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REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO: 23/11/2006
Testemunho
“Um novo sol se levanta”: memória de Dom Christophe Munzihirwa, Arcebispo de Bukavu, há 10 anos de seu assassinato

“O melhor modo para homenagear esses pastores é continuar a batalha pela justiça, a paz e a reconciliação, conduzida por eles na região dos Grandes Lagos”, afirma Dom François-Xavier Maroy Rusengo, Arcebispo de Bukavu, no nordeste da República Democrática do Congo, recordando os seus predecessores, por ocasião dos 10 anos da morte do então Arcebispo de Bukavu, Christophe Munzihirwa, assassinado em 29 de outubro de 1996.

Na sua mensagem, enviada à Agência Fides, intitulada “Um novo sol se levanta sobre a República Democrática do Congo”, Dom Maroy Rusengo recorda o dramático período no qual ocorreu o homicídio:

- “A guerra teve início no sul no planalto de Ruzizi. Todos se lembravam dos apelos deste válido pastor, que convidava os habitantes a não fugir da cidade para deixá-la a estrangeiros sedentos dos nossos recursos, em uma lógica de balcanização do país”. Diante da decomposição das instituições estatais no leste do então Zaire, Dom Munzihirwa convocou uma reunião no Arcebispado de Bukavu, com cerca de 40 pessoas, para analisar a situação. “Era a manhã de 29 de outubro”, recorda o atual Arcebispo da cidade. Dom Munzihirwa foi pessoalmente pegar algumas freiras que permaneceram presas em seu colégio. Armado somente com a cruz peitoral, Dom Munzihirwa se dirigiu em direção aos militares que detiveram o seu veículo, mas foi recebido com tiros de fuzil. Os seus dois acompanhantes morreram no local. Dom Munzihirwa foi primeiramente ferido e, depois, fuzilado.

Somente na manhã do dia sucessivo, em 30 de outubro, os padres xaverianos conseguiram recuperar o corpo do Arcebispo. “As ruas estavam desertas, as pessoas trancadas em suas casas. Participaram do funeral somente 71 pessoas. O túmulo foi escavado rapidamente al lado da catedral e, em poucos minutos, tudo se encerrou sob a pressão dos militares. Morreu como viveu, na miséria total”, afirma Dom Maroy Rusengo. «Após o assassinato de Dom Munzihirwa, o seu sucessor, Dom Emmanuel Kataliko, continuou a mesma luta pela defesa dos direitos do homem e a preservação da unidade nacional e da integridade do país”, escreve Dom Maroy Rusengo, que recorda como também Dom Kataliko foi perseguido a ponto de morrer “de desgaste, em Roma, no dia 4 de outubro de 2000”. Seu sucessor, Dom Charles Mbogha, continuou a obra dos dois Arcebispos, apesar da doença, e faleceu em 2005.

O Atual Arcebispo vê agora sinais de esperança, sobretudo após a realização das eleições presidenciais:

“Que Dom Munzihirwa e os seus dois sucessores intercedam pelo Congo, para que reine a paz e a democracia”.

Fides

São Paulo
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