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ÁFRICA: 06/12/2007
Igreja e Política
Bispo pede desenvolvimento integral

Um bispo africano apontou a necessidade de não focar apenas os aspectos econômicos na promoção do desenvolvimento da África, mas propor um desenvolvimento integral e humano. Dom Daniel Adwok, bispo auxiliar de Cartum (Sudão), está em Portugal para acompanhar o Congresso UE-África, que se celebrará este final de semana em Lisboa. O bispo faz uma visita de 10 dias a Portugal, a convite da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). Na reunião de Chefes de Estado e de Governo se farão representar os 80 países que compõem esta parceria entre União Européia e África, bem como os responsáveis pelas instituições regionais dos dois continentes. Segundo revela um comunicado da UE, o encontro procura levar em conta as profundas mudanças que afetaram África, a Europa e o Mundo na última década, lançando as bases para uma parceria estratégica no longo prazo, fornecendo os instrumentos necessários para um trabalho conjunto sobre as grandes questões globais.

Cinco temas principais centrarão os debates:

- a paz e a segurança; a democracia e os direitos humanos; o comércio, as infra-estruturas e o desenvolvimento; as migrações e a energia e as alterações climáticas.

Em declarações ao Programa ECCLESIA, do episcopado de Portugal, Dom Daniel Adwok defendeu que a questão dos Direitos Humanos na África deve estar na agenda da cimeira UE-África. Segundo o bispo auxiliar de Cartum, «a minha esperança é que se olhe, em primeiro lugar, para o desenvolvimento de toda a pessoa, para os Direitos Humanos e a dignidade humana em todos os países e, como é lógico, no meu país, o Sudão». Dom Adwok criticou duramente o governo sudanês e espera que o mesmo seja questionado em relação ao que se passa no país, em especial na região de Darfur e no Sul, palcos de guerra no país.

«É preciso saber se as partes estão realmente a negociar, porque seria um desperdício de energias falar de desenvolvimento econômico para o Sudão enquanto o seu povo geme na opressão, gritando por liberdade e segurança», afirmou. O bispo enfatizou que, em primeiro lugar, «a paz e a segurança devem ser garantidas, também para o Sul, agora que o acordo de paz enfrenta dificuldades de aplicação». O desenvolvimento proposto ao Sudão deve ser «um desenvolvimento com um rosto humano», afirmou Dom Adwok.

Conflito

Darfur é uma Província semi-árida, na região oeste do Sudão. Ali, mais de 2 milhões de pessoas vivem em campos de refugiados. Elas foram desalojadas durante mais de três anos de conflitos persistentes. Estimativas afirmam que mais de 200 mil pessoas foram assassinadas ou morreram em conseqüência de fome ou doença nos campos. O Sudão é dominado por uma população de origem árabe, enquanto em Darfur a maioria é de origem centro-africana, sobretudo nômades e de diversas etnias. Observadores externos e refugiados apontam uma tentativa deliberada de se expulsar a população negra africana de Darfur.

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FACE OCIDENTAL

A animação ao lado
mostra a sequência das
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