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BRASIL: 10/12/2007
Ecologia
Metade da Amazônia pode ser destruída até 2030, diz
WWF
Até 55% da Amazônia pode ser destruída
até 2030 por uma combinação de agricultura, pecuária,
atividade madeireira, fogo e secas, se as atuais tendências forem
mantidas na região, de acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira
pelo grupo ambiental WWF na Conferência da ONU para Mudanças
Climáticas, em Bali. A pesquisa foi realizada por um grupo cientistas
do Woods Hole Research Center, dos Estados Unidos; do Instituto de Pesquisa
Ambiental da Amazônia (Ipam); e da Universidade Federal de Minas
Gerais. Ela indica que as previsões catastróficas esperadas
para o fim do século podem estar mais próximas do que se
imaginava. "Os modelos anteriores não levavam em conta o fogo,
a exploração madeireira e o regime de chuvas.
É um dos cenários mais pessimistas que
já vi", disse o cientista americano Daniel Nepstad, que coordenou
o estudo e trabalha na Amazônia há mais de 20 anos. Por trás
da destruição acelerada - até a publicação
deste estudo, o cenário mais dramático previa uma destruição
de metade da Amazônia até 2050 - estaria um ciclo vicioso
de fogo e secas alimentado, em grande parte, pelo aquecimento global.
"O nosso objetivo ao divulgar este estudo é fomentar a discussão
sobre a relação entre clima e floresta", disse a analista
de Mudança Climática do WWF-Brasil, Karen Suassuna.
Abalos
De acordo com o estudo, o cenário mais grave se
desenharia a partir do momento em que as espécies nativas amazônicas,
resistentes ao fogo, estiverem tão enfraquecidas que cheguem a
ser substituídas por arbustos de fácil combustão,
em decorrência dos repetidos danos provocados por secas, exploração
madeireira ou fogo. A destruição de uma porção
tão grande da floresta, por sua vez, deve levar a problemas ainda
mais graves - e para todo o planeta -, segundo a pesquisa. "A destruição
em grande escala poderia acelerar o abalo global do clima, influenciando
o regime de chuvas em regiões remotas do planeta." O modelo
dos cientistas indica que neste ritmo, até 2030, de 15 a 26 toneladas
de carbono seriam liberadas na atmosfera, em conseqüência da
ação do desmatamento na Amazônia. O equivalente a
entre um ano e meio e 2,6 anos das emissões globais nos níveis
atuais. "Sem manter um clima estável, é muito difícil
conservar a Amazônia; e sem a Amazônia, é muito difícil
manter um clima estável", resumiu Daniel Nepstad.
Otimismo
Diante dessas previsões, a biodiversidade da região
também estaria gravemente ameaçada. Áreas importantes
para o ecossistema da Amazônia, como a floresta de babaçu
do Maranhão e áreas no Maranhão e na Bolívia
também poderiam desaparecer, o que acarretaria na perda de várias
espécies, inclusive de primatas, nas próximas décadas.
Em meio à mensagem pessimista, o estudo apresentado pelo WWF-Brasil
traz também algumas boas notícias. Uma delas, é a
capacidade da floresta de se regenerar. Segundo os autores do estudo,
regiões desmatadas conseguem voltar a ocupar as clareiras mais
rapidamente do que se pensava, em apenas 15 anos, voltando a consumir
dióxido de carbono da atmosfera e atuando na estabilização
do clima na região.
Ainda segundo a pesquisa, estudos recentes indicam que
vem ocorrendo uma mudança de mentalidade entre os proprietários
de terras amazônicas, que cada vez mais usam as suas terras para
criar orquídeas ou para atividades madeireiras e, por isso, evitam
o uso do fogo como instrumento de manutenção. Para Nepstad,
se o número de fazendeiros conscientes do perigo do fogo aumentar,
o risco de queimadas e a conseqüente degradação da
cobertura original da floresta diminui.
Soluções
Esses dois fatores levaram os pesquisadores a concluir
que entre as esperanças para evitar a destruição
da Amazônia estão o fomento a técnicas madeireiras
mais avançadas, no lugar das tradicionais queimadas para a agricultura
ou pecuária, e um controle cada vez maior sobre os incêndios
florestais. Além disso, o grupo coordenado por Nepstad sugere que
as políticas de uso de terra em vigor atualmente na Amazônia
brasileira sejam exportadas para outros países amazônicos,
já que parecem ter reduzido a destruição das matas
no Brasil.
Finalmente, o estudo conclui que "ainda há
tempo para reduzir o risco de uma destruição generalizada
da floresta amazônica e da aceleração do aquecimento
global que ela causaria." O grupo de Napsted diz que essa meta, no
entanto, poderia ser atingida se o governo brasileiro aproveitasse "cada
oportunidade de governar a expansão nas fronteiras da Amazônia".
Para isso, os pesquisadores sugerem a implantação de programas
de indenização para países tropicais que reduzam
as emissões de gases do efeito estufa provenientes de desmatamento.
O assunto é, precisamente, um dos mais polêmicos da reunião
da ONU para mudança climática em Bali.
Fides
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