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AMÉRICA LATINA: 17/11/2005
Seitas
Grupos religiosos disputam "Mercado
de Valores Espirituais"
A América Latina transformou-se num "agitado
mercado de valores espirituais", disputado por grupos cristãos
e islâmicos, que buscam fiéis decepcionados com a Igreja
Católica. Foi o que revelou à agência de notícias
espanhola - EFE - a especialista mexicana, Sanjuana Martínez. "Num
mundo globalizado e de comércio aberto, as diversas confissões
religiosas encontraram, na América Latina, um terreno fértil
para disputar o suculento mercado dos "valores espirituais",
tão rentável quanto o mercado econômico" - enfatizou
a especialista.
Esse "mercado de valores espirituais" se evidencia
especialmente em países como Brasil e México, de maioria
católica, e onde se nota uma grande penetração da
confissão protestante e da religião muçulmana, esclareceu
Martínez. Sanjuana Martínez, que é autora de vários
livros, afirmou que o auge dos grupos não-católicos na América
Latina - o subcontinente com o maior número de fiéis da
Igreja Romana - se deve, entre outras razões, a "um cansaço"
dos fiéis.
A América Latina, "continente da esperança",
corre o perigo de se tornar "continente das preocupações"
por causa da incessante penetração de outras confissões,
de outras religiões e até mesmo de seitas. A advertência
é dos bispos católicos, segundo a pesquisadora. Nesse ritmo
a Igreja Católica na região poderá sofrer um verdadeiro
colapso nas próximas décadas. Estima-se que a cada hora,
400 dos mais de 500 milhões de católicos latino-americanos
abandonam a Igreja para abraçar outros credos, "que oferecem
respostas imediatas e concretas às suas necessidades materiais
e espirituais" - disse Martínez.
A pesquisadora acredita que, além da atividade
religiosa, vários desses grupos não-católicos, procedentes
principalmente dos Estados Unidos, fazem também ativismo político
nos diversos países da América Latina."A história
demonstra que diversas confissões protestantes norte-americanas
foram além de sua missão religiosa e cruzaram a fronteira
da política latino-americana" _ enfatizou Sanjuana Martínez.
Segundo a escritora, o México é o país onde mais
se evidencia a crescente disputa entre a tradicional e majoritária
Igreja Católica e os grupos protestantes e muçulmanos procedentes
do vizinho Estados Unidos, e da Europa.
Com 106 milhões de habitantes, 90% dos quais se
declaram católicos, o México "está vivendo uma
efervescência religiosa com matizes políticos e ilustra,
talvez como nenhum outro país, a disputa do "mercado de valores
espirituais"" - segundo Martínez. Chiapas, por exemplo,
que se situa na região sul do México, com sua grande população
indígena e sua situação de fronteira com a Guatemala,
"vive neste momento, um verdadeiro "choque de civilizações",
com os católicos tentando manter o poder e os protestantes e muçulmanos
tentando conquistar mais almas" - assegurou Martínez.
Chiapas, cenário de desconfianças entre
católicos e protestantes e fortaleza dos rebeldes do Exército
Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), viu florescer,
nos últimos anos, mesquitas e peregrinações islâmicas,
sob o olhar atento do serviço secreto mexicano. Os muçulmanos
penetraram principalmente nas comunidades dos indígenas maias tzotzis,
conhecidos no resto do país por seu fervor religioso e suas famosas
festas.
Mohammed Gutiérrez, um antigo fiel católico
tzotzil, que em 2000 se converteu ao Islamismo, disse que seu grupo está-se
expandindo em Chiapas "para levar a mensagem e a luz do profeta Maomé,
e não para pensar em alguma "guerra santa"". Gutiérrez
disse que abandonou a Igreja Católica por sentir-se desprezado
e não encontrar ali as respostas para suas necessidades. Acusou
a Igreja Católica por seus "ritos intermináveis e dupla
moral".
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