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ANGOLA: 28/11/2005
Guerra Civil
230 km da linha ferroviária estão livres das minas na província de Moxico

Cerca de 230 km, num total de 300 da linha ferroviária de Benguela, que atravessa a província angolana de Moxico, estão livres das minas. Foi o que anunciou Antonio Catumba, Diretor regional do Instituto Nacional de combate às minas (INADE). O espaço beneficiado compreende 12 metros nos dois lados da ferrovia. “Segundo as nossas estimativas, esses 12 metros em cada faixa lateral ao longo dos trilhos é uma garantia suficiente de segurança”, afirmou o Diretor regional do INADE, o qual acredita que será possível concluir o trabalho até o final do ano.

Trata-se de um passo importante para Angola, um dos países mais atingidos pelo triste fenômeno das minas, herança da guerra civil de 1975-2002. Certamente ainda permanece muito por fazer para livrar Angola das minas, especialmente daquelas disseminadas nos campos, que representam um sério obstáculo à retomada da agricultura angolana, que poderia se tornar uma das mais importantes de toda a África austral. Justamente nesses dias, foi publicado o relatório da campanha global contra as minas promovida pelas Nações Unidas.

Segundo o relatório, o uso das minas antipessoais no mundo diminuiu em 2005, mesmo que Rússia, Mianmar (ex-Birmânia) e Nepal continuem a utilizá-las. Egito e Iraque foram retirados da lista dos países produtores de minas antipessoais, que compreende ainda13 nações (eram 50 no início dos anos 90). A Campanha destaca, além disso, que no mundo quase não existe mais o comércio destas minas. Segundo o documento, as forças rebeldes estão em primeiro lugar na utilização dessas minas, em especial em Mianmar, Colômbia e Nepal.

A Convenção de Ottawa de 1997 proíbe o uso, o estoque e o transporte de minas antipessoais. Tal convenção foi assinada por 147 países, com exceção de alguns, entre os quais os Estados Unidos, a Rússia e a China. Quatro nações, entre as quais a Etiópia, aderiram este ano. Os países que não assinaram o acordo mantêm armazenamentos estimados em 160 milhões de minas antipessoais: destas, 110 milhões estão na China, 26,5 milhões na Rússia, e 10,4 milhões nos EUA.

Em 2004, as pessoas mortas ou feridas por minas antipessoais foram oficialmente no mundo 6.521 (8.065 em 2003): mas já que não se há notificações de todos esses acidentes, a Campanha estima que, na realidade, as vítimas sejam muito mais numerosas, em torno de 15/20.000 pessoas. A Campanha contra as minas financiou para o próximo ano 350 projetos de combate aos artefatos em 33 países. Destes, 172 são relativos à África e 117 à Ásia.

Fides

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