| PIME-Net
EGITO: 07/12/2006
Polêmica
Expoentes islâmicos condenam mutilação
genital feminina
Uma conferência de eruditos islâmicos e cientistas
médicos declarou que “a mutilação genital feminina
é contrária aos maiores valores do islã e é,
portanto, um delito punível judicialmente”. Durante os dias
22 e 23 de novembro, os mais altos eruditos internacionais do islã
e cientistas do âmbito da medicina se reuniram na Universidade Al-Azhar
do Cairo para discutir sobre o tema da mutilação genital
das meninas e da postura do islã com relação a este
costume. Entre os eruditos participaram o grão-xeque de Al-Azhar,
professor Tantawi, o grão-mufti de Al-Azhar, professor Ali Goma’a,
o ministro egípcio da Religião, professor Zakzouk e o xeque
Qaradawi do Qatar, assim como eruditos muçulmanos da Europa, Ásia
e África. Participaram também Ruediger Nehberg e Annette
Weber, presidentes da organização alemã Target, que
luta contra a mutilação genital feminina, impulsora desta
conferência. O grande mufti Ali Goma’a, a mais alta autoridade
judicial de direito islâmico, assumiu co-patrocinar a mesma. A decisão
não tem precedentes.
Segundo dados de Target, cada dia, oito mil meninas são
circuncidadas. Uma a cada onze segundos. No mundo inteiro, 150 milhões
de mulheres estão afetadas, segundo dados da ONU. A Universidade
de Al-Azhar é considerada “A Meca dos eruditos” e é
a mais antiga e maior universidade do mundo. O grão-mufti é
a instância mais elevada quanto a estabelecer perícias jurídicas
definitivas. Durante a conferência de dois dias, a preocupação
principal foi encontrar uma resposta à questão: há
nas escrituras sagradas um convite firme do profeta a mutilar as meninas?
Os eruditos se expressaram sobre este ponto. Existe um “hadith”
(testemunho do que o profeta disse, fez ou tolerou, redigido depois de
sua morte) do qual se deduziu uma “sunna” (maneira de atuar
exemplar, baseada nos atos do profeta). Se for dada credibilidade a isso,
a circuncisão “leve” da mulher era uma prática
desejável. Os “hadiths” se dividem em textos fortes,
ou seja, absolutamente críveis, menos fortes e fracos (nos que
a transmissão é pouco fiável).
Os participantes discutiram, informa a organização
Target, “com uma abertura de espírito surpreendente”
e em seguida se mostraram unânimes em que o “hadith”
em questão pode ser classificar como “fraco”, ou seja,
pouco crível. Restava responder à questão se a mutilação
“leve” podia ser considerada efetivamente como um atentado
corporal. Em geral é minimizada e comparada à circuncisão
do homem. “Em caso de dúvida”, diz o Alcorão,
“pergunte aos cientistas”. Por isso, cinco médicos,
especialistas do Egito, Etiópia e Alemanha foram convidados à
conferência. Estes médicos disseram tanto aos teólogos
como aos eruditos que toda forma de mutilação genital feminina
é danosa para as mulheres tanto no âmbito corporal como psíquico.
Dado que, segundo o Alcorão, nenhum muçulmano pode causar
dano sem razão a nenhuma outra pessoa tanto no âmbito corporal
como psíquico, o grão-mufti pode proibir a todos os crentes
muçulmanos o costume que era o objeto da conferência.
O grão-mufti, no começo da conferência,
afirmou:
“Falaremos da dura verdade da mutilação
genital das mulheres e da atitude do islã o propósito da
intocabilidade do corpo feminino. Discutiremos também a proibição
das agressões, pouco importa a forma que tenham, assim como do
respeito que se deve à dignidade e à honra das pessoas”.
Radio vaticano
Home-page
© 2006 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |