram os corpos em um «imenso
campo de batalha de pessoas sem enterrar».
Ezequiel, explicou, foi chamado por Deus para profetizar
sobre esses ossos. Assim que o fez, «um barulho se fez ouvir, em
seguida um ruído ensurdecedor, enquanto os ossos vinham se unir
aos outros. Prestando atenção, viu que se formavam sobre
eles músculos, que nascia neles carne e que uma pele os recobria».
Então Deus soprou-lhes a vida e «um grande, um imenso exército»
se levantou.
As
surpresas de Deus
O cardeal Pell reconheceu que sua mensagem não
se dirigia propriamente àqueles que já estão firmes
na fé, mas que buscava «dar as boas-vindas e alentar todos,
a quem se considera perdido, submergido no desespero, ou esgotado».
«As causas das feridas são secundárias:
- drogas, álcool, crises familiares, luxúria da
carne, solidão ou morte.
E talvez até o vazio do êxito», assegurou.
«O chamado de Cristo é para todos os que sofrem, não
só para os católicos ou pessoas de outras religiões,
mas especialmente para os que não pertencem a nenhuma religião.»
«Cristo lhes está chamando para regressar a casa, a viver
o amor, a reconciliação e a comunhão», assegurou.
«Nós, cristãos, cremos no poder do Espírito
para converter e mudar as pessoas do mal ao bem, do medo e da incerteza
à fé e à esperança», acrescentou. «Nossa
tarefa consiste em estar abertos ao poder do Espírito para permitir
que o Deus das surpresas possa atuar através de nós»,
assegurou. «Independentemente de qual for a nossa situação,
temos de rezar para ter um coração aberto, para ter a vontade
de dar o seguinte passo, ainda que tenhamos medo de ir longe demais.»
«Se seguramos a mão de Deus, Ele fará
o resto. A confiança é o segredo. Deus não falhará.»
Depois, comentando a segunda leitura, tomada da Carta de São Paulo
aos Gálatas, o cardeal Pell convidou os jovens «a não
ficarem sentados detrás da barreira, a deixar suas opções
abertas, pois só o compromisso traz a realização».
Ser discípulo de Jesus exige disciplina, acrescentou, reconhecendo
que ainda que «o autocontrole não o tornará perfeito
– pelo menos não é meu caso –, é necessário
para desenvolver e proteger o amor em nossos corações e
para prevenir que outras pessoas, em especial nossa família e amigos,
fiquem feridas por nossas quedas na sujeira e na acídia».
Novo
espírito
O bispo auxiliar do cardeal Pell, Dom Anthony Fisher,
encarregado pela organização da Jornada Mundial da Juventude,
considera que esta homilia é particularmente forte para a Austrália.
O bispo reconheceu que uma interpretação literária
de Ezequiel se aplica muito bem a um país que sofre seca há
dez anos, como a Austrália. Mas a mensagem fala mais de um «povo
em decadência». «A promessa que Cristo faz de vida nova
é para nossa cultura, nosso país, para os países
dos quais os peregrinos procedem, para todos os que estão sofrendo
e para os jovens que experimentam as drogas», afirma o prelado.
Esta é a mensagem que a Jornada Mundial
da Juventude deixa: - Cristo é a autêntica esperança.
«Quando alguém se sente como ossos secos,
deve sentir a esperança de um novo Espírito, de uma nova
vida», conclui.
Zenit
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