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BRASIL: 20/12/2007
Violência
Bispo de Abaetetuba foi ameaçado de morte pessoalmente
Dom Flávio Giovenale, bispo de Abaetetuba (80
km de Belém, capital do Pará, norte do Brasil) foi abordado
na manhã do dia 4 de dezembro e ameaçado de morte pessoalmente.
Segundo o bispo contou a Zenit esta quarta-feira,
um desconhecido o interpelou na rua, quando ele se dirigia a um colégio,
e disse:
- «A gente conhece os seus caminhos; quando a poeira
baixar, vamos dar um jeito em vocês».
Dom Flávio Giovenale, salesiano, italiano missionário
no Brasil, há dez anos bispo de Abaetetuba, atuou no caso da menina
encarcerada com homens na delegacia da cidade. A adolescente de 16 anos
(completados no dia 10 passado) foi presa sob acusação de
furto no dia 21 de outubro. Ela ficou presa em uma cela com 20 homens
até o dia 14 de novembro. Nesse período, foi obrigada a
manter relações sexuais sob violência, em troca de
alimento. Ela apresentava marcas de violência no corpo e queimaduras
de cigarro.
Segundo explicou Dom Flávio Giovenale, não
foram todos os detentos que estupraram a menina. Um deles, chocado com
a situação, havia prometido ajudá-la assim que saísse
da cadeia. Foi este detendo que encaminhou ao Conselho Tutelar a denúncia.
Depois que o caso veio a público, quatro delegados foram afastados
--inclusive o delegado-geral da Polícia Civil paraense, Raimundo
Benassuly. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) chegou a pedir o afastamento
de todos os 25 agentes da Polícia Civil de Abaetetuba.
Nesse contexto, três pessoas intercederam
com especial vigor em favor da menina:
- o bispo Giovenale e as conselheiras tutelares Maria
Imaculada Ribeiro dos Santos e Diva de Jesus de Negrão Andrade.
Todos foram ameaçados pessoalmente de morte por
desconhecidos neste mês de dezembro. Outras pessoas teriam sofrido
ameaças, inclusive membros da OAB no Pará. Dom Flávio
disse temer pela vida das duas conselheiras. «Acredito que as duas
correm mais perigo, pois o bispo é uma autoridade, e eles têm
de pensar bem antes de fazer uma besteira». O prelado destacou o
trabalho corajoso das duas conselheiras no caso da menina estuprada. Maria
Imaculada e Diva Andrade também atuam na Igreja Católica
como catequistas. Dom Flávio Giovenale afirmou que já detalhou
as ameaças de morte à OAB. A entidade está cuidando
dos trâmites para conseguir proteção policial para
os três ameaçados, junto à Polícia Federal.
A menina vítima de abuso sexual confirmou à
Justiça que, após o período que passou na prisão,
foi deixada no cais por três policiais que a haviam prendido. Eles
a teriam mandado «desaparecer». A adolescente confirmou ainda
que em diferentes momentos em que esteve presa afirmou que era menor de
idade. Após ser enviada para Belém, a menina foi encaminhada,
sob sigilo da Justiça, para outro Estado brasileiro, onde recebe
tratamento e proteção. Dom Flávio Giovenale confirmou
a Zenit que já havia recebido outras três ameaças
de morte este ano, por seu trabalho em favor da justiça e dos direitos
humanos em Abaetetuba, cidade marcada pela presença do tráfico
de drogas.
Zenit
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