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AUSTRÁLIA: 29/11/2007
Jovens
Jornada mundial da juventude 2008 deverá gerar muitos frutos
«Esperamos, com a ajuda de Deus, colher os frutos
da Jornada e desenvolvê-los aqui na Austrália». A afirmação
é do coordenador da Jornada Mundial da Juventude 2008 (JMJ08),
bispo Anthony Fisher. Ele e o arcebispo de Sydney, cardeal George Pell,
receberam um grupo de jornalistas de diferentes locais do mundo para falar
sobre a realidade da Austrália, a Jornada e as perspectivas que
o encontro poderá trazer. O bispo Fisher insistiu que a JMJ não
é apenas um evento de uma semana. Segundo ele, a Jornada pode ser
dividida em um tempo para a preparação, a semana da JMJ
e depois o prosseguimento. A necessidade da preparação também
foi salientada pelo arcebispo de Sydney. Segundo o cardeal Pell, aqueles
que vierem preparados espiritualmente e religiosamente para uma peregrinação
terão sua fé revigorada pelo entusiasmo de centenas de milhares
de jovens católicos.
Dom Anthony Fisher acredita que a JMJ fará crescer
em todas as pessoas, independente de religião ou país, as
questões sobre Deus, sentido, busca da felicidade e de ideais.
«Especialmente», afirmou Dom Fisher, «nos nossos jovens
católicos queremos fortalecer a sua identidade religiosa e a grande
contribuição que eles devem dar ao nosso país e à
nossa Igreja». Atualmente, 60% dos 21 milhões de australianos
são cristãos, 26% desse total é formado por católicos.
Em Sydney a prática religiosa é um pouco maior que a média
nacional, que está entre 13 e 14% de participação
semanal. Hoje em dia, 20% de todos os australianos são educados
em escolas católicas.
Isso faz com que, segundo o cardeal Pell, o esforço
pastoral da Igreja na Austrália no momento seja concentrado na
rede de ensino. Há mais católicos nas escolas que praticantes
nas paróquias, segundo o arcebispo. Para o cardeal George Pell,
o desafio é fazer que a Jornada se confronte com essa realidade
e seja um bom evento nos âmbitos espiritual, religioso, no fortalecimento
da fé, e que gere frutos para o futuro. «Quando estive no
exterior conversando com jovens eu especificamente os convidei para virem
para Austrália não apenas para fortalecer a sua fé,
mas para ajudar a fortalecer a fé dos jovens australianos»,
lembrou o arcebispo da cidade sede da próxima JMJ.
JMJ como ponte
Para o cardeal Pell, a Austrália é um local
estratégico para a Igreja, que pode ser visto como uma ponte ocidental
para a Ásia. «Nossa Igreja tem recebido da Ásia muita
vitalidade católica», afirmou. Segundo ele, a Igreja na Austrália
está se beneficiando com a migração de católicos
da Ásia para Austrália, como a forte comunidade católica
chinesa. «A sociedade dos estudantes asiáticos católicos
na Universidade de Sydney e nas demais universidades da cidade é
um dos maiores grupos universitários que temos», exemplificou.
«Creio que será a Jornada mais internacional de todos os
tempos, pois teremos a participação de muitas nações
do Pacífico, que nunca participaram, ou participaram muito pouco
das anteriores, além de outras da Ásia», afirmou Dom
Fisher.
A Jornada também pode ser vista como uma ponte
de união entre as religiões. O evento, declaradamente católico,
tem recebido uma resposta positiva das demais Igrejas cristãs e
das demais religiões. O bispo Fisher contou que, durante uma reunião
com líderes religiosos para explicar o que era a Jornada, recebeu
ofertas de escolas muçulmanas oferecendo para acomodar os jovens
em seus prédios durante a JMJ. «Não fomos lá
com esse intuito, ficamos encantados pela vontade deles em partilhar suas
estruturas e oferecer suas casas para acolher peregrinos, além
de oferecer voluntários para nos ajudar», lembrou.
A reação dos representantes de outras religiões
foi, segundo o coordenador da JMJ, um ótimo exemplo do caráter
multicultural e multirreligioso da Austrália, em que as pessoas
estão vivendo juntas e vivendo bem. Haverá, durante o evento,
fóruns específicos sobre questões ecumênicas
e diálogo inter-religioso como houve nas edições
anteriores, guiados por movimentos internacionais como os focolares e
a Taizé. «Acima de todos os encontros, os jovens demonstrarão
ao estar juntos cantando e rindo, que eles não querem que a religião
seja usada para o ódio e a violência», afirmou Dom
Fisher. Para ele a Jornada será uma vivência na prática
dos pedidos do para chamando as religiões a não ser causa
de ódio e violência.
Valores na JMJ
Na visão do cardeal George Pell há quatro
áreas cruciais de valores com que a Igreja na Austrália
deve se preocupar: casamento, família, sexualidade e assuntos sobre
a vida. Atualmente, 60 a 70% dos jovens australianos moram juntos antes
do casamento. Está ocorrendo um decréscimo no número
de casamentos e o país tem uma média de 90 mil abortos por
ano. Segundo ele, essas são pressões típicas daquelas
existentes em outras sociedades ocidentais. Esses assuntos devem ser abordados
durante os eventos do Festival Jovem da Jornada e nas catequeses dos bispos,
que ocorrem durante três dias. Mas, de acordo com o arcebispo de
Sydney, o comprometimento com Cristo vem primeiro.
«Se as pessoas conhecem mais profundamente
sua fé e escutam os ensinamentos de Cristo, então eles perceberão
que isso tem conseqüências para sua vida diária, em
diferentes áreas:
- falar a verdade, fazer suas obrigações,
fidelidade, trabalho duro.»
A organização da JMJ recebeu centenas de
propostas de diferentes locais do mundo para eventos durante o Festival
Jovem. Dom Fisher afirmou que um grande número dessas propostas
foi dirigido a esses temas sobre vida, família e sexualidade. «Realmente
são assuntos importantes para os jovens nesse momento, eles querem
conversar sobre isso, querem conhecer isso de diferentes formas, como
na música, no teatro, em debates», explicitou.
JMJ e meio ambiente
Além das questões sobre valores, o bispo
Anthony Fisher salientou que a temática do meio ambiente estará
presente na JMJ. «Quando perguntamos aos jovens sobre o nosso mundo
e o lugar de Deus e seus ideais, assuntos ligados à ecologia emergem
imediatamente para os jovens», explicou. Para o coordenador da Jornada,
o tema será muito discutido pelos jovens. «Ao vir para Austrália,
eles verão um país com muitas belezas naturais, o que naturalmente
gera esse tipo que questões no coração humano».
Cada JMJ, segundo Dom Fisher, tem se tornado mais e mais ambientalmente
consciente e amigável.
Ele citou o evento de Colônia e a celebração
em Loreto, na Itália, em que houve uma consciência para minimizar
os impactos no meio ambiente em termos de lixo, energia e demais assuntos
ambientalmente positivos. Porém, alertou o coordenador da JMJ,
esse tema fará referência às questões que ele
considera mais importantes: «quem é Deus, quem somos nós,
por que Deus nos deu esse mundo e como nós utilizamos as dádivas
maravilhosas desse mundo responsavelmente».
Zenit
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