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ÁFRICA: 28/11/2006
Paz
Aumenta a ansiedade da comunidade internacional
pela paz no Chifre
Aumenta a inquietação da comunidade internacional
pela paz no Chifre da África, após a troca de acusações
entre o governo etíope e as Cortes islâmicas somalis. O primeiro-ministro
etíope Meles Zenawi afirmou que fracassou a tentativa de estabelecer
o diálogo com as cortes islâmicas que controlam Mogadíscio
e que estão conquistando o controle de partes cada vez mais importantes
do território somali, e que estão concluídos os preparativos
para enfrentar eventuais hostilidades. O Primeiro-ministro de Adis Abeba
lembrou que as mesmas milícias islâmicas declararam a “Jihad”,
a guerra santa contra a Etiópia, que organizou as próprias
tropas para proteger o fraquíssimo governo transitório somali
instalado em Baidoa. Por este motivo, Zenawi qualificou os guerrilheiros
das Cortes como uma ameaça ao seu País. O Primeiro-ministro
etíope, contudo, deixou aberta a porta para o diálogo, afirmando
que “a política do governo é, em primeiro lugar, a
de resolver o problema através da negociação e do
diálogo”. As Cortes de Mogadíscio responderam imediatamente
que estão prontas para se defender contra qualquer intervenção
militar etíope.
Há tempos, as Cortes denunciam a presença
de militares etíopes junto aos representantes do governo transitório,
que procuram impedir a ação dos guerrilheiros de Mogadíscio.
A Etiópia desmentiu possuir tropas empenhadas nos combates, mas
admitiu ter enviado instrutores militares para treinar os militares do
governo de transição somali. A Somália, que não
tem um governo unitário desde 1991, divide-se em pelo menos três
regiões. O frágil governo de unidade nacional não
conseguiu unificar o País e enfrenta o desafio das Cortes islâmicas
que há meses assumiram o controle da capital, Mogadíscio.
No vazio de poder que foi criado, envolveram-se pelo menos uma dezena
de Países Africanos e não africanos que, segundo um relatório
da ONU que será apresentado oficialmente amanhã, 24 de novembro,
armaram as diversas facções somalis. As antecipações
da imprensa do conteúdo do relatório suscitaram algumas
controvérsias e diversos Países citados no documento já
desmentiram terem fornecido armas e instrutores militares às facções
somalis. Um outro motivo de preocupação é a falta
de aceitação da retificação das fronteiras
entre a Etiópia e a Eritréia. Ambos os Países rejeitaram
a proposta apresentada por uma comissão independente encarregada
de definir o limite da área que levou à sangrenta guerra
de 1998-2000 (mais de 200 mil mortos).
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