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BRASIL: 19/12/2007
Ecologia
Supremo julga amanhã liminar que suspende as obras no São
Francisco
Às 10hs. Hoje (19), o Supremo Tribunal Federal
(STF) irá julgar a liminar concedida no último dia 10 de
dezembro, que suspende as obras de transposição do rio São
Francisco. Assim, será decidido, na última instância,
se a transposição pára ou não. O bispo da
Barra (BA), Dom Luiz Cappio, que há 22 dias está de jejum
pelo fim da transposição, acredita em uma decisão
favorável pelo judiciário. Em Brasília, os integrantes
de movimentos sociais que desde ontem participam de um jejum solidário
na Esplanada dos Ministérios devem permanecer no ato até
que a decisão do STF seja divulgada. Dom Cappio e entidades da
sociedade civil que defendem o rio São Francisco criticam o projeto
de transposição, que consideram "uma flagrante afronta
ao Estado de Direito e ao Estado Democrático".
O projeto de transposição descumpre normas
ambientais, de recursos hídricos, além de ferir artigos
da própria Constituição Federal. O artigo 49 da Constituição
estabelece que é competência exclusiva do Congresso Nacional
aprovar o uso de recursos naturais em terras indígenas. No entanto,
a captação de água do Eixo Norte, em Cabrobó
(PE) - há 80 metros da Ilha de Assunção, território
do Povo Truká - não foi discutido no Congresso. Também
o artigo 231 da Constituição foi descumprido, pois determina
que os povos indígenas afetados nesses casos devem ser ouvidos
e até agora não o foram. Além disso, os Estudos de
Impacto Ambiental não consideraram os reais impactos na Bacia do
São Francisco e nas bacias chamadas receptoras, só foram
avaliados os impactos por onde passam os canais.
Ainda em relação ao descumprimento das
normas ambientais, estudos sobre os reais impactos negativos para o meio
físico, meio biótico e meio sócio-econômico
não foram concluídos, apesar de as obras já terem
começado. Após realização dos estudos, foram
feitas mudanças no traçado da obra, que não foram
apreciados. O Governo desrespeitou também o obrigatório
estudo de alternativas para ampliar o suprimento hídrico das populações
dos Estados do Nordeste. "A transposição não
chegará ao povo sedento do nordeste e isso precisa ser discutido
dentro do Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental
(EIA/RIMA), pois a indicação da população
beneficiada é parte integrante desses estudos", disse comunicado
de imprensa divulgado pela Articulação São Francisco
Vivo.
De acordo com a legislação ambiental, as
comunidades afetadas por projetos ambientais ter acesso a Audiências
Públicas, para que conheça o projeto e faça críticas
e sugestões. Nas Audiências Públicas do São
Francisco, as comunidades ribeirinhas afetadas estavam a cerca de 500
km de distância do local da Audiência, pois essas foram em
Salvador, num hotel cinco estrelas. O Sistema Nacional de Gerenciamento
de Recursos Hídricos, que em seu Plano para a Bacia do São
Francisco prevê a retirada de água desta bacia apenas para
consumo humano e animal, comprovada a escassez d’água, foi
descumprido pelo projeto, pois a transposição destinará
água para usos industriais. "A violação à
Democracia ocorre de forma clara quando observamos que todas as instâncias
formais de participação popular previstas na legislação
ambiental e de recursos hídricos não foram respeitadas",
acrescentou a Articulação São Francisco.
ADital
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