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SOMÁLIA: 15/12/2006
Calamidade
A espiral perversa de guerra, integralismo
e desastres naturais
Em meio à emergência humanitária
causada pelas inundações que castigam há meses amplas
áreas da Somália, aumenta no País do Chifre da África
o temor de uma nova guerra. Seja o governo de transição
nacional, como as Cortes Islâmicas, estão se preparando para
um confronto pelo controle da cidade de Baidoa, sede do governo de transição.
A movimentação militar é acompanhada por declarações
inflamadas dos líderes de ambas as partes. Dia 12 de dezembro,
o xeque Yusuf Mohamed Siad “Inda'ade”, responsável
da Defesa das Cortes Islâmicas que controlam Mogadíscio,
declarou que “se em sete dias, os etíopes não deixarem
nossas terras, os atacaremos e os obrigaremos a abandonar nosso País”.
A Etiópia é acusada pelas Cortes Islâmicas de ter
enviado tropas de ajuda ao Governo de transição. Por outro
lado, um comunicado do Governo de transição acusa as Cortes
de ter recebido ajudas militares da Eritréia, e de ter permitido
a milhares de fundamentalistas entrarem na Somália.
Preanuncia-se, desta forma, um conflito que pode ir além
da Somália e envolver todo o Chifre da África, e talvez
outras regiões. As Cortes Islâmicas rechaçaram também
a decisão do Conselho de Segurança das Nações
Unidas de enviar um contingente de paz de 8 mil homens à Somália,
e revogar o embargo sobre as armas, imposto em 1992. Segundo a resolução
do Conselho de Segurança, a nova força de paz deve ser formada
pela União Africana e pela Autoridade Inter-governamental para
o Desenvolvimento, a união regional dos Países da África
Oriental. A missão terá um mandato inicial de 6 meses e
não deve incluir militares de Países confinantes com a Somália
(o que exclui a Etiópia), e terá a tarefa de proteger o
Governo de transição (reconhecido pela comunidade internacional),
ajudar a reconstituição das forças de segurança
locais, controlar o diálogo entre o Governo de transição
e as Cortes, e garantir a segurança das pessoas envolvidas nas
negociações.
Os rumores e preparativos de guerra podem agravar o desastre
humanitário que castiga a Somália e outros Países
da África Oriental, atingidos pelas piores inundações
dos últimos 50 anos. A população, aos extremos, continua
a morrer de fome e de doenças, em especial, malária e diarréia
intestinal. A situação está destinada a piorar, pois
a previsão é que as chuvas desta estação,
que normalmente terminam em novembro, este ano cessem em janeiro. Os campos
estão tomados pela água, e a população tem
visto reduzir-se, dia após dia, a quantidade de alimentos. O caos,
em nível político e administrativo e as inexistentes condições
de segurança desencorajam as organizações internacionais,
deixando espaço às organizações de caridade
ligadas ao extremismo. Desta forma, criou-se uma espiral perversa de guerra,
integralismo e desastres naturais.
Fides
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