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FILIPINAS: 08/12/2006
Terrorismo
Cristãos do sul filipino continuam
submetidos a terrorismo e seqüestros
Uma onda de atos terroristas e seqüestros vem afligindo
os cristãos de um grupo de ilhas do sul das Filipinas, denuncia
“Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS). O bispo Angelito
Lampon, do vicariato apostólico da ilha de Jolo, recentemente relatou
à citada Obra de Direito Pontifício que a atividade terrorista
tem colocado os cristãos de sua circunscrição num
beco sem saída. Tanto as milícias como os bandos criminosos
estão agindo contra os cristãos -- alerta o prelado, que
se converteram em vítimas de extorsões e seqüestros,
mais por motivos econômicos que políticos ou religiosos.
“Os cristãos não têm armas nem proteção”,
recorda Dom Lampon, de acordo com a nota que AIS difundiu na terça-feira.
Por sua parte, a polícia das províncias meridionais resiste
a atuar, por medo das represálias. A lei e a ordem caíram,
confirmou o prelado. “Como enfrentar um grupo criminoso que conta
com mais pessoas e armas que você? Se tentar, pegarão você
e sua família.
Por isso, é melhor fechar os olhos ante
a realidade: é a forma mais segura de continuar com vida”,
lamentou.
Acrescentou:
“Inclusive quando um caso chega aos tribunais -
que já é raro - não há juiz que se encarregue.
Nem sequer os juízes muçulmanos querem ser destinados a
Jolo”. Nos últimos 15 anos - recorda AIS -- muitas religiosas
e clérigos foram seqüestrados ou assassinados na região.
Sete militares fazem guarda ante a residência de Dom Lampon, e vários
outros durante as 24 horas do dia, na catedral de Jolo. De acordo com
o bispo Lampon, “a violência de Abu Sayyaf alimenta os preconceitos
e as suspeitas”. Para o prelado, “não há dúvida
de que a maioria dos civis muçulmanos não quer problemas;
eles estão cansados deste longo conflito”. Mas “os
poucos que perturbam a paz fazem com que se duvide da maioria, que só
busca viver tranqüilamente”, e “estão sendo realizados
grandes esforços para instaurar a paz, mas as pessoas se mantém
céticas devido à constante sucessão de crueldades,
como assassinatos, extorsões e seqüestros”, constata.
Abu Sayyaf é o grupo guerrilheiro mais temido de todos os que operam
no sul das Filipinas. Desde sua criação em 1991, a história
de Abu Sayyaf se escreveu com o sangue de suas vítimas, entre eles
turistas e religiosos.
Em fevereiro passado, supostos membros deste grupo assassinaram
a sangue frio seis cristãos do pequeno povoado de Patikul, na ilha
de Jolo. Por sua parte, a ilha meridional de Mindanao foi cenário
de violência e confrontos inter-religiosos. Cada ano, cristãos
e muçulmanos celebram a “Semana da Paz”, promovida
pela “Conferência Bispos-Ulemas”. Estende-se com encontros
em outros lugares, onde os cristãos são minoria, em Marawi,
Basilan e Jolo. Basilan também é recordada como centro de
ferozes confrontos entre militares e guerrilheiros de Abu Sayyaf. Em 29
de novembro passado, Zamboanga (em Mindanao) reuniu mais de 30 mil pessoas
para celebrar a abertura da citada “Semana da Paz”, confirma
“AsiaNews.it”. Cristãos de diversas igrejas e muçulmanos
marcharam juntos para pedir o fim do choque entre Manila e os rebeldes
da “Frente de Libertação Islâmica” (MILF,
em suas siglas em inglês), que, por sua parte, há quatro
décadas combate para conseguir a autonomia da região com
uma forte minoria (6 milhões) de muçulmanos. Nos últimos
dois anos, os confrontos diminuíram notavelmente pelo início
das negociações de paz com o governo, mas estas se detiveram
há alguns meses.
Zenit
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