| PIME-Net
BRASIL: 03/10/2006
Educação
NEGROS CONTRA COTAS
Grupo considera que sistema de ingresso em universidades
divide país entre brancos e negros e que isto não é
justo
Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
e da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), receberam no dia
29/06/06 manifesto assinado por 114 intelectuais, artistas e ativistas
de movimentos negros contra a política de cotas para negros ingressarem
nas universidades e o Estatuto da Igualdade Racial. O grupo considera
que as duas medidas – em votação na Câmara –
dividem o país entre brancos e negros e que esta não é
a melhor forma para se resolver o problema da desigualdade racial. "Somente
um serviço público de qualidade para todos pode mudar a
realidade de exclusão que nós vivemos. Não é
com cotas. Nós defendemos a igualdade de todos os brasileiros",
justificou José Carlos Miranda, do Comitê por um Movimento
Negro Socialista. Yvonne Maggie, professora titular de Antropologia da
UFRJ, considerou que os dois projetos em discussão no Congresso
podem levar a sociedade a correr "um sério risco" de
perder sua unidade nacional.
Para ela, as cotas são um "arremedo para
aliviar as culpas de uns e outros e fazer com que o país seja dividido
em brancos e negros". O presidente da Câmara sinalizou que
é contrário à política de cotas. Para Aldo
Rebelo, o Brasil não deve importar de outros países modelo
de combate à desigualdade racial. As cotas são usadas nos
Estados Unidos. O presidente do Senado tem pensamento contrário.
"Eu sou a favor de que tenhamos uma política pública
para a reparação de qualquer tipo de preconceito. É
inconcebível que no século 21 ainda tenhamos que conviver
com essa segregação. Qual é o caminho para resolver
isso? Temos que discutir mais, abrir esse leque e ouvir todos os segmentos
da sociedade", afirmou Renan. O senador Paulo Paim (PT-RS), autor
do projeto que criou o Estatuto da Igualdade Racial, criticou os signatários
da Carta Pública ao Congresso Nacional. O documento foi entregue,
no dia 29/06/06, aos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP),
e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Segundo Paim, sempre que projetos como o estatuto e a
política de cotas para negros e indígenas estão prontos
para serem votados, "setores conservadores se mobilizam e usam alguns
laranjas para inviabilizá-los". O senador ressaltou que o
estatuto foi discutido por dez anos pela sociedade e aprovado por unanimidade
pelo Senado. A matéria está na Câmara dos Deputados
à espera de votação. "Estas pessoas querem que
tudo continue como está. Os negros morando nas favelas", afirmou,
a respeito dos autores do manifesto. Ao todo, 114 pessoas assinam a carta,
entre artistas, acadêmicos, cientistas políticos, dirigentes
sindicais e de movimentos negros.
(Folhapress e Agêncoa Brasil)
Fonte: www.unicamp.br
Home-page
© 2006 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |