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SUDÃO: 22/11/2006
Paz
“Abre” ao envio de uma força
de paz a Darfur, mas entretanto, a crise se dilata e o Chade lança
um apelo à mobilização geral
O Sudão “abre” à possibilidade
de envio de uma força de paz em Darfur. Foi o que emergiu de um
encontro entre o Secretário Geral das Nações Unidas,
Kofi Annan, e expoentes da Liga Árabe e da União Africana,
em Addis Abeba, capital da Etiópia. Segundo Annan, o governo de
Cartum se disse “a princípio” disponível ao
deslocamento em Darfur de uma força multinacional, integrada por
Capacetes Azuis das Nações Unidas e soldados da União
Africana.
Ainda se encontrou um acordo sobre as dimensões
da força de paz das Nações Unidas:
- para Cartum, o contingente de 17 mil homens, proposto
pela ONU, “é elevado”, e deve ser reduzido a “11
mil ou 12 mil” - explicou o embaixador sudanês na ONU, Abdalmahmood
Abdalhaleem Mohamad. Segundo o Secretário Geral das Nações
Unidas, “as tropas devem ser fornecidas pela África, no limite
do possível, mas o comando e a sua estrutura serão da ONU”.
Segundo o Ministro do Exterior sudanês, a ONU pode fornecer aos
militares africanos suporte logístico e ajudas no campo das comunicações
e da desativação das minas. Além dos militares, o
plano da ONU prevê o envio de 3 mil policiais e o custo anual de
1 bilhão de dólares. O governo sudanês afirmou que
dará uma resposta definitiva sobre esta proposta antes da reunião
do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, em 24
de novembro, dedicada à crise em Darfur. Já está
presente uma força da União Africana ma região sudanesa,
cujo mandato, porém, expira em 31 de dezembro. Este sinal de disponibilidade
ocorre no momento em que a crise em Darfur está se ampliando, com
o envolvimento de Chade e República Centro-africana, e diante da
avançada dos rebeldes em Chade, o governo de N’Djamena lançou
um apelo à mobilização geral, anunciando o envio
de tropas à República Centro-africana para ajudar o pequeno
exército local, que não consegue contrastar outra rebelião.
Ambos os governos afirmam que por detrás destes movimentos de guerrilha,
está o Sudão.
No pano de fundo da tensão e da ação
diplomática, encontra-se a luta pelo controle dos recursos desta
ampla área:
- em primeiro lugar, o petróleo, bem cada vez
mais raro e indispensável para as economias mais avançadas,
assim como para os países em desenvolvimento. As populações
locais são as primeiras a pagar a conta. De fevereiro de 2003 até
hoje, morreram em Darfur 200 mil pessoas, e de 2 a 3 milhões estão
em campos de refugiados.
Fides
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