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BURUNDI: 29/11/2006
Violência
A propriedade fundiária é um
problema ainda irresoluto, que pode fazer com que o país seja novamente
vítima da violência
A questão da propriedade fundiária permanece
o problema irresoluto de Burundi, que acaba de sair de uma sangrenta guerra
civil que durou 13 anos. Para revolver a questão, em julho deste
ano o governo burundinês criou a “Commission Nationale des
Terres et Autre Bien” (CNTB), que tem a tarefa de verificar as disputas
fundiárias e a propriedade de outros bens. O problema se tornou
mais áspero com o retorno ao país dos refugiados de países
vizinhos, como Tanzânia e Republica Democrática do Congo.
Segundo o Alto Comissário das Nações Unidas para
Refugiados (ACNUR), de 2002 até hoje foram repatriados cerca de
319 mil refugiados burindineses. Essas pessoas pedem agora para tomar
posse novamente das terras que tiveram que abandonar por causa das violências
e que estiveram ocupadas neste meio tempo por outras pessoas. Diversos
refugiados estavam no exterior antes mesmo da guerra civil que eclodiu
em 1993. Com efeito, Burundi atravessou ciclos periódicos de violências
entre hutu e tutsi em toda a sua história. Os piores massacres,
antes da guerra civil, foram os de 1965 e 1972.
Existem pessoas, portanto, que viveram grande parte de
suas vidas fora do país e que agora voltaram com a esperança
de recuperar as propriedades perdidas. Para revolver essas disputas, os
burindineses apelam seja à lei tradicional, seja à legislação
do Estado, mas poucas pessoas estão conscientes de seus direitos
e a maior parte destas não tem dinheiro para pagar os advogados.
Segundo a lei fundiária local, os direitos sobre um terreno podem
ser adquiridos por quem o ocupar por ao menos 30 anos e se ninguém
solicitar sua posse em três anos a partir desse período.
Esta norma foi aplicada a alguns refugiados que abandonaram o país
em 1972, e que regressados a Burundi depois de 34 anos, viram-se negar
o direito de disporem de duas próprias terras. Os refugiados rebatem
dizendo que esta norma não pode ser aplicada a eles, porque não
abandonaram as propriedades por vontade, mas porque foram obrigados pelas
violências. Diversas pessoas que voltaram a Burundi se encontram
sem casa e sem terra, e continuam a depender das ajudas do ACNUR. A Comissão
nacional tem três anos de tempo para revolver as controvérsias,
que se não forem enfrentadas, correm o risco de lançar novamente
o país na guerra civil.
Fides
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