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ÁFRICA DO SUL: 26/12/2007
Política
“Espero que não prevaleça uma linha fortemente populista
que imite a do Zimbábue” disse um missionário
“A corrupção é um fenômeno
disseminado na África do Sul, por isso as novas acusações
contra Zuma não devem surpreender, quando muito já não
era sem tempo…” afirma à Agência Fides, um missionário
da África do Sul, onde Mokotedi Mpshe, a frente da National Prosecuting
Authority, declarou que existem provas suficientes para incriminar o recém-eleito
Presidente do ANC (African National Congress), Jacob Zuma. Zuma está
envolvido num escândalo ligado ao megacontrato para a aquisição
de armas assinado pela África do Sul com algumas empresas européias,
e por este motivo foi obrigado a se demitir da Vice-presidência
do País pelo Presidente Thabo Mbeki. Zuma , entretanto, venceu
novamente ao conquistar esta semana a Presidência do partido no
poder. Pergunta-se se com as declarações do Procurador-chefe
começou o embate entre estado e partido temido por muitos após
a grande derrota de Mbeki imposta pelo seu ex-Vice-presidente.
“É ainda cedo para dizer” afirma o
missionário, que estando muito empenhado no contexto social prefere
não ser citado pelo nome. “Zuma adotou uma estratégia
de comunicação cativante que lhe permitiu se impor facilmente
sobre um Presidente visto como distante do povo. O Presidente favoreceu
a grande indústria e a área financeira mas não soube
ou não quis investir em infra-estrutura, essencial para assegurar
o bem estar da maioria dos cidadãos. O padrão de vida da
população não melhorou”. “Para além
da distância existente entre estado e partido - continua a fonte
da Fides - a meu ver o maior risco agora é que prevaleça
dentro da ANC uma linha populista que imite a política de Mugabe
no Zimbábue, com transferências forçadas de propriedade
dos “brancos” para os “negros”. Seria um desastre
para a África do Sul e para toda a África que perderia a
sua mais importante referência. Um risco, no entanto, mitigado porque
a ANC está realmente dividida entre uma ala populista e uma tecnocrata.
O problema porém é que nenhum dos dois
componentes conseguiu até agora expressar uma linha política
coerente para transformar o País”. “Um exemplo é
o problema dos refugiados provenientes do Zimbábue” continua
o missionário. “Prefere-se ignorar a questão ou mesmo
quando se fala dela, acusam essas pessoas, que são privadas de
meios materiais e de qualquer tipo de assistência jurídica,
de serem criminosas. Não existe uma política verdadeira
de ajuda. Além disso, a linha seguida pela diplomacia sul-africana
nos conflitos de Mugabe é a de um substancial apoio ao Presidente
que reduziu ao mínimo o que já foi o celeiro da África”.
A Igreja assiste os refugiados sul-africanos e recentemente os Bispos
locais denunciaram as discriminações sofridas pelos refugiados
do Zimbábue na África do Sul. “É uma tragédia
escandalosa. Há episódios que devem mover as consciências,
como aquele do cidadão do Zimbábue que morreu de fome na
porta do Ministério do Interior onde estava acampado há
dias para mendigar um visto de permanência. Espero que haja uma
mudança de comportamento em relação a essas pessoas”
conclui o missionário.
Fides
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