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VATICANO: 05/12/2006
Papa
Dor do Papa pela ordenação
ilegítima de bispo na China
A Santa Sé manifestou em um comunicado a dor de
Bento XVI pela ordenação ilegítima, sem o consentimento
do Papa, de um bispo na China. A ordenação episcopal do
sacerdote Giovanni Wang Renlei, aconteceu na quinta-feira, 30 de novembro,
na diocese de Xuzhou, na China continental, por decisão da Associação
Patriótica, que tem por objetivo ser uma Igreja nacional separada
da Santa Sé, reconhecida pelas autoridades comunistas. Segundo
informou a agência do Pontifício Instituto de Missões
Exteriores, Asianews.it, o Escritório governamental de Assuntos
Religiosos chegou a seqüestrar (por engano) a dois bispos da província
de Hebei. Ambos pertencem à Igreja “oficial”, mas suas
respectivas ordenações foram aprovadas pelo Vaticano. Por
sua vez, D. Giovanni Wang Renlei, de 36 anos, segundo AsiaNews.it, também
esteve em regime de isolamento, pois antes da ordenação
não foi possível falar com ele por telefone.
Uma nota emitida neste sábado pela Sala de Imprensa
da Santa Sé explica que o “O Santo Padre recebeu com profunda
dor a notícia, pois dita ordenação episcopal foi
conferida sem mandato pontifício, ou seja, sem respeitar a disciplina
da Igreja católica sobre a nomeação dos bispos”.
Estas e outras ordenações episcopais precedentes, acrescenta
o comunicado “ofendem os sentimentos religiosos de todos os católicos
na China e em todo o mundo, é fruto e conseqüência de
uma visão da Igreja que não corresponde com a doutrina católica
e que subverte princípios fundamentais de sua estrutura hierárquica”.
Para que possa ser ordenado um bispos, necessita-se que sua “consagração
sacramental” se dê “mediante a comunhão hierárquica
com a Cabeça” e com os demais bispos, motivo pelo qual se
necessita do mandato pontifício. “Uma ordenação
episcopal ilegítima é um ato objetivamente tão grave
que o direito canônico estabelece severas sanções
para quem a confere e recebe, a condição de que o ato se
realiza em condições de verdadeira liberdade”, esclarece
o comunicado.
O comunicado vaticano, faz alusão à possibilidade
de que os bispos ordenantes e o ordenado tenha atuado de maneira forçada.
“A Santa Sé tem consciência do drama espiritual e do
sofrimento daqueles eclesiásticos -bispos consagrantes e ordenados-
que se vêem obrigados a ser parte ativa de ordenações
episcopais ilegítimas, faltando assim à tradição
católica, que em seu coração quiseram seguir fielmente”,
afirma o comunicado. Ao mesmo tempo mostra sua solidariedade com os católicos
-sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos- “que se vêem
obrigados a acolher a um pastor, sabendo que não está em
plena comunhão hierárquica nem com o que encabeça
o colégio dos bispos nem com os demais bispos espalhados por todo
o mundo”. Um porta-voz anônimo do Escritório de Assuntos
Religiosos, citado pela agência Xinhua, explicou que “dado
o status das relações entre China e o Vaticano e o fato
de que o colégio dos bispos católicos da China tenha feito
suas avaliações e que a diocese de Xuzhou tenha terminado
a seleção do candidato e lhe tenha preparado para a ordenação,
a petição do Vaticano de deter e postergar a ordenação
não é razoável”.
Zenit
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