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PORTUGAL: 24/11/2006
Mulheres
Tráfico de mulheres preocupa Instituições
Religiosas
O I Plano Nacional de Combate ao Tráfico de Seres
Humanos assinado, envolve várias autoridades, entre elas civis
e religiosas. Ainda em fase de elaboração, também
dependente da nova lei de imigração a entrar em vigor no
próximo ano, a Irmã Júlia da Congregação
das Irmãs Adoradoras, afirma à Agência ECCLESIA que
ainda “verão de que modo poderão intervir e colaborar
com este plano” pois a partir da nova lei é que poderão
estabelecer acordos e ver de que modo as duas casas que dispõem
poderão auxiliar. No entanto afirma prontamente que “estaremos
na primeira linha para ajudar". “É uma questão
de direitos humanos a que a Igreja não pode deixar de dar resposta”
sublinha, para além do aspecto da evangelização.
Há 150 anos que a Congregação tem como carisma o
auxílio às mulheres vítimas e exploradas por isso
“sendo opção da Congregação, não
nos vamos escusar de participar neste plano”.
Em ligação com as autoridades judiciais,
a Congregação das Irmãs Adoradoras, desenvolve um
trabalho de acolhimento de mulheres que são vítimas de prostituição
e de tráfico humano. Quando as autoridades fazem as rusgas, levam
as mulheres para as casas de acolhimento das Irmãs que por sua
vez, durante cerca de 15 dias a um mês, procuram dar todo o apoio
psicológico e fazer o encaminhamento para que possam voltar aos
seus países de origem. São majoritariamente brasileiras,
jovens, com um ou dois filhos. Já receberam uma menor, mas as idades
oscilam entre os 18 e os 24 anos. Vêm do interior do Brasil com
a esperança de melhorarem de vida e terem recursos para darem educação
aos filhos. Algumas já se prostituíam antes de imigrarem,
mas muitas são apanhadas no meio de um sonho. O perfil é
traçado pela Irmã Júlia Bacelar que ao longo de seis
anos de trabalho recorda terem auxiliado cerca de 40 mulheres.
Neste momento estão quatro nas casas de acolhimento.
“Vêm com o sonho de um trabalho melhor e quando chegam deparam
com uma situação muito diferente à qual não
conseguem fugir”. São mulheres muito sofridas e violentadas,
“mesmo aquelas que nos países de origem já se prostituíam”.
O tempo de permanência com as irmãs prolonga-se por cerca
de um mês. “As autoridades tomam conta das declarações
para saber das redes que as envolveram e nós preparamos o retorno
das mulheres”, nomeadamente contactos com a família, tratar
da viagem e todo o acompanhamento médico. “É muito
importante o acompanhamento. Conversamos muito” elucida a Irmã
Júlia, acrescentando a boa relação que se estabelece.
A nova lei vai permitir que as vítimas fiquem por cerca de 60 dias
“o que é muito benéfico pois o acompanhamento é
melhor e mais profundo” afirma, comparando com as Irmãs de
Itália que fazem o acompanhamento durante um ano.
Como forma de despiste, as mulheres são muitas
vezes enviadas para Espanha. Também aqui as Irmãs Adoradoras
têm várias casas, havendo por isso um trabalho em rede. Ao
longo de seis anos de trabalho, há muitas memórias de casos
complicados “e muito sofridos”. As Irmãs que lidam
diretamente com as vítimas não são expostas. A Irmã
Júlia trata da informação e intercâmbio com
as ONG’s e outras entidades. Por outro lado recorda que há
dois anos, quando houve um aumento de mulheres vindas de Leste, “muitas
não tinham contacto prévio com o mundo da prostituição”.
A grande maioria está agora no seu país com a família
e os filhos. “De vez em quando telefonam e escrevem”, exemplos
ilustrativos do importante que é o auxílio a quem pede ajuda.
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