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BRASIL: 21/12/2007
Ecologia
Obras do São Francisco não serão paralisadas
O Supremo Tribunal Federal (STF) apreciou, dois recursos
contrários às obras de transposição do rio
São Francisco e decidiu que estas não devem ser paralisadas.
Em um dos recursos, o ministro Carlos Alberto Direito, após reclamação
da Advocacia Geral da União (AGU), anulou a decisão do Tribunal
Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), que havia expedido
liminar interrompendo as obras. Mas a decisão de do ministro Carlos
Alberto não é final e o mérito da reclamação
ainda precisa ser julgado pelo STF. O segundo recurso, do Ministério
Público Federal, foi negado pelo pleno do STF, por seis votos a
três. Nele, o procurador-geral da República, Antonio Fernando
de Souza, pediu que as obras de transposição fossem suspensas
até que fossem elaborados estudos de impacto no meio ambiente exigidos
na norma ambiental.
Além dos estudos ambientais, o procurador alegou
também que não foram cumpridas exigências, como a
realização de audiências públicas que permitissem
a presença das comunidades afetadas pelas obras de transposição.
Mesmo assim, as obras foram iniciadas em Cabrobó (PE). O pedido
do procurador incluía ainda a suspensão da a licença
prévia concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que permitiu o início
das obras. A decisão de hoje é válida até
que a ação tenha seu julgamento final, cuja data é
imprevista. Com isso, as obras podem ser finalizadas sem que a ação
tenha sido julgada.
Representantes de movimentos sociais e de comunidades
ribeirinhas, que desde a última segunda-feira estão participando
de um jejum solidário a Dom Luiz Cappio, acompanharam o julgamento
no plenário do STF. Ontem, em nota enviada aos ministros do STF,
Dom Luiz Cappio - que hoje completa 23 dias em jejum - se disse bastante
esperançoso "nossas esperanças se voltam agora para
o judiciário que diante de tantas ilegalidades cometidas pelo executivo
no afã de impor este projeto tem a chance de re-estabelecer a Justiça
e o Direito". Após a decisão do STF, o diálogo
iniciado ontem à noite entre representantes do governo e da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que propunha a paralisação
das obras por dois meses para debate aberto com a sociedade, foi interrompido
pelo governo.
Adital
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