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BRASIL: 27/12/2007
Testemunho
Cardeal D. Aloísio Lorscheider, OFM um homem de Deus
A notícia do falecimento do Cardeal D. Aloísio
Lorscheider tem dado origem aos mais diversos depoimentos, todos enaltecendo
essa figura extraordinária do episcopado brasileiro. Há
os que destacam sua atuação à frente da Diocese de
Santo Ângelo – RS; outros, seus trabalhos numa das maiores
dioceses do Brasil: Fortaleza - CE; não poucos chamam a atenção
para suas iniciativas em Aparecida – SP, quando deu novo impulso
à vida religiosa do maior centro mariano em nosso país.
Há os que lembram sua atuação à frente da
CNBB, como presidente, em anos difíceis, delicados, em que a voz
da Igreja, através de Dom Aloísio, ressoava com firmeza,
clareza e coragem. Há os que ressaltam os retiros que pregava para
o clero – poucos anos atrás, por exemplo, esteve em Florianópolis
para um deles; nesses retiros, sua visão teológico-pastoral
iluminava consciências e abria caminhos. De minha parte, quero destacar
duas facetas da rica personalidade desse Cardeal: em primeiro lugar, sua
ligação com a própria família.
Quando eu era Arcebispo de Maringá, costumava
ser convidado por uma de suas irmãs, que lá reside, “para
um almoço com Dom Aloísio”. Com ela o Cardeal passava
anualmente uma parte de suas férias. Eu ficava admirado ao ver
que nem a distância geográfica nem o tempo haviam apagado
seu carinho para com seus irmãos, cunhados e sobrinhos –
ao contrário, parecia até que viviam sempre juntos, na mesma
casa, onde ele exercia o papel de “irmão mais velho”.
Destaco, também, suas exposições teológicas
nas assembléias anuais da CNBB – exposições
esperadas por todos, pois sabia-se que seria apresentada uma síntese
atualizada dos caminhos da Teologia no Brasil e no mundo, dos desafios
enfrentados pela Igreja e dos apelos que a realidade nos estava fazendo.
Em tudo e sempre, o que se destacava no Cardeal D. Aloísio eram
sua simplicidade, sua amabilidade e o direcionamento de sua vida. Percebia-se
que tinha uma paixão que alimentava seus passos e dava renovada
força a seu coração, fisicamente tão frágil:
a paixão por Jesus Cristo.
Dom Aloísio partiu para a casa do Pai;
deixou-nos, contudo, o testemunho de uma vida que está muito sintetizada
na famosa frase do apóstolo Paulo:
- “Eu vivo, mas não sou eu que vivo, é
Cristo que vive em mim!” (Gl 2,20).
CNBB
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