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BOLÍVIA: 07/12/2006
Igreja e Política
Igreja e Governo firmam convênio educativo
Nesta segunda-feira se firmou em Santa Cruz de la Sierra,
Bolívia, um convênio educativo entre a Igreja e o Governo,
que oferece uma resposta, ainda que transitória, à situação
de insegurança que os colégios católicos viviam devido
às manifestações em prol de uma educação
leiga, feitas por representantes governamentais. O convênio - firmado,
por uma parte, pelo presidente Evo Morales e pelo vice-presidente Álvaro
García e, por outra, pelo cardeal Julio Terrazas, presidente da
Conferência Episcopal Boliviana (CEB), e o vice-presidente da mesma,
Dom Jesús Juarez - garante a continuidade dos colégios de
convênio sob a administração da Igreja Católica,
contanto que não se aprove a nova normativa no marco da Assembléia
Constituinte. O acordo realizado entre os representantes do Governo e
a Igreja dá uma resposta, ainda que temporária, à
preocupação eclesial pelo futuro da educação
nos centros católicos, dado que a presente gestão finalizou
seus trabalhos, e para o seguinte ano se prevêem mudanças
qualitativas na educação pela possível aplicação
do agora anteprojeto de Lei Educativa. O convênio se firmou um dia
antes que tal anteprojeto de lei comece a ser tratado na comissão
de Desenvolvimento Humano da Câmara dos Deputados.
Em uma coletiva de imprensa improvisada para difundir
o acordo, o cardeal Julio Terrazas manifestou que com o convênio
se garante “um prolongamento do funcionamento das escolas de convênio
até que na Constituinte possa sair uma Carta Magna e, uma vez que
tenhamos isso, ingressaríamos a dialogar uma vez mais para seguir
aspirando a tudo aquilo que nossa juventude tem como expectativa”.
Por sua parte, Dom Jesús Juarez recordou o acordo firmado em 25
de março de 1997, para a cooperação interinstitucional
entre o Estado boliviano e a Igreja Católica, com o fim de acordar
ações recíprocas e executar ações coordenadas
e concertadas na educação, saúde e proteção
e assistência das crianças, adolescentes e anciãos.
Dom Juarez deu a conhecer o conteúdo do acordo firmado que, entre
outras coisas, estabelece que, no contexto das linhas e objetivos que
são discutidos na Assembléia Constituinte, “a Igreja
Católica, respeitosa da constitucionalidade, acorda estabelecer
os critérios apropriados para este processo de transição
normativa”. Desde junho, a Igreja e o Governo sofreram problemas
de entendimento pela proposta de educação leiga no anteprojeto
de lei e nos discursos do presidente Evo Morales, nos quais afirmava que
“terminou o monopólio da religião”.
Zenit
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